Edição 08

Nesta Edição:

ESTUDOS E PESQUISAS

SERVIÇOS E UTILIDADES

FATOS E FAKES

  • O saboroso alho pode ser utilizado para tratar e/ou combater a COVID-19?


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ESTUDOS E PESQUISAS

A COVID-19 e seus desdobramentos na saúde mental da população brasileira

Pesquisa: Pandemic fear and COVID-19: mental health burden and strategies (DOI: 10.1590/1516-4446-2020-0008)

Autores: Felipe Ornell (Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas, Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil; Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria e Ciências do Comportamento, Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal, Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil. IBGEN Business School, Grupo Uniftec, Porto Alegre, RS, Brasil) e equipe de colaboradores

A pesquisa responde a qual pergunta?

Existe uma pandemia de medo/estresse concomitante com a pandemia de COVID-19? Como podemos avaliar esse fenômeno?

Por que isso é importante?

Embora doenças infecciosas tenham surgido várias vezes na história, nos últimos anos a globalização e o modo de vida facilitaram a disseminação de agentes patológicos, resultando em intensos problemas de saúde coletiva, dentre os quais se destaca o atual problema da COVID-19. Esse contemporâneo atributo pandêmico tem um importante impacto político, econômico e psicossocial, levando a desafios urgentes de saúde pública. Atualmente vivemos a crise do novo coronavírus, o qual tem alta transmissibilidade e tem causado uma série de desordens no âmbito social e político, sendo isso causa de medo e ansiedade em parte da população. O medo é um mecanismo de defesa que visa à adaptação dos organismos, sendo fundamental para a sobrevivência, e que envolve processos de preparação para uma resposta a possíveis eventos ameaçadores. No entanto, quando é crônico ou desproporcional, torna-se prejudicial e pode ser um componente-chave no desenvolvimento de vários transtornos psiquiátricos. Em uma pandemia, o medo aumenta os níveis de ansiedade e estresse em indivíduos saudáveis e intensifica os sintomas daqueles com transtornos psiquiátricos pré-existentes. Logo, estudar parâmetros da saúde mental associados ao medo se faz necessário, pincipalmente em um momento no qual os casos diários de pessoas infectadas não param de crescer.

Quais foram os resultados?

O artigo da equipe do Dr. Ornell, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, traz como principal resultado algumas recomendações de saúde mental durante pandemias e catástrofes em grande escala, como essa que vivemos. Dentre as principais ações sugeridas para o governo, destacam-se: i) incentivar a participação de equipes multidisciplinares de saúde mental nos níveis nacional, estadual e municipal; ii) fornecer canais oficiais de informações atualizadas para o público; iii) fornecer treinamento em gerenciamento de estresse, trauma e depressão; iv) fornecer canais de serviço alternativos (aplicativos, sites, telefone); v) padronizar medicamentos psicotrópicos e disponibilizá-los; e vi) monitorar e refutar Fake News em todas as suas instâncias. Dentre as recomendações individuais, os autores destacaram: i) cuidar de si e dos outros, mantendo contato (remoto, quando aplicável) com amigos e família, além de encontrar tempo para atividades de lazer; ii) limitar a exposição a notícias relacionadas à pandemia, uma vez que certas informações podem desencadear distúrbios de ansiedade; iii) dar atenção redobrada às suas próprias necessidades, sentimentos e pensamentos; iv) desenvolver um sentimento de pertencimento ao processo de cuidado coletivo; e v) evitar confundir a solidão do confinamento preventivo com abandono, rejeição ou desamparo. Os autores finalizam o artigo destacando que, protocolos de assistência, como aqueles usados em situações de desastre, devem cobrir assuntos relevantes para a saúde mental individual e coletiva.


Paolo Miranda

Nova droga anticoagulante (heparina) pode contribuir no combate à infecção pelo novo coronavírus

Pesquisa: Heparin inhibits cellular invasion by SARS-CoV-2: structural dependence of the interaction of the surface protein (spike) S1 receptor binding domain with heparin. (DOI: 10.1101/2020.04.28.066761.)

Autores: Courtney J. Mycroft-West (Molecular & Structural Biosciences, School of Life Sciences, Keele University, Newcastle-Under-Lyme, Staffordshire, UK) e equipe de colaboradores

A pesquisa responde a qual pergunta?

A heparina pode servir como terapia no combate à infecção pelo novo coronavírus?

Por que isso é importante?

Mais de 4 milhões de pessoas em todo o mundo testaram positivo para o novo coronavírus desde o início do surto epidêmico, na China, e esse número tem crescido rapidamente. O sistema de saúde brasileiro, como o de muitos países, parece caminhar para o colapso, caso medidas severas de restrição de contágio e transmissão não sejam eficazes, ou caso não surjam novas drogas que combatam a COVID-19. Nesse sentido, surge a necessidade de um tratamento seguro e eficaz para a doença. As mídias têm mostrado que cientistas de todo o mundo se esforçam coletivamente para encontrar uma cura, porém, pouco se tem de factível até o presente momento. A heparina, um medicamento anticoagulante bem tolerado, tem sido usada com segurança em medicamentos há mais de 80 anos e, juntamente com suas atividades anticoagulantes, a substância tem capacidade de prevenir a infecção viral, inclusive por membros do grupo taxonômico Coronaviridae. Nesse sentido, pesquisadores do Reino Unido e da Itália desenvolveram um estudo para avaliar a eficácia da heparina no combate à COVID-19.

Quais foram os resultados?

O trabalho, liderado pela pesquisadora Courtney Mycroft-West, demonstrou que uma nova droga, a heparina, pode ser a luz no fim do túnel para o surto do novo coronavírus. No artigo publicado na revista bioRxiv, os pesquisadores mediram a produção do vírus em uma condição controlada com heparina e em outra sem heparina. Na condição com heparina, os autores observaram reduções no número de unidades formadoras de placas, ou seja, o estudo sob condições controladas se mostrou eficiente no combate à COVID-19. Observou-se nesse estudo que a heparina pode se ligar ao receptor de proteína Spike (S1) do vírus e induzir a uma mudança na estrutura dessa proteína, podendo ser eficiente no combate à doença. Agora, basta esperar que estudos complementares sejam realizados para se ter mais propriedade na proposição de uma nova e esperançosa droga contra o coronavírus.


SERVIÇOS E UTILIDADES

Missão COVID

A “Missão Covid” é uma plataforma que aproxima médicos e pacientes com COVID-19. Nela é possível encontrar informações e orientações sobre a doença, bem como formas de prevenção e tratamento. Pessoas com sintomas podem agendar consulta com profissionais médicos gratuitamente, através da telemedicina. A plataforma oferece um local específico para o cadastro de médicos voluntários, que prestam esse importante serviço à população.

Videoconferência gratuita

A Cisco systems, desenvolvedora do Webex, um dos softwares de videoconferência mais utilizados no mundo, está oferecendo gratuitamente seu programa para alguns países afetados pela pandemia de COVID-19, dentre eles o Brasil. Além de não haver limite de tempo de uso, a plataforma suporta até 100 participantes por vez e permite o compartilhamento de arquivos, tela e aplicativos. O download pode ser feito por pessoas físicas ou jurídicas, diretamente no site da empresa.

Assinatura de contratos online

Em tempos de isolamento social, a assinatura de documentos torna-se um desafio. Pensando nisso, o Assine Online, plataforma de assinatura digital de documentos mantida pela empresa Soluti, está oferecendo uma versão gratuita de assinatura de documentos e contratos pelo seu website. As assinaturas pela plataforma têm validade jurídica e é possível compartilhar os documentos de forma segura e legítima.


FATOS E FAKES

O saboroso alho pode ser utilizado para tratar e/ou combater a COVID-19?

Comer muito alho cria uma proteção imunológica contra o novo coronavírus?

Muitas vezes, adotamos receitas caseiras como alternativa eficiente no combate a doenças simples, como resfriado ou crise de tosse. Esse tipo de conhecimento tem sido passado entre gerações e o uso de chás ou outros remédios caseiros são, muitas vezes, as primeiras alternativas contra o mal-estar. No entanto, algumas mensagens compartilhadas na internet têm sugerido a ingestão de alho como forma de combater e se prevenir contra a infecção causada pelo novo coronavírus. No entanto, o alho NÃO serve como terapia de combate à COVID-19. Embora este alimento seja saudável e de fato apresente princípios ativos com propriedades antivirais, a OMS confirmou que não há evidências suficientes de que a ingestão de alho vá proteger o indivíduo contra a infecção pelo vírus, caso a pessoa entre em contato com ele. Isso foi relatado no site da BBC, junto a outros mitos sobre a nossa alimentação.


Organização

Pró-Reitoria de Pesquisa e Desenvolvimento Institucional

Comitê Científico – Contingência COVID-19

Dr. Allan Novaes, Dr. Fabio Alfieri, Dra. Maristela Martins,
Dra. Gildene Lopes, Dr. Rodrigo Follis, Dra. Lanny Soares e Dra. Naomi Vidal Ferreira

Produção

Mestrado em Promoção da Saúde

Dr. Maurício Lamano, Dra. Natália Cristina Vargas e Silva