Edição 11

Nesta Edição:

ESTUDOS E PESQUISAS

SERVIÇOS E UTILIDADES

FATOS E FAKES

  • Alimentos alcalinos curam a COVID-19?


ESTUDOS E PESQUISAS

Manifestações gastrointestinais e hepáticas da COVID-19

Pesquisa: Gastrointestinal and hepatic manifestations of COVID-19: A comprehensive review (doi: 10.3748/wjg.v26.i19.2323)

Autores: Ming Han Cha (Departamento de Medicina Interna e Departamento de Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrição da Clínica Cleveland, Estados Unidos) e equipe de colaboradores

A pesquisa responde a qual pergunta?

Quais são as manifestações gastrointestinais e hepáticas relacionadas à infecção por COVID-19?

Por que isso é importante?

A apresentação clínica da COVID-19 é predominantemente respiratória, incluindo tosse e dispneia como sintomas principais. Outros sintomas frequentes são a febre e a fadiga excessiva. Informações sobre outras manifestações da doença ainda são escassas. Porém, apesar de ser frequentemente ignorado, o envolvimento dos sistemas gastrointestinal e hepático tem sido cada vez mais relatado. O primeiro paciente infectado por COVID-19 nos Estados Unidos apresentou náusea e vômito, além de sintomas respiratórios e sistêmicos, e mais tarde desenvolveu desconforto abdominal e diarreia. Sendo assim, discutir os sintomas gastrointestinais e hepáticos provocados pela doença poderá fornecer novas ferramentas para o diagnóstico e tratamento das pessoas infectadas.

Quais foram os resultados?

Os autores da pesquisa fizeram uma extensa revisão da literatura médica acerca da temática em questão. Eles observaram que 26% dos pacientes com COVID-19, aproximadamente, apresentam sintomas gastrointestinais. As manifestações mais comuns são diarreia, náusea ou vômitos e dor abdominal. Essa apresentação clínica pode ser decorrente da presença da replicação viral ativa no trato intestinal dos pacientes infectados, que já foi demonstrada por microscopia eletrônica e cultura viral. Apesar disso, poucos estudos de caso relataram pacientes com manifestações gastrointestinais precedendo os sintomas respiratórios, e poucos pacientes apresentaram apenas sintomas digestivos sem sintomas respiratórios. Já em relação às manifestações hepáticas, a elevação de algumas enzimas tem sido reportada desde os primeiros estudos observacionais, e essas manifestações são mais prevalentes nos casos graves da doença. A principal causa de óbito decorrente da COVID-19, no entanto, é a falência respiratória, tendo sido relatado apenas um caso de falência hepática. Como ainda não há nenhum tratamento hepatoprotetor eficaz, é importante que os médicos não se distraiam com a elevação moderada das enzimas hepáticas e deixem de focar no tratamento dos sintomas principais da doença.


Foto: Markus Spiske

Intervenções não farmacológicas na COVID-19

Pesquisa: Effects of non-pharmaceutical interventions on COVID-19 cases, deaths, and demand for hospital services in the UK: a modelling study (10.1016/S2468-2667(20)30133-X)

Autores: Nicholas G Davies (Centre for the Mathematical Modelling of Infectious Diseases COVID-19 working group) e equipe de colaboradores

A pesquisa responde a qual pergunta?

Qual é o tempo, duração e intensidade que as medidas de restrição da transmissibilidade de COVID-19 devem durar?

Por que isso é importante?

A transmissibilidade do novo coronavírus foi um fato surpreendente do ano de 2020. Depois de se tornar um caso de saúde pública na China, rapidamente o vírus se espalhou pelo mundo, afetando a saúde de centenas de milhares de pessoas, e levando vários países a ter grande quantidade de mortos por COVID-19. A Inglaterra teve os seus primeiros casos registrados no final de Janeiro deste ano, e poucas semanas depois do primeiro caso o cenário se tornou preocupante para as autoridades públicas. Diversos estudos exploraram a eficácia das medidas de controle sobre a dinâmica da COVID-19; no entanto, os números continuaram a crescer, assustando a população. Com isso, o grupo de pesquisa liderado pelo professor Davies, do Centro de modelagem matemática para doenças infecciosas da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, na Inglaterra, decidiram avaliar a eficácia e o tempo que diversas medidas de isolamento social deveriam durar para combater a transmissão do novo coronavírus no Reino Unido.

Quais foram os resultados?

Por meio de modelagem matemática, as projeções do estudo do Professor Davies e de seus colaboradores mostraram um cenário bastante preocupante para a saúde pública do Reino Unido, com um valor aproximado de 23 milhões de casos clínicos e 350 mil mortes por COVID-19 até dezembro de 2021. Nesse contexto, 85% da população britânica será contaminada pela SARS-Cov-2, sendo que 42% será sintomático para algumas manifestações clínicas. Esses números se tornam ainda mais preocupantes ao considerarmos o número de leitos em hospitais públicos, que pode ser entre 13 e 80 vezes menor do que o necessário para atender os pacientes infectados. Os autores ainda mostraram que as medidas de isolamento social, fechamento de escolas e ações de proteção de pessoas idosas reduziram de 20 a 30% a transmissibilidade do vírus. O isolamento social mostrou alta eficiência para promover a segurança da população, mas a atenção aos idosos foi o principal fator de redução de mortes, segundo os modelos matemáticos. Os autores concluíram o trabalho alertando que intervenções intensivas, com períodos de bloqueio e restrições, precisarão entrar em vigor até o próximo ano, preservando assim a capacidade hospitalar de atender à população.


SERVIÇOS E UTILIDADES

Download gratuito de e-books

A Amazon está oferecendo mais uma opção para combater o tédio decorrente do isolamento social durante a pandemia do novo coronavírus. A empresa disponibilizou milhares de e-books para o dispositivo Kindle, que podem ser baixados gratuitamente pelo portal (link abaixo). Os títulos são bem variados, incluindo desde a literatura clássica até a contemporânea, e desde cursos de idiomas até economia doméstica. Há exemplares para todos os gostos e todas as idades.

Monitoramento de casos de COVID-19

Um grupo de pesquisadores brasileiros, ligado a várias universidades, construiu um site que tem o objetivo de monitorar os casos de COVID-19 no país, apresentando o curso da doença em diversos estados e municípios. A plataforma, além de informar diariamente o número de novos casos, desde o início da pandemia, também relata o número de óbitos, e apresenta, em forma de mapa, as regiões com maior incidência da doença.

Cursos gratuitos para estudantes de escolas públicas estaduais

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) entende que o trânsito é um espaço público de exercício da cidadania, e deve estar intimamente ligado às pautas de inclusão social, meio ambiente e saúde pública. Para promover essa ligação, o órgão oferece cursos gratuitos na modalidade “Ensino à distância”. Dentre os temas disponíveis, destacam-se: “Família em trânsito”, “Curso de pilotagem segura”, “Aspectos pedagógicos da educação para a mobilidade”, “Mobilidade sustentável”, entre outros. A inscrição pode ser feita pelo link abaixo, e não há um período definido para se inscrever, ou seja, os cursos ocorrem por fluxo contínuo. Não perca essa oportunidade!


Foto: Pixabay

FATOS E FAKES

Alimentos alcalinos curam a COVID-19?

Não! A informação de que uma dieta baseada em alimentos alcalinos combate ou protege as pessoas da COVID-19 é falsa. Esta fake news tem circulado pela internet, através de grupos de WhatsApp, e muitas pessoas podem ter mudado seus hábitos alimentares em virtude dessa falsa informação. No entanto, a Secretaria de Saúde do Estado do Alagoas divulgou que alimentos com pH básico não mostram associação direta com o combate à doença. Segundo a médica infectologista Dra. Mardjane Alves, do hospital Helvio Auto, a informação não tem bases científicas que a apoiem. A médica reforça a necessidade de a população seguir as recomendações dadas por agências de saúde reconhecidas, tanto pelos governos brasileiros, como pela Organização das Nações Unidas (ONU). O site da Secretaria de Saúde do Estado do Alagoas oferece um serviço de checagem de informações para qualquer munícipe, bastando enviar o vídeo ou áudio em questão para o número (82) 98161-5890. Vamos combater as fake news!


Organização

Pró-Reitoria de Pesquisa e Desenvolvimento Institucional

Comitê Científico – Contingência COVID-19

Dr. Allan Novaes, Dr. Fabio Alfieri, Dra. Maristela Martins,
Dra. Gildene Lopes, Dr. Rodrigo Follis, Dra. Lanny Soares e Dra. Naomi Vidal Ferreira

Produção

Mestrado em Promoção da Saúde

Dr. Maurício Lamano, Dra. Natália Cristina Vargas e Silva