Academia das Letras

Além do Sertão

Além do sertão é um cordel composto pelos alunos Thiago Abdala e Ygor Lebrank durante um projeto desenvolvido com os alunos do Ensino Médio do colégio Unasp-EC em 2018. A composição foi inspirada na obra Vidas Secas do autor Graciliano Ramos. Vamos nos deliciar com essa leitura?

Além do Sertão

Filho do mais arrendado cangaceiro, Chico, o jovem jagunço, sertanejo,

servo infiel do Coronel Lusão, o grande enganador, ardiloso do sertão.

O trabalho de Chico era pastorear as ovelhas e bezerros que no dedo conseguia contar,

tentava viver com as esmolas que sobrava e com os sonhos que almejava.

Mas a sua peculiaridade era de um ser vaidoso,

dizia para todos que tudo era seu, mal se enganava ele…

quanto mais aos outros.

Fez-se então a maior besteira presenciada naquele sertão,

contou a um forasteiro, Sr. Cabueta, na ignorância de um jovem peão:

-Retirante, de onde vens para onde vais?

– Sou o Coronel Francisco, dono desta terra, das terras além mais.

Não sabia ele que o pobre retirante era irmão do Coronel,

que por sua vez, avexado sai sem hesitar, indo até o irmão,

pra de imediato começar a dedurar:

-Coronel Lusão, venho a ti com uma afronta! Um peão ousa te enfrentar! De tudo que é seu, quer ele tomar. Falou a mim que era dono destas terras. És filho do cangaceiro, chama-se Francisco, o qual furtou o teu lugar.

Aporrinhado, revoltado, com sangue nos olhos

o coronel chama a atenção:

-Tragam-no até mim! Farei se ajoelhar, esse peão é um cabra da peste, de seu próprio veneno tem ele que provar.

Foi corrida a notícia por todo sertão,

como o vento que leva as sobras do braseiro no chão,

chegando aos ouvidos do sertanejo, ficou amofinado,

com medo, traumatizado, não sabia para onde fugir;

prendendo-se aos grilhões da sentença,

esperando as chibatadas que haveria de sentir.

Ele então foi capturado, o coronel não lhe permitiu advogado.

Vilipendiosamente, Chico recebeu o carimbo de culpado.

Mas seu pai, vendo o filho aprisionado,

pediu clemência, tirando o seu chapéu,

deixando pelo chão seu orgulho do cangaço:

– Coloque sobre mim a culpa do pecado, este fardo é demasiado pesado. Deixe-me sofrer em seu lugar, as chibatas eu vou suportar, tirai-o das correntes da prisão! Coloque sobre mim o peso do perdão!

O Coronel ficou extasiado,

permitiu a troca do culpado.

Chico abismado, viu seu pai ser praticamente dilacerado.

A cada chibata, o sangue escorria,

se arrependera de dizer aquilo que sonhava,

não pelo sonho em si, mas pela mentira que pregava.

A vida continuou… na memória jazia essa lembrança

em certa ocasião, Chico indaga a atenção

de um estrangeiro que passava pela serra:

-Retirante, de onde vens e para onde vais?

– Sou o Coronel Francisco, dono dessas terras das terras de além mais.

Thiago Abdala e Ygor Lebrank (Ex-alunos do colégio Unasp-EC. Atualmente são alunos do curso de Direito/Unasp-EC)

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