Edição 04

Nesta Edição:

ESTUDOS E PESQUISAS

SERVIÇOS E UTILIDADES

FATOS E FAKES


Foto: Getty images

ESTUDOS E PESQUISAS

Características da infecção por coronavírus em crianças

Pesquisa: Clinical and epidemiological features of 36 children with coronavirus disease 2019 (COVID-19) in Zhejiang, China: an observational cohort study (DOI: 10.1016/S1473-3099(20)30198-5)

Autores: Haiyan Qiu (Hospital Ningbo, Zhejiang, China), Junhua Wu (Hospital Ningbo, Zhejiang, China), Liang Hong (Hospital da Universidade Wenzhou, Zhejiang, China), Yunling Luo (Hospital da Universidade Wenzhou, Zhejiang, China), Qifa Song (Centro de Prevenção e Controle de Doenças Ningbo, Zhejiang, China), Dong Chen (Hospital Central de Wenzhou e Hospital Sixth People’s de Wenzhou, Zhejiang, China)

A pesquisa responde a qual pergunta?

Quais as características clínicas e epidemiológicas dos pacientes pediátricos com COVID-19?

Por que isso é importante?

De janeiro a março de 2020, 36 crianças foram diagnosticadas com o novo coronavírus em três hospitais de Zhejiang, China. A rota de transmissão envolveu contato com familiares ou com áreas epidêmicas. No início da epidemia, as escolas estavam fechadas, o que pode ter impedido uma maior exposição das crianças ao vírus. Ainda assim, a comunidade escolar é um local que pode contribuir para a rápida disseminação da infecção, visto que muitas crianças são infectadas, mas permanecem assintomáticas. Considerando que isso pode fazer das crianças grandes vetores da transmissão do vírus na comunidade, informações sobre as características da infecção nesse grupo etário são de suma importância para a prevenção e o tratamento da doença.

Quais foram os resultados?

Mais da metade das crianças afetadas pela COVID-19 apresentaram sintomas clínicos moderados de pneumonia. As principais razões que levaram essas crianças à admissão nos hospitais foram febre, tosse seca e pneumonia, e elas ficaram internadas, em média, por 14 dias. Apenas um terço dos pacientes pediátricos diagnosticados com o novo coronavírus estavam assintomáticos. A SARS-CoV-2 parece acometer pouco o trato respiratório superior nas crianças, ao contrário do observado em adultos e em outras infecções similares. Apesar de raramente apresentarem comorbidades (como hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e diabetes), e de a prevalência de infecção pulmonar ser baixa nesse grupo etário, a principal causa de óbito entre os menores de 5 anos foi a pneumonia. Por se tratar de um vírus altamente transmissível, deve-se observar constantemente a presença de quaisquer sintomas nas crianças. Por outro lado, devem-se manter medidas rígidas de distanciamento social e higiene, visto que boa parte das crianças não apresenta sintomas quando infectada, mas pode transmitir o vírus àqueles com quem convive.


Políticas públicas de vacinação e a ocorrência de casos de COVID-19

Pesquisa: Correlation between universal BCG vaccination policy and reduced morbidity and mortality for COVID-19: an epidemiological study (DOI: 10.1101/2020.03.24.20042937)

Autores: Aaron Miller, Mac Josh Reandelar, Kimberly Fasciglione, Violeta Roumenova, Yan Li, and Gonzalo H. Otazu (Department of Biomedical Sciences, NYIT College of Osteopathic Medicine, New York Institute of Technology, Old Westbury, New York, USA)

A pesquisa responde a qual pergunta?

As políticas de vacinação de BCG estão associadas à redução de casos de COVID-19 nos diferentes países com o surto epidêmico?

Por que isso é importante?

Diante da crise pandêmica imposta pelo novo coronavírus, torna-se necessário entender mecanismos que podem estar atrelados à maior ou menor capacidade de resistir (imunologicamente) ao vírus. Nesse sentido, foi demonstrado que várias vacinas, incluindo a vacinação Bacillus Calmette-Guérin (BCG), produzem efeitos imunológicos secundários altamente positivos nos seres humanos, levando a uma boa resposta contra outros patógenos, além do vírus específico para o qual a vacina foi produzida. Um exemplo disso foi demonstrado por meio de camundongos imunizados com BCG, pois os cientistas observaram que, com o passar do tempo, esses animais ficaram protegidos contra outros patógenos. A explicação envolve aspectos metabólicos e epigenéticos específicos, os quais promovem uma melhora significativa na imunidade antiviral. Nesta mesma linha de pesquisa, resultados positivos têm sido encontrados a partir de testes realizados com seres humanos. Um estudo na Guiné-Bissau constatou que, crianças vacinadas com a BCG, apresentaram uma redução de 50% na mortalidade geral, o que foi atribuído ao efeito da vacina na redução de infecções respiratórias.

Quais foram os resultados?

Neste estudo liderado por Aaron Miler, do departamento de ciências biomédicas do Instituto de Tecnologia de Nova Iorque, os pesquisadores demonstraram que o impacto da COVID-19 pode ser parcialmente explicado pelas diferentes políticas nacionais relativas à vacinação infantil BCG. Após avaliar as políticas de vacinação BCG em diferentes países com sérias decorrências do surto epidêmico causado pelo novo coronavírus, os cientistas relataram que a vacinação BCG oferece ampla proteção contra as infecções respiratórias. Aaron Miler e sua equipe compararam um grande número de políticas de vacinação BCG de países com a morbimortalidade do COVID-19 e descobriram que, países sem políticas universais de vacinação BCG (Itália, Holanda, EUA), foram mais severamente afetados pela COVID-19 do que países com políticas universais e antigas de BCG. Os pesquisadores ainda mostraram que os países que iniciaram tardiamente a política universal do BCG (por exemplo o Irã, em 1984) apresentaram alta mortalidade, consistente com a ideia de que a BCG protege a população idosa vacinada. Também foi observado que a vacinação com BCG reduziu o número de casos relatados de COVID-19. Assim, o estudo concluiu que a combinação de morbidade e mortalidade reduzida faz da vacinação BCG uma nova ferramenta potencial na luta contra o COVID-19.


SERVIÇOS E UTILIDADES

UNICEF na proteção de crianças e adolescentes

Embora não sejam os mais afetados diretamente pelo coronavírus, crianças e adolescentes, como em todas as emergências e crises humanitárias, são os que mais sofrem de maneira indireta. O fechamento das escolas e isolamento afetam sua saúde e educação. A fim de prevenir a falta de informação confiável, e, como consequência, a vulnerabilidade à doença bem como a seus efeitos emocionais negativos, como insegurança e medo, o UNICEF está trabalhando com especialistas em saúde global para fornecer informações precisas, confiáveis e baseadas em evidências científicas. Para tanto,  disponibiliza em seu site conteúdo acessível, crítico e criativo para orientar famílias, educadores, crianças, adolescentes e jovens, promovendo a saúde global daqueles que podem estar entre os mais afetados pela doença.

Flexibilização dos currículos escolares na quarentena

O Ministério da Educação flexibilizou os 200 dias letivos e as 800 horas anuais da Educação Básica, bem como os estágios obrigatórios do Ensino Superior (Medida Provisória 934).  A suspensão de aulas foi uma medida conjunta entre as pastas da saúde e educação. Estados e municípios disponibilizam cartilhas e orientações diversificadas para que os alunos continuem os estudos de casa, de forma engajada. Em São Paulo, para começar a receber o conteúdo de cada componente curricular, bem como o auxílio alimentação a partir do Bolsa Família, é preciso atualizar o endereço residencial do estudante no portal da secretaria de educação.

Ações da área de transporte da prefeitura de são paulo no combate ao COVID-19

O setor de mobilidade urbana também participa efetivamente das medidas de combate ao COVID-19. Desde o dia 13 de março, a SPTrans reforça as mensagens sonoras de prevenção ao novo coronavírus nos 31 terminais da cidade. A companhia de transporte anunciou recentemente que, os idosos que quiserem solicitar o Bilhete Único, poderão fazer isso de casa, enviando apenas um e-mail para [email protected]. Caso alguém tenha dúvida sobre o serviço, basta ligar para SP156. O cartão especial de estacionamento para idosos e pessoas com deficiência (DeFis), emitido pelo DSV, também pode ser obtido sem sair de casa, pelo portal 156.


FATOS E FAKES

O coronavírus pode ser transmitido por alimentos preparados por outras pessoas?

A resposta é: provavelmente. Cientistas já identificaram coronavírus em fezes de pacientes; assim, não é possível descartar a possibilidade de transmissão por manipuladores de alimentos infectados. Entretanto, para que isso corra, o alimento deverá ter sido exposto à secreção respiratória da pessoa contaminada. Os manipuladores de alimentos devem redobrar a atenção com a higienização pessoal, fazendo uso de luvas, máscaras e vestimentas adequadas. O risco de transmissão é pequeno quando se trata de alimentos submetidos a algum tratamento térmico (assados, cozidos, gralhados ou fritos), mas em relação àqueles consumidos in natura, como frutas e verduras, os cuidados com a higienização de quem os irá consumir devem ser ainda maiores. Recomenda-se lavá-los em água corrente para remover pequenas impurezas, deixar de molho em solução clorada por 15 minutos, enxaguar e somente então proceder ao consumo. As embalagens utilizadas nos serviços de delivery devem ser higienizadas (caso venham a ser reutilizadas) ou então descartadas para evitar o contágio. Sugere-se, ainda, que o alimento advindo do serviço de delivery seja transferido para outro prato antes de ser consumido, para prevenir o contato com uma embalagem possivelmente contaminada. Manter a distância segura entre o usuário do serviço e o entregador também é recomendado.


Organização

Pró-Reitoria de Pesquisa e Desenvolvimento Institucional

Comitê Científico – Contingência COVID-19

Dr. Allan Novaes, Dr. Fabio Alffieri, Dra. Maristela Martins, Dra. Gildene Lopes,
Dr. Rodrigo Follis, Dra. Lanny Soares e Dra. Naomi Vidal Ferreira

Produção

Mestrado em Promoção da Saúde

Dr. Maurício Lamano, Dra. Natália Cristina Vargas e Silva

Edição 03

Nesta Edição:

ESTUDOS E PESQUISAS

SERVIÇOS E UTILIDADES

FATOS E FAKES

  • Máscaras caseiras têm eficiência comprovada contra o novo coronavírus?


pandemia
Rio de Janeiro – Movimento intenso de passageiros na tarde de hoje (22) no Aeroporto Internacional Tom Jobim/RioGaleão, com a partida das delegações olímpica (Tomaz Silva/Agência Brasil)

ESTUDOS E PESQUISAS

Clima, tráfego aéreo e pandemia

Pesquisa: Exponential phase of covid19 expansion is not driven by climate at global scale (DOI: 10.1101/2020.04.02.20050773)

Autores: Marco Túlio Pacheco Coelho (Departamento de Ecologia, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, Goiás, Brasil) e equipe de pesquisadores

A pesquisa responde a qual pergunta?

O aumento exponencial de casos de COVID-19 é impulsionado por variáveis climáticas?

Por que isso é importante?

Diversos países do mundo vivem atualmente um estado de isolamento social, que é sucessivamente prorrogado pelas autoridades públicas, levando essas nações a se aproximarem cada vez mais de uma crise econômica sem precedentes. Nesse sentido, torna-se fundamental que se conheçam os principais fatores que promovem esse impulso no aumento de pessoas contagiadas pelo novo coronavírus nas diferentes regiões do planeta. Parte da comunidade científica chegou a suspeitar dos fatores climáticos, levantando hipóteses de que eles seriam os protagonistas do aumento exponencial de casos de COVID-19 em vários países, sugerindo, assim, que a taxa de contágio seria menor em países de clima tropical. No entanto, outra parte defendia que atributos socioeconômicos e conexões globais seriam as maiores causas do formato das curvas de aumento epidêmico. Para propor medidas eficientes e rápidas no combate ao novo coronavírus, cientistas brasileiros listaram os principais fatores associados ao aumento exponencial de casos de COVID-19 em vários países do mundo. O resultado publicado por eles contribui para a compreensão da disseminação do vírus, dando diretrizes sobre potenciais ações relacionadas aos condicionantes climáticos ou a conexões globais entre pessoas.

Quais foram os resultados?

Avaliando 44 países distribuídos em diferentes regiões do planeta, os autores deste estudo não encontraram uma evidente relação entre o aumento de casos por COVID-19 e condicionantes climáticos, levando-se em conta variações latitudinais. Ao incluírem a variável socioeconômica no modelo matemático, o pesquisador Marco Túlio Pacheco Coelho (Universidade Federal de Goiás) e seus colegas perceberam que ambas as variáveis (condicionantes climáticos e fatores socioeconômicos) explicavam apenas 19% do aumento dos casos, o que cientificamente representa uma fraca relação entre “causa e efeito”.  A principal explicação para o aumento exponencial de casos por COVID-19, em todos os países estudados, ocorreu quando os pesquisadores incluíram a variável “centralidade” dos países no modelo matemático, isto é, quando os cientistas consideraram sua relevância em termo de conexões globais de viajantes e sua malha de tráfego aéreo. Esse resultado foi particularmente importante, pois demonstrou matematicamente que, países com grandes fluxos de migrantes e conexões entre voos, são aqueles que têm as maiores taxas de crescimento no número de pessoas infectadas pelo novo coronavírus. Dessa forma, o estudo mostrou que aspectos climáticos não são os principais fatores relacionados à disseminação da COVID-19, mas sim a relevância do país em termos de centralidade e fluxo de migrantes.


Uso da melatonina contra a COVID-19

Pesquisa: COVID-19: Melatonin as a potential adjuvant treatment

Autores: Rui Zhang (Academia Chinesa de Ciências Médicas e Faculdade Peking Union, China) e equipe de pesquisadores

A pesquisa responde a qual pergunta?

A melatonina pode atenuar os sintomas da infecção por COVID-19?

Por que isso é importante?

A melatonina é um hormônio produzido naturalmente pelo corpo humano, e tem diversas propriedades relacionadas à saúde. O sucesso do seu uso já foi documentado no tratamento de distúrbios do sono, aterosclerose, doenças respiratórias e infecções virais. Pesquisas já demonstraram os efeitos positivos da melatonina no alívio do estresse respiratório agudo induzido por vírus, bactérias e radiação. Em alguns casos, a progressão grave do novo coronavírus pode resultar em falência respiratória em poucos dias. Exames microscópicos do pulmão de pacientes mortos pela COVID-19 revelaram que existe um padrão parecido com o de pacientes infectados pela SARS (epidemia que atingiu a China em 2002) e pela MERS (doença que acometeu países do Oriente Médio em 2012), infecções causadas por vírus da mesma família do atual COVID-19.

Quais foram os resultados?

Os autores analisaram os vários mecanismos pelos quais a melatonina exerce ação anti-inflamatória. Apesar da possibilidade de potencializar ações pró-inflamatórias quando administrada em doses elevadas ou em pacientes imunossuprimidos, em modelos convencionais de infecção a melatonina apresenta ação anti-inflamatória, antioxidante e imunomoduladora no organismo humano. Ainda não há relatos científicos de tratamento com melatonina em pacientes com COVID-19, mas no que diz respeito aos estudos envolvendo pacientes com outras infecções, a melatonina tem apresentado resultados promissores na atenuação da inflamação. Além disso, seu uso em curto prazo é seguro, e os relatos de efeitos adversos são escassos e de muito baixa gravidade. Ainda que evidências diretas do uso da melatonina na COVID-19 sejam incertas, seu uso experimental em modelo animal e em humanos têm revelado eficácia e segurança. Frente a isso, ela pode se configurar como possível tratamento adjuvante para os pacientes infectados pelo novo coronavírus.


SERVIÇOS E UTILIDADES

Jornalismo, fake news e desinformação

A UNESCO lançou, recentemente, um manual que pretende contribuir para o ensino, prática e pesquisa do jornalismo no atual panorama global de disseminação desenfreada de fake news, visando o compartilhamento de boas práticas nessa área. As notícias fraudulentas são consideradas formas de desinformação, mesmo quando apresentadas em formato de entretenimento (como é o caso dos memes). A desinformação é uma tentativa deliberada de confundir ou manipular as pessoas com a transmissão de informações desonestas. O papel dos jornalistas e dos meios de comunicação nesse cenário é estratégico, uma vez que informações inverídicas sobre a crise pandêmica podem gerar histeria social, xenofobia e outras implicações sociais e sanitárias graves.

Programa “o Brasil conta comigo”

Está em vigor edital do Ministério da Saúde, voltado aos estudantes concluintes dos cursos de saúde como Medicina, Enfermagem, Fisioterapia e Farmácia, para participarem de ação junto ao SUS no combate à COVID-19 por meio do programa “O Brasil conta comigo”. Os voluntários receberão bolsa no valor de um salário mínimo (R$1.045,00) por 40h semanais de trabalho, ou meio salário mínimo por 20h de trabalho. Além do auxílio financeiro, os estudantes que participarem dessa iniciativa receberão 10% a mais de pontuação ao tentarem ingresso em programas de residência do Ministério da Saúde, no prazo de dois anos.

Situação da epidemia nos estados brasileiros

O Painel Coronavírus é uma plataforma online que permite que o usuário visualize em tempo real os dados atuais da COVID-19 no Brasil, entre eles: a evolução dos casos, o número de óbitos, a concentração da doença e a previsão da situação nos próximos dias em todos os estados do país. O projeto foi criado pela Rede Covida, uma iniciativa do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) e da Universidade Federal da Bahia.


FATOS E FAKES

Máscaras caseiras têm eficiência comprovada contra o novo coronavírus?

A quantidade de informações que recebemos diariamente sobre o novo coronavírus é assustadora. Muitas matérias disseminadas em mídias sociais ou reportagens que ouvimos nos meios de comunicação provêm de fontes confiáveis e têm embasamento científico. No entanto, muitas notícias não passam de intrigas políticas ou fake news. Um exemplo de notícia polêmica trata da eficácia ou não do uso de máscaras caseiras na prevenção da disseminação do novo coronavírus. Bastante controverso, o uso deste equipamento de proteção já foi questionado e recomendado por especialistas em tão pouco tempo. No entanto, a necessidade de proteção e a falta de máscaras descartáveis no mercado têm levado gestores públicos a pedir para a população produzir suas próprias máscaras caseiras, e utilizá-las ao sair de casa. Mas em meio a tanta informação fica uma pergunta no ar: máscaras caseiras são realmente eficientes e evitam a transmissão do novo coronavírus entre as pessoas? Segundo o artigo científico de Anna Davies e colaboradores publicado na revista Disaster Medicine and Public Health Preparedness a resposta é SIM. No entanto, os autores sugerem que as máscaras caseiras sejam somente utilizadas em casos extremos, como o momento que enfrentamos atualmente. De acordo com a pesquisa, essa observação é fundamentada no fato de as máscaras caseiras terem reduzido significativamente o número de microrganismos expelidos pelos voluntários da pesquisa. Contudo, Davies e os demais autores destacaram que a eficiência dessas máscaras caseiras é três vezes menor do que a das máscaras cirúrgicas. Ainda assim, recomenda-se às pessoas que não têm acesso a máscaras cirúrgicas, principalmente pessoas contagiadas ou em grupos de risco, que produzam suas máscaras de forma caseira e as utilizem para sair de casa, contribuindo, assim, para o combate à disseminação da COVID-19.


Organização

Pró-Reitoria de Pesquisa e Desenvolvimento Institucional

Comitê Científico – Contingência COVID-19

Dr. Allan Novaes, Dr. Fabio Alffieri, Dra. Maristela Martins
Dra. Gildene Lopes, Dr. Rodrigo Follis, Dra. Lanny Soares e Dra. Naomi Vidal

Produção

Mestrado em Promoção da Saúde

Dr. Maurício Lamano,
Dra. Natália Cristina Vargas e Silva, Dr. Thiago Gusmão Cardoso

Edição 02

Nesta Edição:

ESTUDOS E PESQUISAS

SERVIÇOS E UTILIDADES

FATOS E FAKES

  • A cloroquina possui efeito antiviral comprovado contra o novo coronavírus?


Imagem: Pixabay

ESTUDOS E PESQUISAS

Pandemia e recessão econômica

Pesquisa: Pandemics Depress the Economy, Public Health Interventions Do Not: Evidence from the 1918 Flu (SSRN, 30 de março de 2020, DOI: 10.2139/ssrn.3561560)

Autoria: Sergio Correia (Board of Governors of the Federal Reserve System), Stephan Luck (Federal Reserve Bank of New York) e Emil Verner (Massachusetts Institute of Technology)

A pesquisa responde a qual pergunta?

O que a pandemia de Gripe Espanhola em 1918 pode nos ensinar hoje sobre a relação entre medidas de intervenção de saúde pública e recessão econômica?

Por que isso é importante?

O debate tem se polarizado em torno de uma escolha entre dois caminhos: responder aos desafios de saúde pública ou garantir a sustentabilidade econômica. Há quem preveja que a segunda onda de mortes virá em decorrência de uma recessão econômica, ainda pior do que esta primeira onda que vivemos, oriunda da pandemia que atinge também o Brasil. Contudo, parece que essa questão não é tão dicotômica assim, uma vez que as pandemias têm sim o potencial de afetar a economia, mas as intervenções de saúde pública, como o isolamento social, podem até ajudar na recuperação do capital de um país. Isso é dito com base no caso da pior pandemia da história, a Gripe Espanhola de 1918, por meio do estudo de três pesquisadores, um deles do MIT e outro do Banco da Reserva Federal de Nova Iorque.

Quais foram os resultados?

Ao avaliar o efeito das medidas de saúde pública na epidemia de Gripe Espanhola nos EUA, pesquisadores descobriram que áreas mais expostas à epidemia sofriam um declínio acentuado e persistente na atividade econômica. As estimativas sugerem que aquela pandemia reduziu a produção industrial em 18%. A desaceleração econômica foi causada pelo desbalanço entre oferta e demanda de produtos e serviços. Uma série de dados epidemiológicos e econômicos do período permitiu estabelecer que as medidas de saúde pública, obviamente, diminuíram a mortalidade por Influenza (vírus causador da Gripe Espanhola) e, depois, foram analisadas pelos pesquisadores em função do tempo e da intensidade com que foram adotadas por diferentes cidades dos EUA. Os autores constataram que as cidades que interviram mais cedo e de forma mais agressiva não apresentaram pior desempenho econômico e, ao contrário, se recuperaram mais rapidamente após o término da pandemia. Os resultados mostraram que intervir 10 dias antes da chegada da pandemia em uma determinada cidade aumentava o emprego na indústria em cerca de 5% no período posterior à pandemia. Da mesma forma, implementar intervenções de saúde pública por mais de 50 dias aumentava o emprego na manufatura em 6,5% após a pandemia.


Potenciais agentes terapêuticos na COVID-19

Pesquisa: Potential therapeutic agents against COVID-19: what we know so far (Journal of the Chinese Medical Association, 29 de março de 2020, DOI: 10.1097/JCMA.0000000000000318)

Autoria: Chih-Chia Lu (Department of Pharmacy, Taipei Veterans General Hospital, Taipei, Taiwan, ROC), Mei-YuChen (Department of Pharmacy, Taipei Veterans General Hospital, Taipei, Taiwan, ROC) e Yuh-Lih Chang (Department of Pharmacy, Taipei Veterans General Hospital, Taipei, Taiwan, ROC; Faculty of Pharmacy, National Yang-Ming University, Taipei, Taiwan, ROC)

A pesquisa responde a qual pergunta?

Quais as evidências disponíveis relacionadas ao uso de agentes terapêuticos potenciais no tratamento da COVID-19?

Por que isso é importante?

O novo coronavírus (SARS-CoV-2) possui estrutura similar ao SARS-CoV-1, identificado em 2003. Considerando a situação atual de pandemia e a experiência prévia com o tratamento de um vírus similar, muitos esforços estão sendo feitos no sentido de encontrar estratégias terapêuticas eficazes, bem como uma vacina segura. Assim, revisar as evidências científicas já disponíveis sobre o tratamento desse tipo de infecção pode trazer benefícios à comunidade científica e à população.

Quais foram os resultados?

Várias drogas demonstraram alguma eficácia na COVID-19 (lopinavir, remdesivir, favipiravir, interferon, tocilizumabe e sarilumabe, por exemplo) por serem antivirais ou por reduzirem a inflamação associada à doença, mas a maioria das pesquisas consistiram em relatos de casos ou dados preliminares de estudos com amostras pequenas. Muitos estudos randomizados controlados estão sendo conduzidos no momento para confirmar tais resultados. Vale ressaltar que, ainda que os agentes estudados possam promover benefícios clínicos, todos eles possuem efeitos colaterais substanciais, e devem ser utilizados com cautela e, obviamente, sob critério médico.


SERVIÇOS E UTILIDADES

Atuação do enfermeiro na pandemia de COVID-19

Os profissionais de Enfermagem trabalham na linha de frente do tratamento dos pacientes com o novo coronavírus. São mais de 2,2 milhões em todo o Brasil, muitas vezes submetidos à rotina exaustiva e escassez de insumos. Para auxiliar os profissionais envolvidos no combate ao COVID-19, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) lançou um documento com recomendações de segurança para orientar equipes de enfermagem no acolhimento de pacientes. A cartilha foi publicada para atender também a uma demanda da própria categoria, já que, em geral, os profissionais da Enfermagem são os primeiros a entrar em contato com o risco de contaminação.

Mapa de livrarias com serviço de entrega durante a quarentena

Um dos setores mais afetados pelas medidas de isolamento social no Brasil foi o de entretenimento. Para auxiliar o mercado editorial no país e para proporcionar mais uma opção de lazer para as pessoas durante o período da quarentena, o site Livrarias Brasil – Entregas, usa o Google Mapas para localizar em todo o país as livrarias que estão oferecendo o serviço de entrega a domicílio, seja pelo seu e-commerce, e-mail ou instagram. Até o período de publicação desse boletim, havia mais de 200 livrarias cadastradas.

Rastreador de políticas públicas contra a pandemia

A Universidade de Oxford lançou uma ferramenta que rastreia e compara respostas às políticas governamentais relacionadas à crise mundial provocada pelo novo coronavírus. A meta é auxiliar pesquisadores, cidadãos e políticos a compreender como os governos têm respondido à crise e avaliar o papel do isolamento na redução da disseminação do vírus. O rastreador é gratuito e apresenta um score composto por 11 indicadores, incluindo restrição do acesso às escolas e aos locais de trabalho, controle de fronteiras, medidas fiscais, investimentos emergenciais em saúde e campanhas informativas destinadas ao público em geral.


FATOS E FAKES

A cloroquina possui efeito antiviral comprovado contra o novo coronavírus?

Com o atual conjunto de pesquisas e evidências científicas, a resposta é: possivelmente SIM. No dia 27 de março, o Ministério da Saúde lançou uma nota informativa para esclarecer a população e os profissionais de saúde a respeito do uso da cloroquina no tratamento das formas graves de infecção pelo novo coronavírus. Nas redes sociais, inúmeras fake news fizeram com que as pessoas esgotassem nas farmácias o estoque do tal medicamento, utilizado até então para tratar doenças sérias como malária, artrite reumatoide e lúpus. Estudos científicos recentes têm sugerido que a cloroquina pode inibir a replicação do vírus causador da COVID-19, e que, portanto, ela parece ter um potencial antiviral em relação ao coronavírus humano. Apesar desses dados preliminares, os efeitos adversos relacionados ao uso prolongado da cloroquina incluem retinopatia e distúrbios cardiovasculares, portanto, a automedicação com essa droga é fortemente contraindicada. Pelo fato de não existir até o momento um tratamento específico para a COVID-19, o Ministério da Saúde liberou o uso da cloroquina como terapia adjuvante no tratamento de formas graves da infecção, em pacientes hospitalizados, a critério médico. A nota ressalta, ainda, que essa medida poderá ser modificada a qualquer momento a depender das novas evidências científicas, e que os pacientes submetidos a este tratamento deverão também ser monitorados de perto em relação aos possíveis efeitos colaterais da droga.


Organização

Pró-Reitoria de Pesquisa e Desenvolvimento Institucional

Comitê Científico – Contingência COVID-19

Dr. Allan Novaes, Dr. Fabio Alffieri, Dra. Maristela Martins
Dra. Gildene Lopes, Dr. Rodrigo Follis, Dra. Lanny Soares e Dra. Naomi Vidal

Produção

Mestrado em Promoção da Saúde

Dr. Fabio Alfieri, Dr. Maurício Lamano, Dra. Natália Cristina Vargas e Silva

Edição 01

Nesta Edição:

ESTUDOS E PESQUISAS

SERVIÇOS E UTILIDADES

FATOS E FAKES

  • É verdade que chineses com coronavírus estão contaminando locais públicos intencionalmente?


ESTUDOS E PESQUISAS

Efeitos de restrição à mobilidade humana no combate à COVID-19

Pesquisa: The effect of human mobility and control measures on the COVID-19 epidemic in China (Science, 25 de Março de 2020: eabb4218, DOI: 10.1126/science.abb4218)

Autor: Moritz U. G. Kraemer (Departamento de Zoologia da Universidade Oxford, Inglaterra) e colaboradores

A pesquisa responde a qual pergunta?

Qual o real impacto que as medidas de restrição à mobilidade humana na China tiveram sobre a diminuição da velocidade e alcance da transmissão do COVID-19?

Por que isso é importante?

A estratégia do isolamento social está sendo fortemente questionada por alguns líderes políticos e gestores públicos no Brasil e em outros países. Contudo, pelo que a comunidade científica tem produzido de informações e pelas diretrizes lançadas por agências internacionais de saúde e educação, somente a partir de maio os epidemiologistas terão maior precisão da curva de contágio no Brasil, dada a necessidade de esperar pelo menos 14 dias após o contato com o vírus para a manifestação dos sintomas. Após 34 dias do início do isolamento, ou seja, dois ciclos de possível contágio, será possível ver os efeitos desta medida e somente a partir daí os gestores públicos terão instrumentos mais confiáveis para tomar decisões sobre o período de isolamento. O processo de disseminação e combate à COVID-19 estão adiantadas na China em relação ao resto do mundo, logo observar modelos matemáticos sobre mobilidade humana na China podem trazer luz a possíveis cenários no território brasileiro.

Quais foram os resultados?

Ao avaliar o efeito das medidas de mobilidade e controle humano na epidemia de COVID-19, na China, Kraemer e equipe mostraram por meio de modelos matemáticos que o tempo de duplicação da epidemia na China do seu início até meados de fevereiro, variou de 4 a 7,2 dias, conforme a abrangência da área de estudo, destacando a capacidade de transmissibilidade do vírus. Após medidas drásticas de controle em todo o país a partir do cordão sanitário feito em 23 de janeiro, as taxas de crescimento de novos casos se tornaram negativas, indicando o sucesso das medidas de isolamento e mobilidade humana. De acordo com os modelos matemáticos, os autores destacam que medidas relacionadas à mobilidade humana e à promoção de testes na população foram fundamentais para as respectivas melhorias na diminuição de casos infectados, conforme mostraram as previsões numéricas. Por fim, Kraemer e seus colaboradores discutem a contribuição das pessoas “viajantes” na fase de disseminação do COVID-19. Isso é particularmente importante ao se considerar que, caso as autoridades públicas brasileiras adotem um sistema de liberação parcial da população às suas rotinas diárias, um controle mais severo de imigrantes e emigrantes deverá ser feito em aeroportos internacionais e rodoviárias de todo o país.


Impacto global da COVID-19 e estratégias de mitigação e supressão

Pesquisa: The Global Impact of COVID-19 and Strategies for Mitigation and Suppression (Relatório número 12 do Imperial College COVID-19 Response Team)

Autores: Imperial College COVID-19 Response Team

A pesquisa responde a qual pergunta?

Qual a previsão estatística de mortos por coronavírus entre a população mundial nos três principais cenários possíveis de combate à doença (abstenção de medidas, medidas de mitigação ou medidas de supressão)?

Por que isso é importante?

Os relatórios do Imperial College London ficaram famosos por terem feito o Parlamento Inglês mudar de estratégia na luta contra a pandemia e estão servindo de subsídio científico para diversos países do mundo. O estudo considera três estratégias para lidar com a transmissão de COVID-19: isenção de intervenções, estratégias de mitigação com foco em proteção a grupos de risco (como idosos) e isolamento social moderado e flexível, e estratégias de supressão, que a maioria dos países está adotando atualmente, incluindo o Brasil, e que contemplam quarentena, declaração de emergência em saúde e estado de calamidade pública, fechamento de comércio, entre outras ações. Enquanto a Holanda opta pela estratégia da imunização coletiva e os Estados Unidos já planejam flexibilizar o isolamento social, a maioria das nações do globo ainda prefere manter a rigidez da quarentena e outras medidas de supressão. Por isso, entender como modelos matemáticos projetam os dados de mortalidade nos mais diversos cenários de combate à COVID-19 é fundamental para identificar os riscos de decisões políticas que não estão alinhadas com estudos técnicos.

Quais foram os resultados?

Com a abstinência de intervenção no globo, estima-se que a COVID-19 resultaria em 7 bilhões de infectados e 40 milhões de mortes no mundo somente em 2020, cenário que não é mais factível pelas medidas adotadas pela maioria dos países. Estratégias de mitigação poderão reduzir esse número pela metade, mas ainda assim os sistemas de saúde de todas as nações estariam rapidamente sobrecarregados, com resultados agravados – e não previstos no estudo do Imperial College – nos países de baixa renda. O cenário onde a maioria dos sistemas de saúde públicos no mundo não entra em colapso e cujo menor índice de mortalidade ocorre é o de supressão, no qual o número de vidas salvas ultrapassaria os 30 milhões.


SERVIÇOS E UTILIDADES

Observatório COVID-19

O Observatório COVID-19 BR é uma plataforma on-line alimentada por um coletivo de professores, pesquisadores e alunos de universidades brasileiras que disponibiliza, em tempo real, a situação da epidemia por aqui. Os dados do Ministério da Saúde são tratados com modelos matemáticos que fazem análises dos diversos cenários possíveis para a doença. A partir disso, é possível fazer projeções sobre o aumento ou diminuição do número de casos.

Corona Cidades

O Ministério da Saúde e outras organizações lançaram uma série de protocolos e documentos de referência para apoiar as cidades no enfrentamento da pandemia. Com base nessas diretrizes, o Instituto de Estudos para Políticas da Saúde e outros parceiros estruturaram uma ferramenta que permite ao gestor público diagnosticar seu nível de preparo para a COVID-19, chamado Corona Cidades. O site fornece dados de apoio para planejamento e implementação das ações nos municípios brasileiros, ordenando e resumindo em forma de checklist o que precisa estar no radar de quem toma decisões todos os dias em tempos de crise.

Disque Fake News

Para ajudar a esclarecer a população sobre as notícias falsas a respeito do COVID-19, o Ministério da Saúde disponibilizou um número de WhatsApp para atender à população.  Trata-se de um canal que recebe apenas informações que viralizaram nas redes sociais e na mídia. Elas são recebidas e apuradas pelas áreas técnicas e respondidas oficialmente se são verdade ou mentira. O envio de mensagens é gratuito – até mesmo arquivos e imagens podem ser enviados. Confirme a veracidade das informações antes de compartilhar.

O número deste canal é o (61) 99286-4640.


FATOS E FAKES

É verdade que chineses com coronavírus estão contaminando locais públicos intencionalmente?

Nos últimos dias tem circulado nas redes sociais um vídeo em que supostamente aparecem cenas de chineses espalhando o coronavírus em locais públicos da Austrália, Itália e outros países. Entre as cenas estão: uma mulher sendo presa na Austrália após cuspir em frutas de supermercado e uma pessoa cuspindo nos botões de um elevador na Itália. Será que esses vídeos são verdadeiros? A resposta é NÃO.

Embora as imagens sejam reais, elas não estão relacionadas a casos de coronavírus e representam episódios diferentes, ocorridos em outros contextos, editados em um mesmo vídeo para serem associados à crise COVID-19. Em nenhum dos casos mencionados no vídeo existe relação comprovada de que as pessoas envolvidas estavam contaminadas – na verdade, ao menos um deles ocorreu antes do início da pandemia. Esse é mais um caso de fake news que tenta disseminar ideais xenofóbicos durante o isolamento social global. Para mais esclarecimentos sobre o real contexto e período dos eventos mostrados no vídeo, vejam matérias jornalísticas da editoria de checagem de fake news da agência de notícias AFP e do jornal New York Post:


Organização

Pró-Reitoria de Pesquisa e Desenvolvimento Institucional

Comitê Científico – Contingência COVID-19

Dr. Allan Novaes, Dr. Fabio Alfieri, Dra. Maristela Martins, Dra. Gildene Lopes
Dr. Rodrigo Follis, Dra. Lanny Soares, Dra. Naomi Vidal

Produção

Mestrado em Promoção da Saúde

Dr. Fabio Alfieri, Dra. Natália Cristina Vargas e Silva,
Dr. Maurício Lamano, Dra. Elisabete Agrela