Edição 04

Nesta Edição:

ESTUDOS E PESQUISAS

SERVIÇOS E UTILIDADES

FATOS E FAKES


Foto: Getty images

ESTUDOS E PESQUISAS

Características da infecção por coronavírus em crianças

Pesquisa: Clinical and epidemiological features of 36 children with coronavirus disease 2019 (COVID-19) in Zhejiang, China: an observational cohort study (DOI: 10.1016/S1473-3099(20)30198-5)

Autores: Haiyan Qiu (Hospital Ningbo, Zhejiang, China), Junhua Wu (Hospital Ningbo, Zhejiang, China), Liang Hong (Hospital da Universidade Wenzhou, Zhejiang, China), Yunling Luo (Hospital da Universidade Wenzhou, Zhejiang, China), Qifa Song (Centro de Prevenção e Controle de Doenças Ningbo, Zhejiang, China), Dong Chen (Hospital Central de Wenzhou e Hospital Sixth People’s de Wenzhou, Zhejiang, China)

A pesquisa responde a qual pergunta?

Quais as características clínicas e epidemiológicas dos pacientes pediátricos com COVID-19?

Por que isso é importante?

De janeiro a março de 2020, 36 crianças foram diagnosticadas com o novo coronavírus em três hospitais de Zhejiang, China. A rota de transmissão envolveu contato com familiares ou com áreas epidêmicas. No início da epidemia, as escolas estavam fechadas, o que pode ter impedido uma maior exposição das crianças ao vírus. Ainda assim, a comunidade escolar é um local que pode contribuir para a rápida disseminação da infecção, visto que muitas crianças são infectadas, mas permanecem assintomáticas. Considerando que isso pode fazer das crianças grandes vetores da transmissão do vírus na comunidade, informações sobre as características da infecção nesse grupo etário são de suma importância para a prevenção e o tratamento da doença.

Quais foram os resultados?

Mais da metade das crianças afetadas pela COVID-19 apresentaram sintomas clínicos moderados de pneumonia. As principais razões que levaram essas crianças à admissão nos hospitais foram febre, tosse seca e pneumonia, e elas ficaram internadas, em média, por 14 dias. Apenas um terço dos pacientes pediátricos diagnosticados com o novo coronavírus estavam assintomáticos. A SARS-CoV-2 parece acometer pouco o trato respiratório superior nas crianças, ao contrário do observado em adultos e em outras infecções similares. Apesar de raramente apresentarem comorbidades (como hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e diabetes), e de a prevalência de infecção pulmonar ser baixa nesse grupo etário, a principal causa de óbito entre os menores de 5 anos foi a pneumonia. Por se tratar de um vírus altamente transmissível, deve-se observar constantemente a presença de quaisquer sintomas nas crianças. Por outro lado, devem-se manter medidas rígidas de distanciamento social e higiene, visto que boa parte das crianças não apresenta sintomas quando infectada, mas pode transmitir o vírus àqueles com quem convive.


Políticas públicas de vacinação e a ocorrência de casos de COVID-19

Pesquisa: Correlation between universal BCG vaccination policy and reduced morbidity and mortality for COVID-19: an epidemiological study (DOI: 10.1101/2020.03.24.20042937)

Autores: Aaron Miller, Mac Josh Reandelar, Kimberly Fasciglione, Violeta Roumenova, Yan Li, and Gonzalo H. Otazu (Department of Biomedical Sciences, NYIT College of Osteopathic Medicine, New York Institute of Technology, Old Westbury, New York, USA)

A pesquisa responde a qual pergunta?

As políticas de vacinação de BCG estão associadas à redução de casos de COVID-19 nos diferentes países com o surto epidêmico?

Por que isso é importante?

Diante da crise pandêmica imposta pelo novo coronavírus, torna-se necessário entender mecanismos que podem estar atrelados à maior ou menor capacidade de resistir (imunologicamente) ao vírus. Nesse sentido, foi demonstrado que várias vacinas, incluindo a vacinação Bacillus Calmette-Guérin (BCG), produzem efeitos imunológicos secundários altamente positivos nos seres humanos, levando a uma boa resposta contra outros patógenos, além do vírus específico para o qual a vacina foi produzida. Um exemplo disso foi demonstrado por meio de camundongos imunizados com BCG, pois os cientistas observaram que, com o passar do tempo, esses animais ficaram protegidos contra outros patógenos. A explicação envolve aspectos metabólicos e epigenéticos específicos, os quais promovem uma melhora significativa na imunidade antiviral. Nesta mesma linha de pesquisa, resultados positivos têm sido encontrados a partir de testes realizados com seres humanos. Um estudo na Guiné-Bissau constatou que, crianças vacinadas com a BCG, apresentaram uma redução de 50% na mortalidade geral, o que foi atribuído ao efeito da vacina na redução de infecções respiratórias.

Quais foram os resultados?

Neste estudo liderado por Aaron Miler, do departamento de ciências biomédicas do Instituto de Tecnologia de Nova Iorque, os pesquisadores demonstraram que o impacto da COVID-19 pode ser parcialmente explicado pelas diferentes políticas nacionais relativas à vacinação infantil BCG. Após avaliar as políticas de vacinação BCG em diferentes países com sérias decorrências do surto epidêmico causado pelo novo coronavírus, os cientistas relataram que a vacinação BCG oferece ampla proteção contra as infecções respiratórias. Aaron Miler e sua equipe compararam um grande número de políticas de vacinação BCG de países com a morbimortalidade do COVID-19 e descobriram que, países sem políticas universais de vacinação BCG (Itália, Holanda, EUA), foram mais severamente afetados pela COVID-19 do que países com políticas universais e antigas de BCG. Os pesquisadores ainda mostraram que os países que iniciaram tardiamente a política universal do BCG (por exemplo o Irã, em 1984) apresentaram alta mortalidade, consistente com a ideia de que a BCG protege a população idosa vacinada. Também foi observado que a vacinação com BCG reduziu o número de casos relatados de COVID-19. Assim, o estudo concluiu que a combinação de morbidade e mortalidade reduzida faz da vacinação BCG uma nova ferramenta potencial na luta contra o COVID-19.


SERVIÇOS E UTILIDADES

UNICEF na proteção de crianças e adolescentes

Embora não sejam os mais afetados diretamente pelo coronavírus, crianças e adolescentes, como em todas as emergências e crises humanitárias, são os que mais sofrem de maneira indireta. O fechamento das escolas e isolamento afetam sua saúde e educação. A fim de prevenir a falta de informação confiável, e, como consequência, a vulnerabilidade à doença bem como a seus efeitos emocionais negativos, como insegurança e medo, o UNICEF está trabalhando com especialistas em saúde global para fornecer informações precisas, confiáveis e baseadas em evidências científicas. Para tanto,  disponibiliza em seu site conteúdo acessível, crítico e criativo para orientar famílias, educadores, crianças, adolescentes e jovens, promovendo a saúde global daqueles que podem estar entre os mais afetados pela doença.

Flexibilização dos currículos escolares na quarentena

O Ministério da Educação flexibilizou os 200 dias letivos e as 800 horas anuais da Educação Básica, bem como os estágios obrigatórios do Ensino Superior (Medida Provisória 934).  A suspensão de aulas foi uma medida conjunta entre as pastas da saúde e educação. Estados e municípios disponibilizam cartilhas e orientações diversificadas para que os alunos continuem os estudos de casa, de forma engajada. Em São Paulo, para começar a receber o conteúdo de cada componente curricular, bem como o auxílio alimentação a partir do Bolsa Família, é preciso atualizar o endereço residencial do estudante no portal da secretaria de educação.

Ações da área de transporte da prefeitura de são paulo no combate ao COVID-19

O setor de mobilidade urbana também participa efetivamente das medidas de combate ao COVID-19. Desde o dia 13 de março, a SPTrans reforça as mensagens sonoras de prevenção ao novo coronavírus nos 31 terminais da cidade. A companhia de transporte anunciou recentemente que, os idosos que quiserem solicitar o Bilhete Único, poderão fazer isso de casa, enviando apenas um e-mail para [email protected]. Caso alguém tenha dúvida sobre o serviço, basta ligar para SP156. O cartão especial de estacionamento para idosos e pessoas com deficiência (DeFis), emitido pelo DSV, também pode ser obtido sem sair de casa, pelo portal 156.


FATOS E FAKES

O coronavírus pode ser transmitido por alimentos preparados por outras pessoas?

A resposta é: provavelmente. Cientistas já identificaram coronavírus em fezes de pacientes; assim, não é possível descartar a possibilidade de transmissão por manipuladores de alimentos infectados. Entretanto, para que isso corra, o alimento deverá ter sido exposto à secreção respiratória da pessoa contaminada. Os manipuladores de alimentos devem redobrar a atenção com a higienização pessoal, fazendo uso de luvas, máscaras e vestimentas adequadas. O risco de transmissão é pequeno quando se trata de alimentos submetidos a algum tratamento térmico (assados, cozidos, gralhados ou fritos), mas em relação àqueles consumidos in natura, como frutas e verduras, os cuidados com a higienização de quem os irá consumir devem ser ainda maiores. Recomenda-se lavá-los em água corrente para remover pequenas impurezas, deixar de molho em solução clorada por 15 minutos, enxaguar e somente então proceder ao consumo. As embalagens utilizadas nos serviços de delivery devem ser higienizadas (caso venham a ser reutilizadas) ou então descartadas para evitar o contágio. Sugere-se, ainda, que o alimento advindo do serviço de delivery seja transferido para outro prato antes de ser consumido, para prevenir o contato com uma embalagem possivelmente contaminada. Manter a distância segura entre o usuário do serviço e o entregador também é recomendado.


Organização

Pró-Reitoria de Pesquisa e Desenvolvimento Institucional

Comitê Científico – Contingência COVID-19

Dr. Allan Novaes, Dr. Fabio Alffieri, Dra. Maristela Martins, Dra. Gildene Lopes,
Dr. Rodrigo Follis, Dra. Lanny Soares e Dra. Naomi Vidal Ferreira

Produção

Mestrado em Promoção da Saúde

Dr. Maurício Lamano, Dra. Natália Cristina Vargas e Silva