Academia das Letras

Vidas Secas – um convite à reflexão

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Retirantes de Candido Portinari. Fonte: google.com

Vidas Secas – reflexão e interdisciplinaridade

Passados mais de 80 de publicação, a obra Vidas Secas, do autor Graciliano Ramos, continua sendo um convite à reflexão sobre questões sociais e linguísticas. A narrativa, constituída por 13 capítulos,  é situada na caatinga nordestina e seus personagens são obrigados a se deslocarem de tempos em tempos à procura de um lugar para “sobreviver”.

Essa saga nos coloca diante de uma realidade miserável recorrente nos dias atuais. A construção das personagens, o cenário, a linguagem e o narrador constroem um percurso narrativo que, somado ao tema, podem levar nossos alunos a refletirem sobre as questões fundamentais da sociedade e do homem. A realidade implacável é apresentada pela maneira como cada personagem reage perante os impasses, as relações de poder se estabelecem, e as dimensões éticas e ideológicas são demonstradas.

Esta obra abre caminhos para um projeto interdisciplinar na escola. Disciplinas como Geografia e Sociologia podem unir forças com Língua Portuguesa a fim de explorar a narrativa e conduzir os alunos a um estudo contextualizado. As questões climáticas e territoriais podem ser trabalhadas por Geografia, esse estudo dará suporte para que o aluno entenda o ciclo da seca que envolve a narrativa. Já a Sociologia pode levantar debates relacionados à condição miserável em que Fabiano e sua família estão submetidos e o papel do Governo em relação a isso.

A disciplina de Língua Portuguesa encontra um material riquíssimo para abordar o conteúdo de Sociolinguística. Por meio de reflexões e análises da linguagem é possível colaborar para o desenvolvimento de uma leitura crítica a fim de combater o preconceito linguístico. O trabalho estético com a linguagem desenvolvido por Graciliano Ramos se associa com os aspectos socioculturais; a linguagem representa o conhecimento acumulado, é modelada pela prática social em que a personagem está inserida. O autor trabalha o código linguístico como um processo em desenvolvimento e, de forma gradativa, a linguagem se transforma.

Quer saber mais? Leia um ensaio de Rubem Braga publicado no Diário de Notícias do Rio de Janeiro e reflita sobre a importância dessa obra.

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