Edição 10

Nesta Edição:

ESTUDOS E PESQUISAS

SERVIÇOS E UTILIDADES

FATOS E FAKES

  • Um estudo espanhol com 60 mil pessoas demonstrou a ineficácia do isolamento social no combate à COVID-19. É verdade?


ESTUDOS E PESQUISAS

Modelos matemáticos e decisões políticas contra a COVID-19 na Itália

Pesquisa: COVID-19 and Italy: what next? (doi: https://doi.org/10.1016/ S0140-6736(20)30627-9)

Autores: Andrea Remuzzi & Giuseppe Remuzzi (Department of Management Information and Production Engineering, University of Bergamo, Dalmine, Italy e Istituto di Ricerche Farmacologiche Mario Negri IRCC

A pesquisa responde a qual pergunta?

Quais são as próximas etapas e cenários da COVID-19 na Itália?

Por que isso é importante?

É sabido que a disseminação do novo coronavírus assumiu proporções pandêmicas, afetando grande parte da população mundial. Diversos países do mundo viveram e vivem uma situação de emergência nas redes públicas de saúde, devido à alta demanda por equipamentos e leitos hospitalares. Embora as medidas de contenção na China tenham reduzido os novos casos em mais de 90%, essa redução ainda não é realidade em outros lugares, como por exemplo na Itália (e em outros países). Existe uma grande preocupação, que já persiste há alguns meses, com a capacidade do sistema de saúde italiano de responder efetivamente às necessidades dos pacientes infectados, e que necessitam de cuidados intensivos para a pneumonia por SARS-CoV-2. As unidades de terapia intensiva (UTIs) estão com lotação máxima no país, e um enorme número de leitos hospitalares tem sido utilizado no atendimento à população infectada. Assim, faz-se necessária uma análise criteriosa do cenário da infecção, a fim de ajudar líderes políticos e autoridades de saúde a alocar recursos suficientes, incluindo pessoal, leitos e UTIs, gerenciando assim a crítica situação das pessoas debilitadas.

Quais foram os resultados?

Os autores do trabalho mostraram, por meio dos dados analisados, que o número de pacientes precisando de internação em UTIs aumentaria substancial e implacavelmente nos meses de março e abril, como de fato foi observado. Tais números levaram o sistema de saúde italiano a atingir a utilização de sua capacidade total em questão de dias. Os autores destacaram a limitação no número de leitos disponíveis em UTIs, e manifestaram forte preocupação com a capacidade máxima de atendimento à população. Para compreender cenários futuros, os pesquisadores se basearam em dados sobre a COVID-19 na região de Hubei, na China, e a partir daí, traçaram novas perspectivas através de modelos matemáticos, os quais indicaram que o número de pessoas infectadas seria crítico para a capacidade do sistema de saúde italiano. Os dados desse estudo serviram como base para o governo da Itália fazer uma contratação de emergência de profissionais de saúde, e adquirir mais 5000 ventiladores para a rede hospitalar. Os autores concluíram que, se os dados dos modelos matemáticos se tornassem realidade, essa delicada situação poderia levar especialistas em terapia intensiva a negar cuidados a pacientes mais graves, para dar prioridade aos pacientes com maior probabilidade de sobrevivência, decidindo assim quem usaria os ventiladores hospitalares, embora tal decisão pudesse gerar constrangimentos bioéticos. Por fim, os autores sugerem medidas drásticas de redução da transmissão do novo coronavírus.


Religião e estilo de vida

Pesquisa: Religion, Age, Education, Lifestyle, and Health: Structural Equation Modeling (DOI: 10.1007/s10943-020-01034-3)

Autores: Gina Andrade Abdala & Maria Dyrce Dias Meira (Centro Universitário Adventista de São Paulo, UNASP, SP) e equipe de colaboradores

A pesquisa responde a qual pergunta?

Será que a religião poderia ajudar as pessoas a terem um melhor estilo de vida e uma melhor saúde física e mental, a despeito da idade e da escolaridade?

Por que isso é importante?

Um dos maiores desafios do século 21 no Brasil é o controle das doenças crônicas, com destaque para problemas cardiovasculares, neoplasias, problemas respiratórios e diabetes, os quais são responsáveis por 68,3% de todas as mortes no país. A perspectiva da medicina do estilo de vida propõe uma abordagem abrangente à saúde, incluindo os aspectos comportamentais. Além disso, uma visão holística da saúde pode ajudar no alívio de muitos agravos psicológicos e físicos. Dessa forma, torna-se importante investigar o efeito protetor da religião, que pode promover o bem-estar físico, mental, social e espiritual das pessoas.

Quais foram os resultados?

A pesquisadora do UNASP Gina Abdala e sua equipe se apropriaram de uma ferramenta de pesquisa chamada “Questionário Oito Remédios Naturais” (Q8RN).  Esse instrumento é bem abrangente, e foi recentemente validado no Brasil, sendo útil para detectar a aderência da população aos hábitos saudáveis de vida, com confiabilidade adequada. No estudo, os pesquisadores mostraram que os participantes foram caracterizados, em sua maioria, como sendo do sexo feminino, com idade média de 44,2 anos e um bom nível de escolaridade. Houve predomínio de evangélicos (em sua maioria adventistas) seguidos dos católicos. Embora o estilo de vida tenha sido considerado “bom”, os resultados indicaram a necessidade de melhorias quanto à prática de exercício físico, ingestão de água, nutrição adequada, contato com ar puro e mais tempo para o descanso. A religião ajudou a melhorar o estilo de vida e a saúde física e mental dos participantes, a despeito da idade e da escolaridade. O estudo indica que ser filiado a uma religião que enfatiza um estilo de vida saudável é um fator importante para a promoção da saúde holística.


SERVIÇOS E UTILIDADES

Cartilha gratuita sobre cuidados na quarentena

A equipe de professores do Mestrado em Promoção da Saúde do UNASP organizou uma cartilha sobre prevenção e promoção da saúde na quarentena. O material está disponível para download gratuito no site da instituição, e pode ser divulgado para outras pessoas e organizações. Nesse material, é possível encontrar informações sobre higiene pessoal em tempos de confinamento, proteção e orientação às crianças, além de outras utilidades públicas, como, por exemplo, dicas para evitar a proliferação do mosquito da dengue. Visite o site abaixo e faça o download do material. Boa leitura!

Retorno gradual das atividades econômicas em São Paulo

O nosso período de confinamento está chegando ao final. O governador de São Paulo anunciou, no dia 27 de maio, que o retorno das atividades econômicas acontecerá em cinco fases. Embora a região metropolitana de São Paulo faça parte do grupo que terá que esperar um pouco mais para reabrir alguns comércios, a cidade de São Paulo antecipará a abertura, e em meados do mês de junho, já terá parte da atividade econômica funcionando com restrições. Cabe ressaltar que o uso de máscaras e outros equipamentos de proteção continuam sendo obrigatórios. Visite o site abaixo e conheça mais detalhes.

Dicas de saúde e bem-estar nos podcasts do UNASP

A Rádio UNASP, junto ao programa de Mestrado em Promoção da Saúde do UNASP, está gravando uma série de podcasts com dicas de cuidado e atenção para a saúde física e mental. A Profa. Dra. Cristina Zukowsky-Tavares está à frente dessa importante missão, e apresenta semanalmente novas entrevistas. O programa “Toque de Saúde” vai ao ar aos domingos, às 7h da manhã (Rádio UNASP: 91.3 FM na região de Campinas), e pode ser ouvido pelo site da rádio.


FATOS E FAKES

Um estudo espanhol com 60 mil pessoas demonstrou a ineficácia do isolamento social no combate à COVID-19. É verdade?

Não, isso não é verdade! Uma informação falsa sobre um estudo espanhol com 60 mil pessoas, que defenderia que o isolamento social é ineficaz no combate à disseminação do novo coronavírus, tem sido disparada nas redes sociais, e levanta discussões em diversos grupos. O estudo, organizado pelo governo da Espanha, mostrou que 5% da população espanhola havia contraído COVID-19 até meados do mês de maio de 2020. O ministro da saúde desse país ressaltou que a variabilidade geográfica dos contágios foi algo bastante pronunciado no estudo, além da velocidade da transmissão do vírus. O estudo espanhol não comprovou que o isolamento social seja ineficiente no combate à transmissibilidade do novo coronavírus. O que ocorreu foi que uma interpretação errônea da informação foi propagada e disseminada, defendendo que o isolamento social não influenciava a transmissibilidade da doença.


Organização

Pró-Reitoria de Pesquisa e Desenvolvimento Institucional

Comitê Científico – Contingência COVID-19

Dr. Allan Novaes, Dr. Fabio Alfieri, Dra. Maristela Martins,
Dra. Gildene Lopes, Dr. Rodrigo Follis, Dra. Lanny Soares e Dra. Naomi Vidal Ferreira

Produção

Mestrado em Promoção da Saúde

Dr. Maurício Lamano, Dra. Natália Cristina Vargas e Silva,
Dra. Gina Andrade Abdala, Dra. Maria Dyrce Dias Meira