Edição 07

Nesta Edição:

ESTUDOS E PESQUISAS

SERVIÇOS E UTILIDADES

FATOS E FAKES

  • Água fervida com alho pode ser utilizada para tratar a Covid-19?


Eucyln_Getty Images

ESTUDOS E PESQUISAS

Relatos recentes de terapias antivirais para o novo Coronavírus

Pesquisa: SARS-CoV-2: Recent reports on antiviral therapies based on Lopinavir/Ritonavir, Darunavir/Umifenovir, Hydroxychloroquine, Remdesivir, Favipiravir and other drugs for the treatment of the new coronavirus (DOI: 10.2174/0929867327666200416131117)

Autores: Michele Costanzo (Departamento de Medicina Molecular e Biotecnologia da Universidade de Nápoles – Itália, e CEINGE Biotecnologia, Nápoles – Itália) e equipe de colaboradores

A pesquisa responde a qual pergunta?

Quais as atualizações mais recentes sobre a eficácia de drogas experimentais no tratamento da COVID-19?

Por que isso é importante?

Nas últimas semanas, publicações científicas e jornais de grande circulação têm reportado a eficácia de diferentes drogas no tratamento do novo coronavírus. Um dos tratamentos mais estudados tem sido a combinação de drogas antivirais, os chamados “coquetéis”. Entretanto, essas drogas, bem como o tipo de administração, foram originalmente desenvolvidos para o tratamento de outras doenças, causadas por agentes infecciosos diferentes. Alguns resultados são otimistas, outros não têm tido o mesmo sucesso. Assim, uma revisão das últimas pesquisas sobre essa temática poderá contribuir para se avaliar, de forma mais detalhada, as evidências disponíveis, até o momento, sobre esse tipo de tratamento.

Quais foram os resultados?

Estudos in vitro revelaram que o Remdesivir, uma substância que age sobre um amplo espectro de RNAs virais e que já foi usada no tratamento do Ebola, bem como o antimalárico e antirreumático Hidroxicloroquina, parecem ter efeito significativo no controle da infecção por SARS-CoV-2. Um estudo de caso envolvendo o Remdesivir verificou grande melhora do quadro pulmonar do paciente em apenas 24 horas, sem efeitos colaterais. Isso levou ao início de dois novos estudos clínicos envolvendo essa droga, na China, que ainda estão em andamento. O Favipiravir, outra droga utilizada com sucesso no tratamento do Ebola, tem mostrado resultados promissores contra a COVID-19. Estudos preliminares desenvolvidos por pesquisadores chineses observaram que a ação antiviral do Favipiravir foi mais potente que a do Lopinavir/Ritonavir, sem efeitos colaterais importantes. O Tocilizumabe vem sendo estudado na Itália, e há evidências de que essa droga é capaz de melhorar a resposta imune à COVID-19. O aumento do número de pacientes recuperados é um ponto importante a favor das terapias experimentais. A pneumonia causada pelo novo coronavírus pode, aparentemente, ser tratada com as drogas antivirais já existentes, sem efeitos colaterais importantes. Apesar das evidências disponíveis até o momento, a literatura ainda é escassa em estudos clínicos controlados, um tipo de estudo que é essencial para que conclusões assertivas possam ser tiradas. Ainda assim, o tratamento precoce é de suma importância para prevenir o aparecimento de sintomas mais graves da infecção por COVID-19.



Paolo Miranda

Saúde mental de profissionais da saúde envolvidos no tratamento da Covid-19

Pesquisa: Factors associated with mental health outcomes among health care workers exposed to coronavirus disease 2019 (DOI: 10.1001/jamanetworkopen.2020.3976)

Autores: Jianbo Lai (Universidade de Zhejiang – China, Hospital Renmin da Universidade de Wuhan – China, Hospital Youfu de Wuhan – China, Hospital Jingmen – China, Hospital Wuhan Wudong – China) e equipe de colaboradores

A pesquisa responde a qual pergunta?

Qual o impacto sobre a saúde mental dos profissionais da saúde que atuam na linha de frente do tratamento às pessoas infectadas pelo novo coronavírus na China?

Por que isso é importante?

Devido ao grande estresse causado pela velocidade de crescimento da pandemia da COVID-19, à carga de trabalho preocupante, à escassez de equipamentos de proteção, ao assédio da mídia, à ausência de um tratamento específico e à falta de suporte adequado, os profissionais de saúde envolvidos no diagnóstico e tratamento dos pacientes infectados apresentam risco aumentado de desenvolver sofrimento psicológico, bem como outros sintomas relacionados à saúde mental.

Quais foram os resultados?

O estudo envolveu 1257 profissionais de saúde e verificou alta prevalência de sintomas de prejuízo da saúde mental. Foi observado que 70% dos profissionais apresentavam sofrimento psicológico e mais da metade dos entrevistados apresentavam sintomas de depressão, ansiedade, insônia e angústia. A maioria dos participantes da pesquisa eram mulheres jovens (de 26 a 40 anos), e aquelas que apresentaram sintomas de maior gravidade eram enfermeiras que atuavam na linha de frente do tratamento da COVID-19, na cidade de Wuhan. As fontes de sofrimento incluíam sentimentos de vulnerabilidade; perda de controle; preocupação com a própria saúde, com a disseminação do vírus e com a saúde dos seus familiares; mudanças na carga de trabalho; e necessidade de ficar em isolamento. Esses achados reforçam a necessidade de proteger os profissionais de saúde, o que se configura como uma importante ação de saúde pública relacionada à pandemia de COVID-19. Intervenções de promoção do bem-estar psicológico devem ser implementadas, em especial entre os trabalhadores da linha de frente.


SERVIÇOS E UTILIDADES

Auxílio emergencial

O Auxílio Emergencial é um benefício destinado aos trabalhadores informais, aos microempreendedores individuais, aos profissionais autônomos e a pessoas desempregadas. O benefício, no valor de R$600, será pago durante 3 meses, para até 2 pessoas da mesma família. As pessoas cadastradas no Bolsa Família também podem atender aos requisitos para o Auxílio Emergencial, mas, durante o recebimento do Auxílio, o valor do Bolsa Família será suspenso. O pagamento, para os trabalhadores com cadastro aprovado, se dará através de depósito em conta poupança. Para se cadastrar, basta acessar o site “auxilio.caixa.gov.br” ou baixar o aplicativo “Caixa Auxílio Emergencial”.

Serviços que estão proibidos de operar durante a pandemia

Escolas e universidades de todo o Brasil seguem fechadas como estratégia de prevenção à transmissão do novo coronavírus, mas os governos de alguns estados começaram a flexibilizar as medidas restritivas no país. Em Santa Catarina, por exemplo, agências bancárias, academias, shoppings, restaurantes e serviços de autônomos e profissionais liberais já foram autorizados. O site da Agência Brasil (mantido pela EBC – Empresa Brasil de Comunicações) fornece informações atualizadas sobre a situação da pandemia, sobre o comércio e sobre serviços nos estados brasileiros.

Disque Coronavírus

A Universidade Federal de Juiz de Fora, em parceira com a prefeitura da cidade, lançou recentemente um serviço de atendimento telefônico e online para esclarecer dúvidas sobre a COVID-19. O serviço também oferece orientações sobre como proceder em caso de suspeita da doença, com encaminhamento ao profissional de saúde, conforme a necessidade, após um autodiagnóstico orientado. As orientações pelo site, ou ligações, são gratuitas e também esclarecem questões relacionadas às comorbidades, até mesmo para aqueles que não foram infectados.


FATOS E FAKES

Água fervida com alho pode ser utilizada para tratar a Covid-19?

Circula pelas redes sociais uma receita, atribuída a um médico chinês, que sugere a ingestão de 7 xícaras de água fervida com 8 dentes de alho, para supostamente prevenir e até curar a infecção pelo novo coronavírus. Seria verdade? Infelizmente, a resposta é: não; trata-se de mais uma fake news. Até o momento, não há nenhum medicamento, substância, vitamina, alimento ou vacina que possa prevenir a infecção pela COVID-19. As únicas recomendações preventivas seguem sendo: evitar contato próximo com pessoas que sofrem de infecções respiratórias, lavar as mãos com frequência, higienizar o nariz com lenços descartáveis, cobrir o nariz e a boca quando espirrar ou tossir, evitar tocar os olhos, o nariz e a boca, higienizar as mãos após tossir ou espirrar, não compartilhar objetos de uso pessoal, manter os ambientes bem ventilados, e evitar contato próximo com animais selvagens ou doentes em fazendas ou criações.


Organização

Pró-Reitoria de Pesquisa e Desenvolvimento Institucional

Comitê Científico – Contingência COVID-19

Dr. Allan Novaes, Dr. Fabio Alfieri, Dra. Maristela Martins, Dra. Gildene Lopes,
Dr. Rodrigo Follis, Dra. Lanny Soares e Dra. Naomi Vidal Ferreira

Produção

Mestrado em Promoção da Saúde

Dr. Maurício Lamano, Dra. Natália Cristina Vargas e Silva