Academia das Letras

Ventania – Por Pitaluga (Livro autoral – Palavras de Março).

Ventania

Andava pela encosta de um penhasco. Os braços abertos, cabelos voando soltos ao vento, olhos fechados. Tinha fugido mais uma vez, precisava respirar. Sentou-se de pernas cruzadas , e ouviu. Perto dali, uma ventania se formava e subia um redemoinho, levantando folhas e pequenos galhos. Dentro de si, também ouvia uma ventania, ainda mais intensa e destrutiva. Quanto mais forte o vento estava do lado de fora, mais fraco estava do lado de dentro. A tranquilidade e sanidade voltavam. Esperou. O furacão se formou. Estava no olho do furacão. Respirou fundo mais uma vez. A ventania não refletia mais o lado de dentro. A ventania não era mais parte de si. Mas a calmaria agora, ocupava esse lugar. Não estava mais no olho do furação, nem era ele. Não estava mais na ventania, nem era ela. Respirou fundo uma ultima vez e voltou para casa. Não precisava mais fugir. Era calmaria.

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