Edição 05

Nesta Edição:

ESTUDOS E PESQUISAS

SERVIÇOS E UTILIDADES

FATOS E FAKES

  • A ingestão de bebidas quentes pode matar o novo coronavírus?


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ESTUDOS E PESQUISAS

Terapia a partir de plasma convalescente como método alternativo de combate ao COVID-19

PesquisPesquisa:The feasibility of convalescent plasma therapy in severe COVID-19 patients: a pilot study (DOI: 10.1101/2020.03.16.20036145)

Autores: Kai Duan (China National Biotec Group Company Limited) e equipe de pesquisadores

A pesquisa responde a qual pergunta?

A terapia a partir de plasma convalescente é eficaz no combate ao COVID-19?

Por que isso é importante?

Até meados de março, havia um total de 80.980 casos confirmados de COVID-19 na China, com mais de 3 mil mortes reportadas no país asiático. Desde o início de 2020, a doença tem se espalhado de forma assustadora por diversos países, abalando o setor econômico e assustando pessoas ao redor do mundo. Assim, o novo coronavírus tem sido uma forte ameaça à sociedade, bem como à saúde pública e à economia de diversos países. Seu tratamento ainda não é conhecido pela comunidade científica e vários métodos têm sido propostos e testados no combate à doença. Atualmente, não há agentes antivirais específicos e com eficácia comprovada contra o novo coronavírus; porém, alguns autores têm proposto a terapia com plasma convalescente, ou seja, plasma que já possui anticorpos específicos contra o vírus.  Esse tipo de terapia já foi aplicado na prevenção e tratamento de muitas doenças infecciosas durante o século passado. Nas últimas duas décadas, a terapia com plasma tem sido utilizada com relativo sucesso em diversas situações, destacando-se o tratamento do surto de H1N1 no ano de 2009.

Quais foram os resultados?

Um estudo liderado pelo Dr. Duan e seus colaboradores submeteu dez pacientes com COVID-19 à infusão de plasma convalescente de doadores recém recuperados da doença, ou seja, pacientes que testaram positivo para o novo coronavírus e produziram anticorpos como mecanismo de resposta ao patógeno. Os pacientes que receberam o plasma adquiriram, de forma manipulada, agentes de defesa do corpo humano que “neutralizam” o vírus e impedem a sua proliferação, e consequentemente a manifestação de sintomas. Como resultado disso, os pesquisadores perceberam que, após três dias da transfusão de plasma, já houve melhora substancial de alguns sintomas da COVID-19. De acordo com os cientistas, o nível de anticorpos neutralizantes aumentou rapidamente. Exames radiológicos mostraram graus variados de absorção das lesões pulmonares em sete dias, apontando para a eficácia da terapia. Porém, os autores da pesquisa destacam que ainda são necessários mais estudos para se estabelecer, de forma segura, a dose e o benefício clínico da terapia com plasma convalescente, de forma que esse tipo de tratamento possa ser reconhecido como uma medida eficaz no combate à COVID-19.


Estudos demográficos como ferramenta para a tomada de decisão e elaboração de ações públicas na pandemia

Pesquisa: Demographic science aids in understanding the spread and fatality rates of COVID-19

Autores: Imperial College CAutores: Jennifer Beam Dowd (Leverhulme Centre for Demographic Science, Nuffield College, University of Oxford, UK) e equipe de pesquisadores

A pesquisa responde a qual pergunta?

A estrutura etária da população é um atributo que pode auxiliar a tomada de decisão de gestores públicos em relação à COVID-19?

Por que isso é importante?

A velocidade com que os fatos relacionados ao novo coronavírus se disseminam é assustadora. As estatísticas sobre a COVID-19 impressionam, e os casos de morte duplicam em poucos dias em diversos países do mundo, gerando uma instabilidade nas tomadas de decisão por parte dos gestores públicos. No entanto, o maior problema se refere à diversidade das informações e à instabilidade das previsões com que cada país está se deparando. Segundo artigo publicado na Proceedings of the National Academy of Science of the United States of America, por pesquisadores da Universidade de Oxford, governos ao redor do mundo devem se mobilizar rapidamente e tomar decisões políticas difíceis para mitigar os efeitos da pandemia e os problemas associados ao novo coronavírus. A pesquisadora Jennifer Dowd e seus colaboradores comentam que a estrutura etária da população pode explicar a notável variação nas fatalidades entre os diferentes países, bem como a vulnerabilidade observada na Itália, um dos locais mais atingidos pela COVID-19. Informações dessa natureza são importantes para aprimorar modelos matemáticos e assessorar as decisões tomadas por gestores e políticos nos diversos países.

Quais foram os resultados?

Os autores mostraram que o baixo número de mortos em alguns países como Coréia do Sul e Alemanha se explica pela estrutura etária da população e pela detecção precoce da situação. No que diz respeito à disseminação do novo coronavírus, cadeias de transmissão que começam em populações mais jovens podem passar despercebidas por bastante tempo, o que pode estar associado a um certo atraso na tomada de decisões mais rígidas, como, por exemplo, o distanciamento social. Esse parece ser o caso da Inglaterra, apontado pelos pesquisadores desse estudo. Para os cientistas, uma vez estabelecida a transmissão comunitária, os países com alto contato intergeracional podem ter transmissões mais rápidas para os grupos de risco. Um resultado interessante do artigo foi a comparação entre Brasil e Nigéria. Ambos possuem tamanhos populacionais semelhantes, porém apresentam diferentes distribuições nas faixas etárias. O país sul-americano tem 2,0% de sua população acima de 80 anos, ao passo que o país africano tem apenas 0,2%. Em decorrência disso, o estudo de Oxford apontou que o Brasil poderá ter bem mais mortes (452.694) do que a Nigéria (142.056). Os autores do artigo finalizam o trabalho apontando que poucos países estão divulgando rotineiramente dados da COVID-19 com informações demográficas importantes, como idade, sexo ou comorbidades. Nesse sentido, os cientistas pedem a liberação oportuna desses dados, para permitir que pesquisadores e governos possam fazer previsões seguras e agir da forma mais sensata possível diante desse cenário alarmante.


SERVIÇOS E UTILIDADES

Atualização sobre a COVID-19 para profissionais da saúde

A Faculdade de Medicina da USP coordenou a elaboração do curso “COVID-19: Atualização e evidências para profissionais da saúde”, voltado aos profissionais e estudantes da área da saúde. São 6 módulos que abordam desde definições até gestão em saúde e educação, passando por manejo clínico, saúde mental e pesquisas, tudo com acesso gratuito. O material poderá ser reproduzido e utilizado pelos interessados.

Medidas preventivas contra o novo coronavírus

A Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde (UNA-SUS) disponibiliza, em seu portal, as principais medidas preventivas para a COVID-19. Destinada à população em geral, a página traz informações, em forma de textos, áudios e vídeos, acerca da prevenção do contágio e da contenção da proliferação do vírus, que pode causar infecção respiratória grave.

Situação da pandemia no mundo

A Organização Mundial da Saúde tem disponibilizado boletins sobre a situação da pandemia nos diversos países. Além do número de casos confirmados e de mortes no mundo e em cada continente, os informativos diários também relatam se o vírus atingiu novos territórios e quais foram os valores dos auxílios financeiros fornecidos pela entidade aos países em situação mais crítica. A curva de contágio dividida por regiões do globo é outro ponto de destaque desse serviço.


FATOS E FAKES

A ingestão de bebidas quentes pode matar o novo coronavírus?

A resposta é: não. Uma publicação que se disseminou pelo mundo dizia que médicos da linha de frente do combate à doença sugeriam a ingestão de bebidas bem quentes, como chás, água ou sopas para matar o novo coronavírus. A recomendação foi baseada na crença de que o vírus perderia sua capacidade de infecção quando exposto a 56oC ou mais por 20 a 30 minutos. Essa informação na verdade não é falsa, ela deriva da forma como os materiais médicos são esterilizados. Entretanto, é impossível elevar a temperatura corporal a esse patamar, mesmo que por poucos minutos. As pessoas que ingerem mais líquidos quentes terão apenas que ir ao banheiro com frequência, e com isso lavar mais suas mãos, o que acaba sendo benéfico. Apesar de não ter qualquer comprovação científica em relação à contenção da pandemia, tomar bebidas quentes nos dias frios pode ser uma boa opção para manter-se hidratado.


Organização

Pró-Reitoria de Pesquisa e Desenvolvimento Institucional

Comitê Científico – Contingência COVID-19

Dr. Allan Novaes, Dr. Fabio Alfieri, Dra. Maristela Martins, Dra. Gildene Lopes,
Dr. Rodrigo Follis, Dra. Lanny Soares e Dra. Naomi Vidal Ferreira

Produção

Mestrado em Promoção da Saúde

Dr. Maurício Lamano, Dra. Natália Cristina Vargas e Silva