Edição 14

Nesta Edição:

ESTUDOS E PESQUISAS

SERVIÇOS E UTILIDADES

FATOS E FAKES

  • A prefeitura de São Paulo está realizando testes para COVID-19 em domicílio?


Foto: Nathália Rosa on Unsplash

ESTUDOS E PESQUISAS

Modelagem matemática e um potencial segundo pico de contágios pelo novo coronavírus

Pesquisa: What is the potential for a second peak in the evolution of SARS-CoV-2 in Brazil? Insights from a SIRASD model considering the informal economy  (doi: 10.1002/14651858.CD013574)

Autores: M. A. Pires (Centro Brasileiro de pesquisa Física, Rio de Janeiro/RJ) e equipe de colaboradores

A pesquisa responde a qual pergunta?

Como devemos nos preparar para políticas de distanciamento social em um potencial segundo pico de COVID-19 na população?

Por que isso é importante?

As políticas públicas de saúde frente ao cenário de pandemia levaram muitos países a adotarem medidas severas de distanciamento social e lockdown, o que tem se apresentado como uma medida mitigadora da expansão da COVID-19 na população. Isso ocorre para que as autoridades públicas possam gerenciar os atendimentos hospitalares de pessoas infectadas pelo novo coronavírus e, com isso, manter ou reduzir as curvas de casos hospitalizados. No entanto, entende-se que, indubitavelmente, existem aspectos negativos relacionados a tais políticas de isolamento, como, por exemplo, uma forte ameaça econômica e social às cidades, já que em países emergentes como o Brasil, uma boa parte da população vive de empregos informais e em estratos sociais mais baixos. Nesse contexto, o Estado entra em cena auxiliando financeiramente parte da população, fornecendo uma renda mensal para a sobrevivência dessas famílias economicamente desfavorecidas. Assim, entender como as políticas de distanciamento social, em um provável segundo pico da doença, podem afetar a população e a economia do país se torna imprescindível, pois auxilia as autoridades públicas em seu planejamento estratégico.

Quais foram os resultados?

O estudo liderado por Pires e seus colaboradores mostra, por meio de modelagem matemática, que as medidas de restrição de contato e distanciamento social até o presente momento diminuíram substancialmente o número de pessoas infectadas pelo novo coronavírus no Brasil. No entanto, ao incluírem uma variável de flexibilização, ou seja, de permissão às retomadas de atividades econômicas e consequentemente de contato entre as pessoas, o segundo pico da doença não é somente previsto nas curvas de modelagem matemática, mas também é maior do que o primeiro pico de pessoas infectadas. Em outra parte do estudo, os autores mostram que, dependendo da política de isolamento social e do período em que se adota a medida, o segundo pico pode ser atenuado ou intensificado, de modo que o acompanhamento do número de casos dia após dia se torna imprescindível para os cenários futuros. O estudo destaca que existem dois grupos de pessoas que afetam diretamente o comportamento da curva de infectados. Um deles é formado por brasileiros que podem trabalhar remotamente e, consequentemente, são socialmente mais favorecidos; o outro grupo é composto por pessoas que prestam serviços a consumidores e empresas e que não podem parar de trabalhar. Para os autores desse estudo, o segundo grupo deve aderir ao isolamento social para se evitar um segundo, e talvez mais intenso, pico da doença. Para isso, serão necessárias políticas econômicas e sociais que subsidiem verdadeiramente essas pessoas, para que o distanciamento social evite a alta transmissibilidade da doença.


Avaliação clínica e imunológica de infecções assintomáticas por SARS-CoV-2

Pesquisa: Clinical and immunological assessment of asymptomatic SARS-CoV-2 infections

Autores: Quan-Xin Long (Key Laboratory of Molecular Biology on Infectious Diseases, Ministry of Education, Chongqing Medical University, Chongqing, China) e equipe de colaboradores

A pesquisa responde a qual pergunta?

Quais são as características epidemiológicas e clínicas, bem como as respostas imunes de indivíduos assintomáticos contagiados por COVID-19?

Por que isso é importante?

No final do mês de maio, o planeta contabilizou mais de 5 milhões de pessoas contaminadas pelo novo coronavírus. Embora essa nova preocupação na saúde coletiva tenha resultado em inúmeras mortes, muitas pessoas infectadas pela doença saíram ilesas ou com baixa manifestação dos sintomas. Alguns trabalhos científicos têm mostrado que pessoas assintomáticas podem sofrer menos os efeitos adversos da doença, mas são potenciais transmissores do vírus. Esses indivíduos assintomáticos podem ser grandes responsáveis pelo espalhamento da epidemia, uma vez que não sabem que a doença reside em seus corpos. Pelo fato de a comunidade científica ter realizado poucos estudos com os casos assintomáticos, e consequentemente menos graves, existe uma lacuna dessa informação na literatura científica. Assim, conhecer os mecanismos e aspectos epidemiológicos de pessoas assintomáticas pode elucidar cuidados especiais em cenários futuros de espalhamento da doença, bem como minimizar um segundo pico da doença nos países.

Quais foram os resultados?

A equipe do Dr. Long realizou um estudo com 37 pacientes chineses assintomáticos, sendo que, desse total, 22 eram do sexo feminino e a idade média dos pacientes era de 41 anos. No estudo, tomografias computadorizadas mostraram que 66,7% das pessoas infectadas e assintomáticas tinham anormalidades em apenas um dos pulmões, enquanto o restante apresentou anormalidades em ambos os pulmões. Testes imunológicos mostraram que mais de 81% dos indivíduos assintomáticos apresentaram resultado positivo para a presença de anticorpos (IgG), em um intervalo de 3-4 semanas após a provável exposição ao vírus. Comparando os resultados com um grupo de pessoas infectadas pelo vírus e que apresentaram sintomas da doença, os pesquisadores perceberam que a quantidade de anticorpos no segundo grupo foi significativamente maior, o que ressalta uma maior necessidade do corpo se defender contra o agente causador da doença. Long e seus colaboradores discutem no artigo que, em um intervalo de 2-3 meses após a infecção, os anticorpos das pessoas infectadas começam a diminuir, o que pode torná-las vulneráveis para um segundo contágio. Esses resultados reforçam a necessidade de fortalecer as políticas de distanciamento social e higiene pessoal, principalmente em relação a pessoas de alto risco. Por fim, os autores mencionam que estudos com mais pacientes devem ser realizados para que se conheça melhor o comportamento da doença em humanos.


SERVIÇOS E UTILIDADES

Curso online pode ajudar novos empreendedores a abrirem seus próprios negócios

A Agência vinculada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Ade Sampa), junto com o Sebrae, celebram uma parceria que poderá ajudar o novo empreendedor a gerir e divulgar o seu próprio negócio. Oficinas temáticas sobre empreendedorismo serão ofertadas gratuitamente ao longo do período de reabertura econômica na capital paulista. Entre 29 de junho e 3 de julho, qualquer munícipe poderá aprofundar os seus conhecimentos nesse assunto, e com isso ter mais chances de sucesso na nova empreitada. As atividades ocorrerão entre as 15h e as 17h, e as inscrições poderão ser realizadas no link www.bit.ly/adesebrae_descomplique. Aproveite!

Aqueça a sua generosidade

O inverno chegou, levando as temperaturas a despencarem na região Sudeste do Brasil. O mês de julho é tipicamente um período seco e frio, o que afeta principalmente aqueles que não possuem um teto para se abrigarem e dormem ao relento de ruas e calçadas. Com isso, o governo do estado de São Paulo lançou a campanha “Inverno Solidário”, a qual conta com a generosidade daqueles que têm uma condição socioeconômica estável. A iniciativa do Fundo Social de São Paulo ajudará muitas pessoas em situação de vulnerabilidade social a enfrentar temperaturas geladas nos próximos meses. Para colaborar, basta entrar no site da iniciativa solidária e informar o seu CEP para verificar o posto de arrecadação mais próximo. Ou, se preferir, você também pode entrar em contato pelo telefone (11) 97549-2459. Participe!

Aproveite as férias para aprofundar seus conhecimentos e mergulhe na leitura

Para muitos estudantes universitários, o semestre letivo foi altamente desafiador. Ainda assim, utilizando um gerenciamento totalmente novo de aulas remotas e novos sistemas de avaliações, muitos universitários concluíram mais um semestre na busca pelo conhecimento. As merecidas férias chegaram e agora é hora de descansar, e aproveitar para dedicar o seu tempo à leitura não obrigatoriamente acadêmica. Nesse sentido, o site catacralivre.com.br sugere uma lista com 15 sites nacionais e internacionais que permitem o download de livros online. Talvez essa seja uma boa oportunidade para você se distrair com os livros clássicos ou se intrigar com os famosos romances policiais. Aproveite e divulgue para os seus amigos!


Foto: National Cancer Institute on Unsplash

FATOS E FAKES

A prefeitura de São Paulo está realizando testes para COVID-19 em domicílio?

Não! Essa informação é falsa. Embora a situação do novo coronavírus seja bastante preocupante, cabe aos munícipes divulgar apenas informações corretas e averiguadas. Alguns veículos de informação e mídias sociais têm divulgado a notícia de que a prefeitura de São Paulo está realizando testes para a COVID-19 em domicílios. Essa informação trouxe certo conforto para muitas pessoas, porém, uma preocupação para as autoridades públicas municipais da área da saúde. O que a prefeitura tem feito é testar pessoas internadas e com provável quadro infeccioso da doença. Algumas cidades da grande São Paulo estão realizando testes em domicílio, porém, apenas para casos de pacientes com sintomas da COVID-19.


Organização

Pró-Reitoria de Pesquisa e Desenvolvimento Institucional

Comitê Científico – Contingência COVID-19

Dr. Allan Novaes, Dr. Fabio Alfieri, Dra. Maristela Martins,
Dra. Gildene Lopes, Dr. Rodrigo Follis, Dra. Lanny Soares e Dra. Naomi Vidal Ferreira

Produção

Mestrado em Promoção da Saúde

Dr. Maurício Lamano, Dra. Natália Cristina Vargas e Silva

Edição 13

Nesta Edição:

ESTUDOS E PESQUISAS

SERVIÇOS E UTILIDADES

FATOS E FAKES

  • Estudantes da rede pública terão 4º ano do ensino médio por causa da pandemia?


Foto: iStock

ESTUDOS E PESQUISAS

Impacto da COVID-19 na atividade física e no bem-estar

Pesquisa: The impact of COVID-19 on physical activity behavior and well-being of Canadians(doi: 10.3390/ijerph17113899)

Autores: Iris A. Lesser, Carl P. Nienhuis (Universidade Fraser Valley – Canadá)

A pesquisa responde a qual pergunta?

Que mudanças os cidadãos canadenses têm experienciado na sua atividade física e no seu bem-estar por conta do isolamento social?

Por que isso é importante?

Assim que a pandemia de COVID-19 atingiu o Canadá, medidas de saúde pública começaram a ser tomadas. A restrição de viagens internacionais, o fechamento do comércio não essencial e o isolamento social foram algumas delas. Apesar de o foco do isolamento ser a saúde das pessoas e sua proteção contra a contaminação pelo novo coronavírus, as consequências indesejáveis da quarentena podem incluir a redução da prática de atividade física e o aumento do comportamento sedentário. Isso expõe a população a um risco aumentado de desenvolvimento e progressão de doenças crônicas. No Canadá não foi diferente: essas medidas impuseram desafios para que as pessoas seguissem praticando sua atividade física. O fechamento das academias de ginástica, dos parques públicos e dos playgrounds fez com que os cidadãos tivessem que assumir posturas inovadoras a fim de manter níveis adequados de exercício.

Quais foram os resultados?

Os autores observaram que mais de 40% dos indivíduos que já eram sedentários antes do início da pandemia tornaram-se ainda mais sedentários, ao passo que somente 22% das pessoas fisicamente ativas reduziram seu nível de atividade física. Por outro lado, 33% dos sedentários tornaram-se pessoas ativas durante o isolamento social, enquanto 40% dos indivíduos previamente ativos tornaram-se ainda mais ativos. Diferenças relacionadas ao bem-estar foram encontradas quando se comparou ativos e sedentários: esses últimos apresentavam condições piores. As pessoas sedentárias que passavam mais tempo em atividades externas apresentavam menores níveis de ansiedade do que aquelas que passavam mais tempo dentro de casa. As medidas restritivas impostas pela pandemia de COVID-19 afetaram os cidadãos canadenses ativos e sedentários de maneiras diferentes, e a prática de atividade física esteve associada com o bem-estar, mesmo entre as pessoas que eram sedentárias antes do isolamento social. A pesquisa mostra que medidas de promoção à saúde das pessoas sedentárias podem ser essenciais para aumentar seu bem-estar diante das restrições relacionadas à pandemia.


Hábitos alimentares durante o isolamento social

Pesquisa: Dietary choices and habits during COVID-19 lockdown: experience from Poland (doi: 10.3390/nu12061657)

Autores: Aleksandra Sidor e Piotr Rzymski (Universidade Poznan – Polônia)

A pesquisa responde a qual pergunta?

O isolamento social imposto pela pandemia de COVID-19 associou-se a mudanças na frequência alimentar, no hábito de “beliscar”, no consumo de álcool e tabaco e no peso corporal das pessoas?

Por que isso é importante?

Como resultado da pandemia do novo coronavírus, cerca de 4 bilhões de pessoas foram forçadas a permanecer em isolamento domiciliar. Sabe-se que isso pode resultar em estresse psicológico, distúrbios de humor, insônia e depressão. Eventos potencialmente estressores como esse podem afetar os padrões alimentares, causando hipo ou hiperfagia e aumentando o hábito de “beliscar” entre as refeições, o que pode levar ao aumento do peso corporal. Ao ficar mais tempo em casa, as pessoas tendem a comer alimentos mais palatáveis, abusar dos lanches e aumentar o consumo de bebidas alcoólicas. Outra escolha pessoal que pode ser afetada com o isolamento social é o hábito de cozinhar mais ou de comprar alimentos já prontos com mais frequência. A manutenção de uma dieta balanceada é uma estratégia de enfrentamento da pandemia, e, apesar de não prevenir a infecção pela COVID-19, esse hábito tem papel importante numa eventual resposta ao agente infeccioso. Isso se torna ainda mais importante no caso das pessoas com questões nutricionais pré-existentes.

Quais foram os resultados?

O estudo, liderado por pesquisadores poloneses, contou com a participação de mais de mil voluntários, e pontuou que, durante o isolamento social imposto pela quarentena, um alto percentual de pessoas experimenta mudança nos hábitos alimentares, manifestada principalmente pelo comportamento de comer e “beliscar” mais, o que produz aumento do peso corporal. Os autores ressaltam que as pessoas obesas ou com sobrepeso estão mais sujeitas a essas alterações de hábitos, e também tendem a consumir menos vegetais, frutas e legumes, e a aumentar o consumo de sódio, carnes e laticínios. Considerando que o peso corporal elevado está associado com o aumento da gravidade da infecção por COVID-19, uma possível estratégia para reduzir os efeitos deletérios do lockdown sobre os hábitos alimentares da população deve ser considerada. O isolamento domiciliar também resultou em uma maior ingestão de álcool na Polônia, o que pode levar muitas pessoas à dependência química. Pesquisas futuras serão necessárias para investigar se o isolamento provocado pela pandemia de COVID-19 resultou na manutenção, a longo prazo, de hábitos alimentares adversos.


SERVIÇOS E UTILIDADES

Startups jurídicas oferecem serviços gratuitos

Como forma de apoiar o poder judiciário no enfrentamento da crise causada pela pandemia de COVID-19, algumas startups estão disponibilizando gratuitamente suas plataformas online de resolução de conflitos jurídicos a todos os tribunais de justiça do país. As sessões ocorrem por videoconferência, chat ou telefone, ficam gravadas e contam com uma ferramenta que possibilita gestão e avaliação dos resultados. A iniciativa visa reduzir o acúmulo de trabalho nos tribunais durante o isolamento social.

Cursos gratuitos sobre trabalho remoto

O LinkedIn disparou um alerta aos seus usuários de que está oferecendo cursos gratuitos sobre trabalho remoto durante a pandemia. A plataforma oferece mais de 13 horas de conteúdo distribuídas entre 16 cursos diferentes. Os temas abordados são bastante variados, e tratam de tópicos como permanecer produtivo em casa, criar relacionamentos não presenciais, usar ferramentas de reunião virtual e equilibrar a dinâmica familiar e de trabalho de forma saudável.

Serviços gratuitos para pequenos empreendedores

A empresa King Host liberou o acesso gratuito por 60 dias a um plano de marketing digital personalizado para pequenos empreendedores. A ferramenta avalia a popularidade e as estatísticas sociais, e analisa o site do empreendedor para fornecer recomendações de obtenção de maior destaque nas buscas online. A otimização dos mecanismos de busca torna a pequena empresa mais conhecida, traz mais visitas ao site e aumenta as chances de venda, tudo isso sem gastar dinheiro com mídias pagas.


Foto: Marcos Santos – USP imagens

FATOS E FAKES

Estudantes da rede pública terão 4º ano do ensino médio por causa da pandemia?

Recentemente começou a circular uma notícia de que os governos dos estados de São Paulo e Maranhão lançariam, em 2021, o 4º ano do ensino médio para alunos da rede pública de ensino. A ideia seria recuperar o atraso pedagógico causado pela pandemia do novo coronavírus neste ano de 2020. A informação é verdadeira? A resposta é: Sim! A informação foi divulgada recentemente, em um debate online, pelo secretário da educação do estado do Maranhão. Ele acredita que os alunos do ensino fundamental poderão recuperar os conteúdos escolares ao longo dos próximos 2 anos; entretanto, como esse tempo não está disponível para alunos que cursam os últimos anos do ensino médio, será lançado o 4º ano em caráter opcional. A ideia surgiu em resposta à sugestão de alunos que reivindicaram cursar novamente o último ano do ensino médio em 2021, para sentirem-se mais bem preparados para o Enem e para os vestibulares. Em São Paulo, a secretaria de educação também confirmou que o projeto existe e que está em fase de desenvolvimento.


Organização

Pró-Reitoria de Pesquisa e Desenvolvimento Institucional

Comitê Científico – Contingência COVID-19

Dr. Allan Novaes, Dr. Fabio Alfieri, Dra. Maristela Martins,
Dra. Gildene Lopes, Dr. Rodrigo Follis, Dra. Lanny Soares e Dra. Naomi Vidal Ferreira

Produção

Mestrado em Promoção da Saúde

Dr. Maurício Lamano, Dra. Natália Cristina Vargas e Silva

Edição 12

Nesta Edição:

ESTUDOS E PESQUISAS

SERVIÇOS E UTILIDADES

FATOS E FAKES

  • A vacina contra a gripe aumenta o risco de adoecimento por covid-19?


ESTUDOS E PESQUISAS

Somente quarentena ou quarentena combinada com outras intervenções no controle da covid-19?

Pesquisa: Quarantine alone or in combination with other public health measures to control COVID-19: a rapid review  (doi: 10.1002/14651858.CD013574)

Autores: Barbara Nussbaumer-Streit,  (Cochrane Austria, Department for Evidence-based Medicine and Evaluation, Danube University Krems, Krems, Austria) e equipe de colaboradores

A pesquisa responde a qual pergunta?

Quais os efeitos da quarentena (sozinha ou combinada com outras medidas) entre indivíduos que tiveram contato com casos confirmados de COVID-19 ou que vivem em regiões com altas taxas de transmissão da doença?

Por que isso é importante?

Até o momento, não há intervenções farmacológicas eficientes ou vacinas disponíveis para tratar ou prevenir a infecção pela COVID-19. Por essa razão, medidas como o isolamento, o distanciamento social e a quarentena têm sido os únicos meios utilizados para enfrentar a pandemia. A quarentena pode ser implementada voluntariamente ou de forma obrigatória pelas autoridades, e aplicada a indivíduos, grupos ou comunidades. Uma revisão recente da literatura relatou que a quarentena pode ter impactos psicológicos negativos, como sintomas de estresse pós-traumático, confusão e raiva, que podem levar a efeitos psicológicos importantes a longo prazo. No momento, existe a recomendação de 14 dias de quarentena para os indivíduos que tiveram contato próximo com casos confirmados da doença. De acordo com regulamentações internacionais, medidas de saúde pública devem ser baseadas em evidências científicas; assim, os autores desse artigo decidiram conduzir uma revisão sistemática da literatura acerca da eficácia da quarentena, sozinha ou associada a outras medidas, no combate à pandemia.

Quais foram os resultados?

Em razão das diferentes metodologias dos estudos que compuseram a revisão, os autores fizeram uma síntese apenas narrativa dos dados dos 29 artigos incluídos no estudo. As evidências encontradas foram classificadas como baixas ou muito baixas; entretanto, os estudos de modelagem reportaram benefícios consistentes da quarentena. A quarentena de pessoas expostas a casos suspeitos ou confirmados pode evitar de 44 a 81% dos novos casos, e de 31 a 63% das mortes por COVID-19, em comparação com nenhuma intervenção. As evidências disponíveis sugerem que, quanto mais precocemente a quarentena for implementada, maior a economia nos gastos com a saúde. Quando os modelos combinam a quarentena com outras medidas (fechamento de escolas, restrições a viagens e distanciamento social), ocorre maior redução de novos casos, de transmissão e de mortes em comparação com a quarentena sozinha. As evidências atuais sobre essa temática restringem-se aos estudos de modelagem, que utilizam dados provenientes do conhecimento atual fragmentado. Apesar disso, os achados indicam que a quarentena é importante para reduzir a incidência e a mortalidade por COVID-19. A implementação precoce da quarentena e de outras medidas de saúde pública é importante para reforçar sua efetividade.


Impacto clínico da COVID-19 em pacientes com câncer: um estudo de corte

Pesquisa: Clinical impact of COVID-19 on patients with cancer (CCC19): a cohort study (10.1016/S0140-6736(20)31187-9)

Autores: Nicole M Kuderer (Advanced Cancer Research Group, Kirkland, WA, USA) e equipe de colaboradores

A pesquisa responde a qual pergunta?

Quais são os principais efeitos clínicos da COVID-19 em pacientes com câncer?

Por que isso é importante?

Ainda há pouca informação sobre os reais efeitos que acometem pacientes com câncer infectados pela COVID-19. Os resultados que a comunidade médica tem até o momento se referem, em sua maioria, a estudos com um tamanho amostral reduzido, fato que não garante uma alta confiabilidade nas respostas observadas. Informações dessa natureza são particularmente importantes, pois pacientes com quadro de câncer são imunocomprometidos, em virtude do agressivo tratamento antineoplásico; ou seja, os medicamentos que eles utilizam podem trazer implicações imunológicas, tornando-os ainda mais vulneráveis aos efeitos da infecção pelo novo coronavírus. Além disso, deve-se considerar que o câncer acomete principalmente a terceira idade, o que torna essas pessoas ainda mais vulneráveis devido à presença de outras enfermidades. Assim, é fundamental conhecer a evolução dos quadros de COVID-19 em pessoas com câncer.

Quais foram os resultados?

O estudo liderado por Nicole Kuderer contou com 928 pacientes, com idade em torno dos 66 anos, sendo que desse total, 279 pessoas tinham 75 anos ou mais. Portanto, esse foi um estudo voltado para a terceira idade, e contou apenas com pacientes infectados por COVID-19 que já tinham câncer, em sua maioria neoplasias de mama e próstata. Os achados do estudo mostraram que, em um intervalo de 30 dias, dentre as principais causas de agravamento da COVID-19 observadas nos pacientes que foram a óbito, estavam: a avanço da idade, o hábito do tabagismo e o número de comorbidades preexistentes (por exemplo: diabetes, obesidade e hipertensão). Os pesquisadores destacaram que raça e etnia, obesidade, tipo de câncer, tipo de terapia anticâncer e cirurgia recente não estiveram associados a mortalidade entre os pacientes. Por fim, os autores do estudo concluíram que, mesmo com uma amostragem relativamente grande, os resultados ainda são preliminares, e mais estudos precisam ser conduzidos para entender melhor o efeito da COVID-19 em pacientes com câncer. A possibilidade de continuar tratamentos específicos para as diversas neoplasias durante o curso da COVID-19 também precisa ser estudada.


SERVIÇOS E UTILIDADES

Plano de flexibilização da quarentena no estado de São Paulo

No início de junho, o governo do estado de São Paulo lançou um plano de flexibilização da quarentena. O plano dividiu o mapa do estado em 5 microrregiões, e, de acordo com a fase em que cada microrregião se encontra (de 1 a 5), haverá a abertura gradual de alguns setores da economia antes fechados devido à quarentena. As fases serão definidas com base na ocupação de leitos de UTI, na variação semanal de novos casos e nas mortes e internações por COVID-19 em relação à semana anterior.

Prefeitura de São Paulo irá atender a 7 mil pessoas que buscam pelo seguro-desemprego

Todos os postos do Centro de Apoio ao Trabalho e Empreendedorismo (CATE) da prefeitura de São Paulo irão atender e dar suporte às pessoas que pretendem pleitear o seguro-desemprego. Para isso, o munícipe precisa ligar para a central 156 e fazer o seu agendamento. Segundo a prefeitura da capital paulista, mais de 6 mil pessoas já foram atendidas desde o início da pandemia, sendo que, desse total, 45% deixaram o atendimento com o benefício liberado ou em análise pela Caixa Econômica Federal. Até o dia 08 de junho de 2020, mais de 1700 cidadãos já haviam agendado um horário em um dos 13 postos do CATE. Caso você esteja entre os possíveis beneficiários do serviço mencionado, não perca tempo, ligue o quanto antes e faça o seu agendamento!

Cursos gratuitos em diversas áreas do saber

O instituto Federal do Rio Grande do Sul abriu inscrições gratuitas para que estudantes possam complementar a sua formação básica neste período de pandemia. O catálogo de cursos apresenta 110 temas, que variam desde “Ambiente e Saúde”, “Gestão e Negócios” e “Turismo e Hospitalidade”, até cursos técnicos de cuidados com idosos. A plataforma utilizada para as aulas será a Moodle, e as inscrições vão até o dia 30 de junho. A grande vantagem é que o aluno poderá assistir às aulas no horário de sua preferência. No entanto, é necessário ficar atento para finalizar o curso até a data de encerramento do projeto do Instituto Federal, dia 31 de julho.


FATOS E FAKES

A vacina contra a gripe aumenta o risco de adoecimento por covid-19?

A resposta é: Não! Recentemente circulou nas redes sociais uma notícia falsa afirmando que a vacinação contra a influenza poderia aumentar em 36% o risco de complicações relacionadas à contaminação pelo novo coronavírus. O próprio site do Ministério da Saúde esclarece que não há qualquer estudo científico relacionando vacinas com o risco de adoecimento ou surgimento de complicações relacionadas à COVID-19. O artigo citado na notícia falsa, que supostamente comprovaria a afirmação, é de 2017, portanto, anterior ao surgimento da pandemia, cujo primeiro caso data de dezembro de 2019. A vacinação contra influenza previne apenas a gripe, e é importante que ela seja feita para excluir o diagnóstico de síndrome gripal de uma eventual suspeita de COVID-19.


Organização

Pró-Reitoria de Pesquisa e Desenvolvimento Institucional

Comitê Científico – Contingência COVID-19

Dr. Allan Novaes, Dr. Fabio Alfieri, Dra. Maristela Martins,
Dra. Gildene Lopes, Dr. Rodrigo Follis, Dra. Lanny Soares e Dra. Naomi Vidal Ferreira

Produção

Mestrado em Promoção da Saúde

Dr. Maurício Lamano, Dra. Natália Cristina Vargas e Silva

Edição 11

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ESTUDOS E PESQUISAS

SERVIÇOS E UTILIDADES

FATOS E FAKES

  • Alimentos alcalinos curam a COVID-19?


ESTUDOS E PESQUISAS

Manifestações gastrointestinais e hepáticas da COVID-19

Pesquisa: Gastrointestinal and hepatic manifestations of COVID-19: A comprehensive review (doi: 10.3748/wjg.v26.i19.2323)

Autores: Ming Han Cha (Departamento de Medicina Interna e Departamento de Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrição da Clínica Cleveland, Estados Unidos) e equipe de colaboradores

A pesquisa responde a qual pergunta?

Quais são as manifestações gastrointestinais e hepáticas relacionadas à infecção por COVID-19?

Por que isso é importante?

A apresentação clínica da COVID-19 é predominantemente respiratória, incluindo tosse e dispneia como sintomas principais. Outros sintomas frequentes são a febre e a fadiga excessiva. Informações sobre outras manifestações da doença ainda são escassas. Porém, apesar de ser frequentemente ignorado, o envolvimento dos sistemas gastrointestinal e hepático tem sido cada vez mais relatado. O primeiro paciente infectado por COVID-19 nos Estados Unidos apresentou náusea e vômito, além de sintomas respiratórios e sistêmicos, e mais tarde desenvolveu desconforto abdominal e diarreia. Sendo assim, discutir os sintomas gastrointestinais e hepáticos provocados pela doença poderá fornecer novas ferramentas para o diagnóstico e tratamento das pessoas infectadas.

Quais foram os resultados?

Os autores da pesquisa fizeram uma extensa revisão da literatura médica acerca da temática em questão. Eles observaram que 26% dos pacientes com COVID-19, aproximadamente, apresentam sintomas gastrointestinais. As manifestações mais comuns são diarreia, náusea ou vômitos e dor abdominal. Essa apresentação clínica pode ser decorrente da presença da replicação viral ativa no trato intestinal dos pacientes infectados, que já foi demonstrada por microscopia eletrônica e cultura viral. Apesar disso, poucos estudos de caso relataram pacientes com manifestações gastrointestinais precedendo os sintomas respiratórios, e poucos pacientes apresentaram apenas sintomas digestivos sem sintomas respiratórios. Já em relação às manifestações hepáticas, a elevação de algumas enzimas tem sido reportada desde os primeiros estudos observacionais, e essas manifestações são mais prevalentes nos casos graves da doença. A principal causa de óbito decorrente da COVID-19, no entanto, é a falência respiratória, tendo sido relatado apenas um caso de falência hepática. Como ainda não há nenhum tratamento hepatoprotetor eficaz, é importante que os médicos não se distraiam com a elevação moderada das enzimas hepáticas e deixem de focar no tratamento dos sintomas principais da doença.


Foto: Markus Spiske

Intervenções não farmacológicas na COVID-19

Pesquisa: Effects of non-pharmaceutical interventions on COVID-19 cases, deaths, and demand for hospital services in the UK: a modelling study (10.1016/S2468-2667(20)30133-X)

Autores: Nicholas G Davies (Centre for the Mathematical Modelling of Infectious Diseases COVID-19 working group) e equipe de colaboradores

A pesquisa responde a qual pergunta?

Qual é o tempo, duração e intensidade que as medidas de restrição da transmissibilidade de COVID-19 devem durar?

Por que isso é importante?

A transmissibilidade do novo coronavírus foi um fato surpreendente do ano de 2020. Depois de se tornar um caso de saúde pública na China, rapidamente o vírus se espalhou pelo mundo, afetando a saúde de centenas de milhares de pessoas, e levando vários países a ter grande quantidade de mortos por COVID-19. A Inglaterra teve os seus primeiros casos registrados no final de Janeiro deste ano, e poucas semanas depois do primeiro caso o cenário se tornou preocupante para as autoridades públicas. Diversos estudos exploraram a eficácia das medidas de controle sobre a dinâmica da COVID-19; no entanto, os números continuaram a crescer, assustando a população. Com isso, o grupo de pesquisa liderado pelo professor Davies, do Centro de modelagem matemática para doenças infecciosas da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, na Inglaterra, decidiram avaliar a eficácia e o tempo que diversas medidas de isolamento social deveriam durar para combater a transmissão do novo coronavírus no Reino Unido.

Quais foram os resultados?

Por meio de modelagem matemática, as projeções do estudo do Professor Davies e de seus colaboradores mostraram um cenário bastante preocupante para a saúde pública do Reino Unido, com um valor aproximado de 23 milhões de casos clínicos e 350 mil mortes por COVID-19 até dezembro de 2021. Nesse contexto, 85% da população britânica será contaminada pela SARS-Cov-2, sendo que 42% será sintomático para algumas manifestações clínicas. Esses números se tornam ainda mais preocupantes ao considerarmos o número de leitos em hospitais públicos, que pode ser entre 13 e 80 vezes menor do que o necessário para atender os pacientes infectados. Os autores ainda mostraram que as medidas de isolamento social, fechamento de escolas e ações de proteção de pessoas idosas reduziram de 20 a 30% a transmissibilidade do vírus. O isolamento social mostrou alta eficiência para promover a segurança da população, mas a atenção aos idosos foi o principal fator de redução de mortes, segundo os modelos matemáticos. Os autores concluíram o trabalho alertando que intervenções intensivas, com períodos de bloqueio e restrições, precisarão entrar em vigor até o próximo ano, preservando assim a capacidade hospitalar de atender à população.


SERVIÇOS E UTILIDADES

Download gratuito de e-books

A Amazon está oferecendo mais uma opção para combater o tédio decorrente do isolamento social durante a pandemia do novo coronavírus. A empresa disponibilizou milhares de e-books para o dispositivo Kindle, que podem ser baixados gratuitamente pelo portal (link abaixo). Os títulos são bem variados, incluindo desde a literatura clássica até a contemporânea, e desde cursos de idiomas até economia doméstica. Há exemplares para todos os gostos e todas as idades.

Monitoramento de casos de COVID-19

Um grupo de pesquisadores brasileiros, ligado a várias universidades, construiu um site que tem o objetivo de monitorar os casos de COVID-19 no país, apresentando o curso da doença em diversos estados e municípios. A plataforma, além de informar diariamente o número de novos casos, desde o início da pandemia, também relata o número de óbitos, e apresenta, em forma de mapa, as regiões com maior incidência da doença.

Cursos gratuitos para estudantes de escolas públicas estaduais

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) entende que o trânsito é um espaço público de exercício da cidadania, e deve estar intimamente ligado às pautas de inclusão social, meio ambiente e saúde pública. Para promover essa ligação, o órgão oferece cursos gratuitos na modalidade “Ensino à distância”. Dentre os temas disponíveis, destacam-se: “Família em trânsito”, “Curso de pilotagem segura”, “Aspectos pedagógicos da educação para a mobilidade”, “Mobilidade sustentável”, entre outros. A inscrição pode ser feita pelo link abaixo, e não há um período definido para se inscrever, ou seja, os cursos ocorrem por fluxo contínuo. Não perca essa oportunidade!


Foto: Pixabay

FATOS E FAKES

Alimentos alcalinos curam a COVID-19?

Não! A informação de que uma dieta baseada em alimentos alcalinos combate ou protege as pessoas da COVID-19 é falsa. Esta fake news tem circulado pela internet, através de grupos de WhatsApp, e muitas pessoas podem ter mudado seus hábitos alimentares em virtude dessa falsa informação. No entanto, a Secretaria de Saúde do Estado do Alagoas divulgou que alimentos com pH básico não mostram associação direta com o combate à doença. Segundo a médica infectologista Dra. Mardjane Alves, do hospital Helvio Auto, a informação não tem bases científicas que a apoiem. A médica reforça a necessidade de a população seguir as recomendações dadas por agências de saúde reconhecidas, tanto pelos governos brasileiros, como pela Organização das Nações Unidas (ONU). O site da Secretaria de Saúde do Estado do Alagoas oferece um serviço de checagem de informações para qualquer munícipe, bastando enviar o vídeo ou áudio em questão para o número (82) 98161-5890. Vamos combater as fake news!


Organização

Pró-Reitoria de Pesquisa e Desenvolvimento Institucional

Comitê Científico – Contingência COVID-19

Dr. Allan Novaes, Dr. Fabio Alfieri, Dra. Maristela Martins,
Dra. Gildene Lopes, Dr. Rodrigo Follis, Dra. Lanny Soares e Dra. Naomi Vidal Ferreira

Produção

Mestrado em Promoção da Saúde

Dr. Maurício Lamano, Dra. Natália Cristina Vargas e Silva

Edição 10

Nesta Edição:

ESTUDOS E PESQUISAS

SERVIÇOS E UTILIDADES

FATOS E FAKES

  • Um estudo espanhol com 60 mil pessoas demonstrou a ineficácia do isolamento social no combate à COVID-19. É verdade?


ESTUDOS E PESQUISAS

Modelos matemáticos e decisões políticas contra a COVID-19 na Itália

Pesquisa: COVID-19 and Italy: what next? (doi: https://doi.org/10.1016/ S0140-6736(20)30627-9)

Autores: Andrea Remuzzi & Giuseppe Remuzzi (Department of Management Information and Production Engineering, University of Bergamo, Dalmine, Italy e Istituto di Ricerche Farmacologiche Mario Negri IRCC

A pesquisa responde a qual pergunta?

Quais são as próximas etapas e cenários da COVID-19 na Itália?

Por que isso é importante?

É sabido que a disseminação do novo coronavírus assumiu proporções pandêmicas, afetando grande parte da população mundial. Diversos países do mundo viveram e vivem uma situação de emergência nas redes públicas de saúde, devido à alta demanda por equipamentos e leitos hospitalares. Embora as medidas de contenção na China tenham reduzido os novos casos em mais de 90%, essa redução ainda não é realidade em outros lugares, como por exemplo na Itália (e em outros países). Existe uma grande preocupação, que já persiste há alguns meses, com a capacidade do sistema de saúde italiano de responder efetivamente às necessidades dos pacientes infectados, e que necessitam de cuidados intensivos para a pneumonia por SARS-CoV-2. As unidades de terapia intensiva (UTIs) estão com lotação máxima no país, e um enorme número de leitos hospitalares tem sido utilizado no atendimento à população infectada. Assim, faz-se necessária uma análise criteriosa do cenário da infecção, a fim de ajudar líderes políticos e autoridades de saúde a alocar recursos suficientes, incluindo pessoal, leitos e UTIs, gerenciando assim a crítica situação das pessoas debilitadas.

Quais foram os resultados?

Os autores do trabalho mostraram, por meio dos dados analisados, que o número de pacientes precisando de internação em UTIs aumentaria substancial e implacavelmente nos meses de março e abril, como de fato foi observado. Tais números levaram o sistema de saúde italiano a atingir a utilização de sua capacidade total em questão de dias. Os autores destacaram a limitação no número de leitos disponíveis em UTIs, e manifestaram forte preocupação com a capacidade máxima de atendimento à população. Para compreender cenários futuros, os pesquisadores se basearam em dados sobre a COVID-19 na região de Hubei, na China, e a partir daí, traçaram novas perspectivas através de modelos matemáticos, os quais indicaram que o número de pessoas infectadas seria crítico para a capacidade do sistema de saúde italiano. Os dados desse estudo serviram como base para o governo da Itália fazer uma contratação de emergência de profissionais de saúde, e adquirir mais 5000 ventiladores para a rede hospitalar. Os autores concluíram que, se os dados dos modelos matemáticos se tornassem realidade, essa delicada situação poderia levar especialistas em terapia intensiva a negar cuidados a pacientes mais graves, para dar prioridade aos pacientes com maior probabilidade de sobrevivência, decidindo assim quem usaria os ventiladores hospitalares, embora tal decisão pudesse gerar constrangimentos bioéticos. Por fim, os autores sugerem medidas drásticas de redução da transmissão do novo coronavírus.


Religião e estilo de vida

Pesquisa: Religion, Age, Education, Lifestyle, and Health: Structural Equation Modeling (DOI: 10.1007/s10943-020-01034-3)

Autores: Gina Andrade Abdala & Maria Dyrce Dias Meira (Centro Universitário Adventista de São Paulo, UNASP, SP) e equipe de colaboradores

A pesquisa responde a qual pergunta?

Será que a religião poderia ajudar as pessoas a terem um melhor estilo de vida e uma melhor saúde física e mental, a despeito da idade e da escolaridade?

Por que isso é importante?

Um dos maiores desafios do século 21 no Brasil é o controle das doenças crônicas, com destaque para problemas cardiovasculares, neoplasias, problemas respiratórios e diabetes, os quais são responsáveis por 68,3% de todas as mortes no país. A perspectiva da medicina do estilo de vida propõe uma abordagem abrangente à saúde, incluindo os aspectos comportamentais. Além disso, uma visão holística da saúde pode ajudar no alívio de muitos agravos psicológicos e físicos. Dessa forma, torna-se importante investigar o efeito protetor da religião, que pode promover o bem-estar físico, mental, social e espiritual das pessoas.

Quais foram os resultados?

A pesquisadora do UNASP Gina Abdala e sua equipe se apropriaram de uma ferramenta de pesquisa chamada “Questionário Oito Remédios Naturais” (Q8RN).  Esse instrumento é bem abrangente, e foi recentemente validado no Brasil, sendo útil para detectar a aderência da população aos hábitos saudáveis de vida, com confiabilidade adequada. No estudo, os pesquisadores mostraram que os participantes foram caracterizados, em sua maioria, como sendo do sexo feminino, com idade média de 44,2 anos e um bom nível de escolaridade. Houve predomínio de evangélicos (em sua maioria adventistas) seguidos dos católicos. Embora o estilo de vida tenha sido considerado “bom”, os resultados indicaram a necessidade de melhorias quanto à prática de exercício físico, ingestão de água, nutrição adequada, contato com ar puro e mais tempo para o descanso. A religião ajudou a melhorar o estilo de vida e a saúde física e mental dos participantes, a despeito da idade e da escolaridade. O estudo indica que ser filiado a uma religião que enfatiza um estilo de vida saudável é um fator importante para a promoção da saúde holística.


SERVIÇOS E UTILIDADES

Cartilha gratuita sobre cuidados na quarentena

A equipe de professores do Mestrado em Promoção da Saúde do UNASP organizou uma cartilha sobre prevenção e promoção da saúde na quarentena. O material está disponível para download gratuito no site da instituição, e pode ser divulgado para outras pessoas e organizações. Nesse material, é possível encontrar informações sobre higiene pessoal em tempos de confinamento, proteção e orientação às crianças, além de outras utilidades públicas, como, por exemplo, dicas para evitar a proliferação do mosquito da dengue. Visite o site abaixo e faça o download do material. Boa leitura!

Retorno gradual das atividades econômicas em São Paulo

O nosso período de confinamento está chegando ao final. O governador de São Paulo anunciou, no dia 27 de maio, que o retorno das atividades econômicas acontecerá em cinco fases. Embora a região metropolitana de São Paulo faça parte do grupo que terá que esperar um pouco mais para reabrir alguns comércios, a cidade de São Paulo antecipará a abertura, e em meados do mês de junho, já terá parte da atividade econômica funcionando com restrições. Cabe ressaltar que o uso de máscaras e outros equipamentos de proteção continuam sendo obrigatórios. Visite o site abaixo e conheça mais detalhes.

Dicas de saúde e bem-estar nos podcasts do UNASP

A Rádio UNASP, junto ao programa de Mestrado em Promoção da Saúde do UNASP, está gravando uma série de podcasts com dicas de cuidado e atenção para a saúde física e mental. A Profa. Dra. Cristina Zukowsky-Tavares está à frente dessa importante missão, e apresenta semanalmente novas entrevistas. O programa “Toque de Saúde” vai ao ar aos domingos, às 7h da manhã (Rádio UNASP: 91.3 FM na região de Campinas), e pode ser ouvido pelo site da rádio.


FATOS E FAKES

Um estudo espanhol com 60 mil pessoas demonstrou a ineficácia do isolamento social no combate à COVID-19. É verdade?

Não, isso não é verdade! Uma informação falsa sobre um estudo espanhol com 60 mil pessoas, que defenderia que o isolamento social é ineficaz no combate à disseminação do novo coronavírus, tem sido disparada nas redes sociais, e levanta discussões em diversos grupos. O estudo, organizado pelo governo da Espanha, mostrou que 5% da população espanhola havia contraído COVID-19 até meados do mês de maio de 2020. O ministro da saúde desse país ressaltou que a variabilidade geográfica dos contágios foi algo bastante pronunciado no estudo, além da velocidade da transmissão do vírus. O estudo espanhol não comprovou que o isolamento social seja ineficiente no combate à transmissibilidade do novo coronavírus. O que ocorreu foi que uma interpretação errônea da informação foi propagada e disseminada, defendendo que o isolamento social não influenciava a transmissibilidade da doença.


Organização

Pró-Reitoria de Pesquisa e Desenvolvimento Institucional

Comitê Científico – Contingência COVID-19

Dr. Allan Novaes, Dr. Fabio Alfieri, Dra. Maristela Martins,
Dra. Gildene Lopes, Dr. Rodrigo Follis, Dra. Lanny Soares e Dra. Naomi Vidal Ferreira

Produção

Mestrado em Promoção da Saúde

Dr. Maurício Lamano, Dra. Natália Cristina Vargas e Silva,
Dra. Gina Andrade Abdala, Dra. Maria Dyrce Dias Meira

Edição 09

Nesta Edição:

ESTUDOS E PESQUISAS

SERVIÇOS E UTILIDADES

FATOS E FAKES

  • Pessoas com máscaras podem contrair o novo Coronavírus?


ESTUDOS E PESQUISAS

Diagnóstico por imagem na COVID-19

Pesquisa: The role of chest imaging in patient management during the COVID-19 pandemic: a multinational consensus statement from the Fleischner Society (DOI: 10.1016/j.chest.2020.04.003)

Autores: Geoffrey D. Rubin (Duke University School of Medicine (USA)) e equipe de colaboradores.

A pesquisa responde a qual pergunta?

Qual o papel dos exames de imagem no diagnóstico e tratamento da COVID-19?

Por que isso é importante?

Os cuidados com a saúde das pessoas infectadas pelo novo coronavírus têm sido comprometidos pela falta de recursos diagnósticos, de leitos hospitalares e de ventiladores, e pelos trabalhadores da saúde que contraem a infecção. Enquanto os casos leves se manifestam como infecções virais das vias respiratórias superiores, disfunções respiratórias são a principal causa de morbidade e mortalidade relacionadas ao agravamento da doença. Exames de imagem, como o raio-x de tórax e a tomografia computadorizada, são elementos-chave para o diagnóstico e tratamento de doenças pulmonares, mas seu papel na COVID-19 não foi avaliado dentro do contexto multifatorial da gravidade da doença.

Quais foram os resultados?

Os autores reuniram uma equipe multidisciplinar que incluía radiologistas e pneumologistas de dez países, todos com experiência no tratamento de pacientes com COVID-19 em diversos ambientes de cuidado com a saúde. Foi solicitado que eles avaliassem a utilidade dos exames de imagem em três cenários distintos: em pacientes com riscos variáveis, em condições comunitárias distintas e em situações com restrição de recursos. Perguntas sobre onze pontos de decisão, dentro dos cenários propostos, além de três situações clínicas adicionais, foram avaliadas pelos especialistas sob a ótica da utilidade dos exames de imagem. O painel concluiu, dentre outras recomendações, que radiografias diárias não são indicadas para pacientes com COVID-19 estáveis e intubados, que a tomografia computadorizada é recomendada para pacientes com limitações funcionais ou hipoxemia após recuperação da COVID-19, e que o teste para a COVID-19 é indicado para pacientes com achados radiológicos típicos de COVID-19 na tomografia.


Paolo Miranda

Projeção da dinâmica do SARS-CoV-2 no período pós-pandemia

Pesquisa: Projecting the transmission dynamics of SARS-CoV-2 through the postpandemic period (DOI: 10.1126/science.abb5793)

Autores: Stephen M. Kissler (Harvard T. H. Chan School of Public Health, USA) e equipe de colaboradores.

A pesquisa responde a qual pergunta?

Após o período crítico da pandemia de COVID-19, como ficará a transmissão da doença?

Por que isso é importante?

Compreender o futuro da transmissão do SARS-CoV-2 é essencial para as ações de prevenção e tratamento relacionadas à doença. Sazonalidade e imunidade devem ser consideradas para projetar o que provavelmente ocorrerá após a onda inicial e, possivelmente mais crítica, da doença. Isso permitirá que os governantes e gestores da área da saúde revejam as ações tomadas e planejem ações futuras, visando conter o contágio pelo novo coronavírus.

Quais foram os resultados?

Os autores desenvolveram um modelo matemático que considerava sazonalidade, dados imunológicos e dados de imunidade cruzada para o coronavírus, para estimar um modelo de transmissão após a pandemia inicial. Eles acreditam que haverá surtos de COVID-19 nos invernos dos próximos anos. Caso não surjam outras intervenções mais eficientes, o distanciamento social deverá ser mantido para não sobrecarregar o sistema de saúde, e formas de avaliá-lo devem ser planejadas. O distanciamento social intermitente ou prolongado pode ser necessário até 2022. Intervenções adicionais, incluindo a expansão das unidades de terapia intensiva e o desenvolvimento de tratamentos eficazes, podem reduzir a necessidade do distanciamento social e acelerar a aquisição de imunidade coletiva. Mas mesmo em uma eventual eliminação do SARS-CoV-2, o monitoramento deverá ser mantido, uma vez que o ressurgimento do contágio em massa poderá ocorrer até 2024.


SERVIÇOS E UTILIDADES

Cursos gratuitos

O Educa Mais Brasil fornece, em sua página da internet, uma lista de Cursos Livres gratuitos à distância. São cursos nas mais diversas áreas, oferecidos por instituições públicas e privadas. Os cursos podem ser acessados pelo computador, tablet ou celular. Muitos deles oferecem certificado, o que permite que sejam usados como horas complementares nos cursos regulares de graduação ou pós-graduação.

Supermercados online na sua região

O portal sitemercado.com.br oferece um serviço gratuito de grande utilidade em tempos de pandemia. Ao pesquisar por algum CEP, o site providencia uma lista de supermercados e outros comércios que recebem pedidos online e fazem entregas na região pesquisada. É possível, também, fazer download do aplicativo para celular, e os proprietários de comércios podem se cadastrar para que o estabelecimento apareça nas buscas.

Como fazer máscaras caseiras

O site da revista Veja Saúde disponibiliza um tutorial de como fazer máscaras caseiras com materiais simples, com ou sem costura. Há também informações sobre os tipos de tecido mais indicados, formato das máscaras e cuidados ao usá-las. Camisetas velhas, sacos de aspirador de pó e lenços de tecido podem ser utilizados para a proteção contra a COVID-19, de forma prática e econômica.


FATOS E FAKES

Pessoas com máscaras podem contrair o novo Coronavírus?

A resposta é: SIM, é fato! O uso de máscaras é recomendado para todos que precisarem sair de casa durante a pandemia de COVID-19. No entanto, apesar de proteger contra a doença, a máscara não a evita completamente. A principal forma de contágio é através do ar. Quando uma pessoa contaminada tosse ou espirra, ela espalha o vírus. Quando outra pessoa respira, a máscara, que deve estar bem ajustada ao rosto, filtra o ar e suas partículas, que acima de um determinado tamanho não conseguem passar pela barreira física do tecido. Mesmo assim, as máscaras comuns só fornecem proteção contra as maiores gotículas de fluidos corporais, o que faz com que ela possa causar uma falsa sensação de segurança, apesar de não filtrar o ar de forma 100% eficaz. Além disso, existe ainda outra forma importante de transmissão da doença, que é o contato das mãos com superfícies contaminadas. Por isso, é importante evitar tocar os olhos, o nariz e a boca sem higienização adequada das mãos (com água e sabão ou álcool 70% líquido ou em gel). Sendo assim, a dica é utilizar a máscara como um cuidado extra, e não substituir outras medidas preventivas, como a lavagem constante das mãos, o distanciamento social e a permanência em casa o máximo possível.


Organização

Pró-Reitoria de Pesquisa e Desenvolvimento Institucional

Comitê Científico – Contingência COVID-19

Dr. Allan Novaes, Dr. Fabio Alfieri, Dra. Maristela Martins,
Dra. Gildene Lopes, Dr. Rodrigo Follis, Dra. Lanny Soares e Dra. Naomi Vidal Ferreira

Produção

Mestrado em Promoção da Saúde

Dr. Maurício Lamano, Dra. Natália Cristina Vargas e Silva

Edição 08

Nesta Edição:

ESTUDOS E PESQUISAS

SERVIÇOS E UTILIDADES

FATOS E FAKES

  • O saboroso alho pode ser utilizado para tratar e/ou combater a COVID-19?


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ESTUDOS E PESQUISAS

A COVID-19 e seus desdobramentos na saúde mental da população brasileira

Pesquisa: Pandemic fear and COVID-19: mental health burden and strategies (DOI: 10.1590/1516-4446-2020-0008)

Autores: Felipe Ornell (Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas, Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil; Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria e Ciências do Comportamento, Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal, Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil. IBGEN Business School, Grupo Uniftec, Porto Alegre, RS, Brasil) e equipe de colaboradores

A pesquisa responde a qual pergunta?

Existe uma pandemia de medo/estresse concomitante com a pandemia de COVID-19? Como podemos avaliar esse fenômeno?

Por que isso é importante?

Embora doenças infecciosas tenham surgido várias vezes na história, nos últimos anos a globalização e o modo de vida facilitaram a disseminação de agentes patológicos, resultando em intensos problemas de saúde coletiva, dentre os quais se destaca o atual problema da COVID-19. Esse contemporâneo atributo pandêmico tem um importante impacto político, econômico e psicossocial, levando a desafios urgentes de saúde pública. Atualmente vivemos a crise do novo coronavírus, o qual tem alta transmissibilidade e tem causado uma série de desordens no âmbito social e político, sendo isso causa de medo e ansiedade em parte da população. O medo é um mecanismo de defesa que visa à adaptação dos organismos, sendo fundamental para a sobrevivência, e que envolve processos de preparação para uma resposta a possíveis eventos ameaçadores. No entanto, quando é crônico ou desproporcional, torna-se prejudicial e pode ser um componente-chave no desenvolvimento de vários transtornos psiquiátricos. Em uma pandemia, o medo aumenta os níveis de ansiedade e estresse em indivíduos saudáveis e intensifica os sintomas daqueles com transtornos psiquiátricos pré-existentes. Logo, estudar parâmetros da saúde mental associados ao medo se faz necessário, pincipalmente em um momento no qual os casos diários de pessoas infectadas não param de crescer.

Quais foram os resultados?

O artigo da equipe do Dr. Ornell, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, traz como principal resultado algumas recomendações de saúde mental durante pandemias e catástrofes em grande escala, como essa que vivemos. Dentre as principais ações sugeridas para o governo, destacam-se: i) incentivar a participação de equipes multidisciplinares de saúde mental nos níveis nacional, estadual e municipal; ii) fornecer canais oficiais de informações atualizadas para o público; iii) fornecer treinamento em gerenciamento de estresse, trauma e depressão; iv) fornecer canais de serviço alternativos (aplicativos, sites, telefone); v) padronizar medicamentos psicotrópicos e disponibilizá-los; e vi) monitorar e refutar Fake News em todas as suas instâncias. Dentre as recomendações individuais, os autores destacaram: i) cuidar de si e dos outros, mantendo contato (remoto, quando aplicável) com amigos e família, além de encontrar tempo para atividades de lazer; ii) limitar a exposição a notícias relacionadas à pandemia, uma vez que certas informações podem desencadear distúrbios de ansiedade; iii) dar atenção redobrada às suas próprias necessidades, sentimentos e pensamentos; iv) desenvolver um sentimento de pertencimento ao processo de cuidado coletivo; e v) evitar confundir a solidão do confinamento preventivo com abandono, rejeição ou desamparo. Os autores finalizam o artigo destacando que, protocolos de assistência, como aqueles usados em situações de desastre, devem cobrir assuntos relevantes para a saúde mental individual e coletiva.


Paolo Miranda

Nova droga anticoagulante (heparina) pode contribuir no combate à infecção pelo novo coronavírus

Pesquisa: Heparin inhibits cellular invasion by SARS-CoV-2: structural dependence of the interaction of the surface protein (spike) S1 receptor binding domain with heparin. (DOI: 10.1101/2020.04.28.066761.)

Autores: Courtney J. Mycroft-West (Molecular & Structural Biosciences, School of Life Sciences, Keele University, Newcastle-Under-Lyme, Staffordshire, UK) e equipe de colaboradores

A pesquisa responde a qual pergunta?

A heparina pode servir como terapia no combate à infecção pelo novo coronavírus?

Por que isso é importante?

Mais de 4 milhões de pessoas em todo o mundo testaram positivo para o novo coronavírus desde o início do surto epidêmico, na China, e esse número tem crescido rapidamente. O sistema de saúde brasileiro, como o de muitos países, parece caminhar para o colapso, caso medidas severas de restrição de contágio e transmissão não sejam eficazes, ou caso não surjam novas drogas que combatam a COVID-19. Nesse sentido, surge a necessidade de um tratamento seguro e eficaz para a doença. As mídias têm mostrado que cientistas de todo o mundo se esforçam coletivamente para encontrar uma cura, porém, pouco se tem de factível até o presente momento. A heparina, um medicamento anticoagulante bem tolerado, tem sido usada com segurança em medicamentos há mais de 80 anos e, juntamente com suas atividades anticoagulantes, a substância tem capacidade de prevenir a infecção viral, inclusive por membros do grupo taxonômico Coronaviridae. Nesse sentido, pesquisadores do Reino Unido e da Itália desenvolveram um estudo para avaliar a eficácia da heparina no combate à COVID-19.

Quais foram os resultados?

O trabalho, liderado pela pesquisadora Courtney Mycroft-West, demonstrou que uma nova droga, a heparina, pode ser a luz no fim do túnel para o surto do novo coronavírus. No artigo publicado na revista bioRxiv, os pesquisadores mediram a produção do vírus em uma condição controlada com heparina e em outra sem heparina. Na condição com heparina, os autores observaram reduções no número de unidades formadoras de placas, ou seja, o estudo sob condições controladas se mostrou eficiente no combate à COVID-19. Observou-se nesse estudo que a heparina pode se ligar ao receptor de proteína Spike (S1) do vírus e induzir a uma mudança na estrutura dessa proteína, podendo ser eficiente no combate à doença. Agora, basta esperar que estudos complementares sejam realizados para se ter mais propriedade na proposição de uma nova e esperançosa droga contra o coronavírus.


SERVIÇOS E UTILIDADES

Missão COVID

A “Missão Covid” é uma plataforma que aproxima médicos e pacientes com COVID-19. Nela é possível encontrar informações e orientações sobre a doença, bem como formas de prevenção e tratamento. Pessoas com sintomas podem agendar consulta com profissionais médicos gratuitamente, através da telemedicina. A plataforma oferece um local específico para o cadastro de médicos voluntários, que prestam esse importante serviço à população.

Videoconferência gratuita

A Cisco systems, desenvolvedora do Webex, um dos softwares de videoconferência mais utilizados no mundo, está oferecendo gratuitamente seu programa para alguns países afetados pela pandemia de COVID-19, dentre eles o Brasil. Além de não haver limite de tempo de uso, a plataforma suporta até 100 participantes por vez e permite o compartilhamento de arquivos, tela e aplicativos. O download pode ser feito por pessoas físicas ou jurídicas, diretamente no site da empresa.

Assinatura de contratos online

Em tempos de isolamento social, a assinatura de documentos torna-se um desafio. Pensando nisso, o Assine Online, plataforma de assinatura digital de documentos mantida pela empresa Soluti, está oferecendo uma versão gratuita de assinatura de documentos e contratos pelo seu website. As assinaturas pela plataforma têm validade jurídica e é possível compartilhar os documentos de forma segura e legítima.


FATOS E FAKES

O saboroso alho pode ser utilizado para tratar e/ou combater a COVID-19?

Comer muito alho cria uma proteção imunológica contra o novo coronavírus?

Muitas vezes, adotamos receitas caseiras como alternativa eficiente no combate a doenças simples, como resfriado ou crise de tosse. Esse tipo de conhecimento tem sido passado entre gerações e o uso de chás ou outros remédios caseiros são, muitas vezes, as primeiras alternativas contra o mal-estar. No entanto, algumas mensagens compartilhadas na internet têm sugerido a ingestão de alho como forma de combater e se prevenir contra a infecção causada pelo novo coronavírus. No entanto, o alho NÃO serve como terapia de combate à COVID-19. Embora este alimento seja saudável e de fato apresente princípios ativos com propriedades antivirais, a OMS confirmou que não há evidências suficientes de que a ingestão de alho vá proteger o indivíduo contra a infecção pelo vírus, caso a pessoa entre em contato com ele. Isso foi relatado no site da BBC, junto a outros mitos sobre a nossa alimentação.


Organização

Pró-Reitoria de Pesquisa e Desenvolvimento Institucional

Comitê Científico – Contingência COVID-19

Dr. Allan Novaes, Dr. Fabio Alfieri, Dra. Maristela Martins,
Dra. Gildene Lopes, Dr. Rodrigo Follis, Dra. Lanny Soares e Dra. Naomi Vidal Ferreira

Produção

Mestrado em Promoção da Saúde

Dr. Maurício Lamano, Dra. Natália Cristina Vargas e Silva

Edição 07

Nesta Edição:

ESTUDOS E PESQUISAS

SERVIÇOS E UTILIDADES

FATOS E FAKES

  • Água fervida com alho pode ser utilizada para tratar a Covid-19?


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ESTUDOS E PESQUISAS

Relatos recentes de terapias antivirais para o novo Coronavírus

Pesquisa: SARS-CoV-2: Recent reports on antiviral therapies based on Lopinavir/Ritonavir, Darunavir/Umifenovir, Hydroxychloroquine, Remdesivir, Favipiravir and other drugs for the treatment of the new coronavirus (DOI: 10.2174/0929867327666200416131117)

Autores: Michele Costanzo (Departamento de Medicina Molecular e Biotecnologia da Universidade de Nápoles – Itália, e CEINGE Biotecnologia, Nápoles – Itália) e equipe de colaboradores

A pesquisa responde a qual pergunta?

Quais as atualizações mais recentes sobre a eficácia de drogas experimentais no tratamento da COVID-19?

Por que isso é importante?

Nas últimas semanas, publicações científicas e jornais de grande circulação têm reportado a eficácia de diferentes drogas no tratamento do novo coronavírus. Um dos tratamentos mais estudados tem sido a combinação de drogas antivirais, os chamados “coquetéis”. Entretanto, essas drogas, bem como o tipo de administração, foram originalmente desenvolvidos para o tratamento de outras doenças, causadas por agentes infecciosos diferentes. Alguns resultados são otimistas, outros não têm tido o mesmo sucesso. Assim, uma revisão das últimas pesquisas sobre essa temática poderá contribuir para se avaliar, de forma mais detalhada, as evidências disponíveis, até o momento, sobre esse tipo de tratamento.

Quais foram os resultados?

Estudos in vitro revelaram que o Remdesivir, uma substância que age sobre um amplo espectro de RNAs virais e que já foi usada no tratamento do Ebola, bem como o antimalárico e antirreumático Hidroxicloroquina, parecem ter efeito significativo no controle da infecção por SARS-CoV-2. Um estudo de caso envolvendo o Remdesivir verificou grande melhora do quadro pulmonar do paciente em apenas 24 horas, sem efeitos colaterais. Isso levou ao início de dois novos estudos clínicos envolvendo essa droga, na China, que ainda estão em andamento. O Favipiravir, outra droga utilizada com sucesso no tratamento do Ebola, tem mostrado resultados promissores contra a COVID-19. Estudos preliminares desenvolvidos por pesquisadores chineses observaram que a ação antiviral do Favipiravir foi mais potente que a do Lopinavir/Ritonavir, sem efeitos colaterais importantes. O Tocilizumabe vem sendo estudado na Itália, e há evidências de que essa droga é capaz de melhorar a resposta imune à COVID-19. O aumento do número de pacientes recuperados é um ponto importante a favor das terapias experimentais. A pneumonia causada pelo novo coronavírus pode, aparentemente, ser tratada com as drogas antivirais já existentes, sem efeitos colaterais importantes. Apesar das evidências disponíveis até o momento, a literatura ainda é escassa em estudos clínicos controlados, um tipo de estudo que é essencial para que conclusões assertivas possam ser tiradas. Ainda assim, o tratamento precoce é de suma importância para prevenir o aparecimento de sintomas mais graves da infecção por COVID-19.



Paolo Miranda

Saúde mental de profissionais da saúde envolvidos no tratamento da Covid-19

Pesquisa: Factors associated with mental health outcomes among health care workers exposed to coronavirus disease 2019 (DOI: 10.1001/jamanetworkopen.2020.3976)

Autores: Jianbo Lai (Universidade de Zhejiang – China, Hospital Renmin da Universidade de Wuhan – China, Hospital Youfu de Wuhan – China, Hospital Jingmen – China, Hospital Wuhan Wudong – China) e equipe de colaboradores

A pesquisa responde a qual pergunta?

Qual o impacto sobre a saúde mental dos profissionais da saúde que atuam na linha de frente do tratamento às pessoas infectadas pelo novo coronavírus na China?

Por que isso é importante?

Devido ao grande estresse causado pela velocidade de crescimento da pandemia da COVID-19, à carga de trabalho preocupante, à escassez de equipamentos de proteção, ao assédio da mídia, à ausência de um tratamento específico e à falta de suporte adequado, os profissionais de saúde envolvidos no diagnóstico e tratamento dos pacientes infectados apresentam risco aumentado de desenvolver sofrimento psicológico, bem como outros sintomas relacionados à saúde mental.

Quais foram os resultados?

O estudo envolveu 1257 profissionais de saúde e verificou alta prevalência de sintomas de prejuízo da saúde mental. Foi observado que 70% dos profissionais apresentavam sofrimento psicológico e mais da metade dos entrevistados apresentavam sintomas de depressão, ansiedade, insônia e angústia. A maioria dos participantes da pesquisa eram mulheres jovens (de 26 a 40 anos), e aquelas que apresentaram sintomas de maior gravidade eram enfermeiras que atuavam na linha de frente do tratamento da COVID-19, na cidade de Wuhan. As fontes de sofrimento incluíam sentimentos de vulnerabilidade; perda de controle; preocupação com a própria saúde, com a disseminação do vírus e com a saúde dos seus familiares; mudanças na carga de trabalho; e necessidade de ficar em isolamento. Esses achados reforçam a necessidade de proteger os profissionais de saúde, o que se configura como uma importante ação de saúde pública relacionada à pandemia de COVID-19. Intervenções de promoção do bem-estar psicológico devem ser implementadas, em especial entre os trabalhadores da linha de frente.


SERVIÇOS E UTILIDADES

Auxílio emergencial

O Auxílio Emergencial é um benefício destinado aos trabalhadores informais, aos microempreendedores individuais, aos profissionais autônomos e a pessoas desempregadas. O benefício, no valor de R$600, será pago durante 3 meses, para até 2 pessoas da mesma família. As pessoas cadastradas no Bolsa Família também podem atender aos requisitos para o Auxílio Emergencial, mas, durante o recebimento do Auxílio, o valor do Bolsa Família será suspenso. O pagamento, para os trabalhadores com cadastro aprovado, se dará através de depósito em conta poupança. Para se cadastrar, basta acessar o site “auxilio.caixa.gov.br” ou baixar o aplicativo “Caixa Auxílio Emergencial”.

Serviços que estão proibidos de operar durante a pandemia

Escolas e universidades de todo o Brasil seguem fechadas como estratégia de prevenção à transmissão do novo coronavírus, mas os governos de alguns estados começaram a flexibilizar as medidas restritivas no país. Em Santa Catarina, por exemplo, agências bancárias, academias, shoppings, restaurantes e serviços de autônomos e profissionais liberais já foram autorizados. O site da Agência Brasil (mantido pela EBC – Empresa Brasil de Comunicações) fornece informações atualizadas sobre a situação da pandemia, sobre o comércio e sobre serviços nos estados brasileiros.

Disque Coronavírus

A Universidade Federal de Juiz de Fora, em parceira com a prefeitura da cidade, lançou recentemente um serviço de atendimento telefônico e online para esclarecer dúvidas sobre a COVID-19. O serviço também oferece orientações sobre como proceder em caso de suspeita da doença, com encaminhamento ao profissional de saúde, conforme a necessidade, após um autodiagnóstico orientado. As orientações pelo site, ou ligações, são gratuitas e também esclarecem questões relacionadas às comorbidades, até mesmo para aqueles que não foram infectados.


FATOS E FAKES

Água fervida com alho pode ser utilizada para tratar a Covid-19?

Circula pelas redes sociais uma receita, atribuída a um médico chinês, que sugere a ingestão de 7 xícaras de água fervida com 8 dentes de alho, para supostamente prevenir e até curar a infecção pelo novo coronavírus. Seria verdade? Infelizmente, a resposta é: não; trata-se de mais uma fake news. Até o momento, não há nenhum medicamento, substância, vitamina, alimento ou vacina que possa prevenir a infecção pela COVID-19. As únicas recomendações preventivas seguem sendo: evitar contato próximo com pessoas que sofrem de infecções respiratórias, lavar as mãos com frequência, higienizar o nariz com lenços descartáveis, cobrir o nariz e a boca quando espirrar ou tossir, evitar tocar os olhos, o nariz e a boca, higienizar as mãos após tossir ou espirrar, não compartilhar objetos de uso pessoal, manter os ambientes bem ventilados, e evitar contato próximo com animais selvagens ou doentes em fazendas ou criações.


Organização

Pró-Reitoria de Pesquisa e Desenvolvimento Institucional

Comitê Científico – Contingência COVID-19

Dr. Allan Novaes, Dr. Fabio Alfieri, Dra. Maristela Martins, Dra. Gildene Lopes,
Dr. Rodrigo Follis, Dra. Lanny Soares e Dra. Naomi Vidal Ferreira

Produção

Mestrado em Promoção da Saúde

Dr. Maurício Lamano, Dra. Natália Cristina Vargas e Silva

Edição 06

Nesta Edição:

ESTUDOS E PESQUISAS

SERVIÇOS E UTILIDADES

FATOS E FAKES

  • O álcool 70% pode causar sintomas do novo coronavírus?


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ESTUDOS E PESQUISAS

Efeitos do isolamento social na qualidade do ar

Pesquisa: Changes in air quality during the lockdown in Barcelona (Spain) one month into the SARS-CoV-2 epidemic (doi: 10.1016/j.scitotenv.2020.138540)

Autores: Aurelio Tobías (Institute of Environmental Assessment and Water Research (IDAEA), Spanish Council for Scientific Research (CSIC), Barcelona, Spain) e equipe de colaboradores

A pesquisa responde a qual pergunta?

O isolamento social decorrente da crise do novo coronavírus na Espanha promoveu alterações significativas na qualidade do ar?

Por que isso é importante?

O elevado número de casos de COVID-19 na Espanha levou as autoridades públicas a promoverem o chamado lockdown (isolamento social) nos últimos meses. Tais medidas estão fortemente associadas à diminuição da poluição atmosférica nas grandes cidades, cuja maior fonte de emissão de contaminantes aéreos é sua frota veicular. Diversos casos de morte por problemas respiratórios ou infecciosos são registrados diariamente no mundo, decorrentes da poluição do ar em centros urbanos. Além disso, a redução da poluição atmosférica beneficia pessoas que sofrem de asma, principalmente em meses com baixos índices de umidade relativa do ar. Desta forma, torna-se imprescindível conhecer os efeitos da diminuição da poluição atmosférica sobre a saúde humana, para que, no período “pós crise por COVID-19”, sejam discutidas políticas públicas ambientais que restrinjam o uso de combustíveis fósseis e as emissões desenfreadas de contaminantes aéreos.

Quais foram os resultados?

Os pesquisadores observaram que, após duas semanas de lockdown, a poluição do ar urbano diminuiu acentuadamente, com diferenças substanciais entre os poluentes. A redução mais significativa foi observada para o Dióxido de Nitrogênio (NO2), poluente principalmente relacionado às emissões veiculares. A menor redução foi observada para o Material Particulado (PM10). Por outro lado, os níveis de Ozônio Troposférico (O3) aumentaram. Também foram evidenciadas diferenças relevantes nos parâmetros meteorológicos ao longo do período de lockdown na Espanha. Os autores mencionaram que, com a continuidade do isolamento social, há uma tendência de redução da maioria dos poluentes atmosféricos. No entanto, embora os resultados elucidem uma condição do ambiente físico, o tempo de duração do estudo ainda não foi suficiente para permitir a generalização de suas conclusões. A diminuição da poluição aérea e seus possíveis benefícios à saúde pública como um todo ainda não puderam ser avaliados. Espera-se que, ao longo dos próximos meses, seja possível ter bases mais concretas para verificar os efeitos benéficos da diminuição da contaminação do ar.


Transmissão vertical da COVID-19 em gestantes

Pesquisa: Clinical characteristics and intrauterine vertical transmission potential of COVID-19 infection in nine pregnant women: a retrospective review of medical records (DOI: 10.1016/S0140-6736(20)30360-3)

Autores: Huijun Chen (Department of Gynaecology and Obstetrics, Zhongnan Hospital of Wuhan University, Wuhan, Hubei, China; Clinical Medicine Research Centre of Prenatal Diagnosis and Birth Health in Hubei Province, Wuhan, Hubei, China) e equipe de colaboradores

A pesquisa responde a qual pergunta?

Quais as características clínicas de gestantes infectadas pelo novo coronavírus? Há potencial de transmissão vertical (para o bebê) nessas mulheres?

Por que isso é importante?

Devido à velocidade dos fatos relacionados à pandemia de COVID-19, gestantes infectadas ainda não foram amplamente estudadas. Dessa forma, não se sabe se o novo coronavírus pode se disseminar pelo líquido amniótico, pelo sangue do cordão umbilical ou mesmo pelo leite materno. Frente a isso, informações sobre a contaminação vertical dos bebês por suas mães são de extrema importância, para que ações preventivas possam ser adotadas pelas gestantes.

Quais foram os resultados?

Os autores avaliaram as características clínicas de nove gestantes com diagnóstico confirmado de COVID-19. A doença foi adquirida no último trimestre da gestação e os sintomas eram similares aos observados em mulheres adultas não gestantes: febre, tosse, e, em poucos casos, dor muscular, mal-estar, dor de garganta, diarreia e falta de ar. Nenhuma das pacientes acompanhadas pelos pesquisadores desenvolveu pneumonia grave, nem  veio a óbito. Com base nos achados do estudo, não há evidências conclusivas de que a infecção por COVID-19 ao final da gestação possa causar pneumonia grave ou levar à ocorrência de efeitos adversos nos neonatos. Ainda assim, frente à incerteza quanto à transmissão da mãe para o filho durante o parto, recomendou-se que todas as gestantes do estudo realizassem parto cesáreo. Os testes no líquido amniótico e no sangue do cordão umbilical, coletados no momento do parto, apresentaram resultado negativo para COVID-19, sugerindo que não houve contaminação vertical. As amostras do leite materno das mães infectadas também não apresentaram indícios de contaminação pela COVID-19. Após o nascimento, nenhum dos nove bebês precisou de cuidados pediátricos diferenciados. Apesar dos dados encontrados pelos autores, a amostra pequena impede a generalização das conclusões, e mais estudos ainda se fazem necessários para confirmar esses dados.


SERVIÇOS E UTILIDADES

As comunidades religiosas e a COVID-19

Por conta da pandemia de COVID-19, muitas igrejas foram forçadas a se adaptar à nova realidade do distanciamento social. A Universidade do Texas (Estados Unidos) lançou recentemente um e-book sobre os cultos religiosos online. Além de registrar esse momento na história das religiões, o livro visa beneficiar as comunidades religiosas na medida em que discute os desafios práticos dos cultos mediados por tecnologia. Relatos de líderes de diversas denominações religiosas, de vários países, podem ser encontrados na obra, que pode ser baixada gratuitamente em formato pdf.

Central de conteúdo COVID-19 – Rádio UNASP

A central de jornalismo da Unasp-FM disponibilizou em seu site uma central de conteúdo sobre a COVID-19. Em meio a tantas notícias desanimadoras, um dos podcasts do dia 27 de abril traz boas notícias, de fontes confiáveis, sobre a evolução do novo coronavírus no Brasil e no mundo. A plataforma também disponibiliza, diariamente, notícias relacionadas ao auxílio financeiro emergencial oferecido pelo governo, às eleições municipais de 2020 e a muitos outros temas relacionados à pandemia.

Versão online de livros técnicos sobre ciência e tecnologia disponíveis para download

Alguns dos livros mais caros sobre ciência e tecnologia estão disponíveis para download gratuito durante esse período de quarentena. O catálogo contempla obras de diferentes temáticas. Para adquirir o seu exemplar, basta visitar o link abaixo e acessar os títulos disponíveis. Aproveite logo a oportunidade, pois essa chance pode ser por tempo limitado!


FATOS E FAKES

O álcool 70% pode causar sintomas do novo coronavírus?

Um vídeo que circula nas redes sociais diz que o uso de álcool 70% em demasia pode levar à insuficiência respiratória e até matar. Contrariando as orientações dadas pelos órgãos de saúde pública, a mensagem diz que o uso do produto, em gel ou na forma líquida, deve ser evitado, e que as pessoas devem higienizar as mãos somente com água e sabão. Essa informação é verdadeira?A resposta é: não. Trata-se de mais uma fake news. O álcool somente apresentará efeito nocivo à saúde se houver ingestão oral e excessiva. Seu uso tópico para desinfecção das mãos e de outras superfícies não tem nenhuma relação com a falência do sistema imunológico ou a insuficiência respiratória mencionadas no vídeo. O uso excessivo do álcool 70% diretamente sobre a pele pode causar, no máximo, ressecamento e rachaduras. O produto também não é poluente se usado somente para esse tipo de higienização, e não há registros de toxicidade relacionada ao uso tópico do álcool 70%.


Organização

Pró-Reitoria de Pesquisa e Desenvolvimento Institucional

Comitê Científico – Contingência COVID-19

Dr. Allan Novaes, Dr. Fabio Alfieri, Dra. Maristela Martins,
Dra. Gildene Lopes, Dr. Rodrigo Follis, Dra. Lanny Soares e Dra. Naomi Vidal Ferreira

Produção

Mestrado em Promoção da Saúde

Dr. Maurício Lamano, Dra. Natália Cristina Vargas e Silva

Edição 05

Nesta Edição:

ESTUDOS E PESQUISAS

SERVIÇOS E UTILIDADES

FATOS E FAKES

  • A ingestão de bebidas quentes pode matar o novo coronavírus?


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ESTUDOS E PESQUISAS

Terapia a partir de plasma convalescente como método alternativo de combate ao COVID-19

PesquisPesquisa:The feasibility of convalescent plasma therapy in severe COVID-19 patients: a pilot study (DOI: 10.1101/2020.03.16.20036145)

Autores: Kai Duan (China National Biotec Group Company Limited) e equipe de pesquisadores

A pesquisa responde a qual pergunta?

A terapia a partir de plasma convalescente é eficaz no combate ao COVID-19?

Por que isso é importante?

Até meados de março, havia um total de 80.980 casos confirmados de COVID-19 na China, com mais de 3 mil mortes reportadas no país asiático. Desde o início de 2020, a doença tem se espalhado de forma assustadora por diversos países, abalando o setor econômico e assustando pessoas ao redor do mundo. Assim, o novo coronavírus tem sido uma forte ameaça à sociedade, bem como à saúde pública e à economia de diversos países. Seu tratamento ainda não é conhecido pela comunidade científica e vários métodos têm sido propostos e testados no combate à doença. Atualmente, não há agentes antivirais específicos e com eficácia comprovada contra o novo coronavírus; porém, alguns autores têm proposto a terapia com plasma convalescente, ou seja, plasma que já possui anticorpos específicos contra o vírus.  Esse tipo de terapia já foi aplicado na prevenção e tratamento de muitas doenças infecciosas durante o século passado. Nas últimas duas décadas, a terapia com plasma tem sido utilizada com relativo sucesso em diversas situações, destacando-se o tratamento do surto de H1N1 no ano de 2009.

Quais foram os resultados?

Um estudo liderado pelo Dr. Duan e seus colaboradores submeteu dez pacientes com COVID-19 à infusão de plasma convalescente de doadores recém recuperados da doença, ou seja, pacientes que testaram positivo para o novo coronavírus e produziram anticorpos como mecanismo de resposta ao patógeno. Os pacientes que receberam o plasma adquiriram, de forma manipulada, agentes de defesa do corpo humano que “neutralizam” o vírus e impedem a sua proliferação, e consequentemente a manifestação de sintomas. Como resultado disso, os pesquisadores perceberam que, após três dias da transfusão de plasma, já houve melhora substancial de alguns sintomas da COVID-19. De acordo com os cientistas, o nível de anticorpos neutralizantes aumentou rapidamente. Exames radiológicos mostraram graus variados de absorção das lesões pulmonares em sete dias, apontando para a eficácia da terapia. Porém, os autores da pesquisa destacam que ainda são necessários mais estudos para se estabelecer, de forma segura, a dose e o benefício clínico da terapia com plasma convalescente, de forma que esse tipo de tratamento possa ser reconhecido como uma medida eficaz no combate à COVID-19.


Estudos demográficos como ferramenta para a tomada de decisão e elaboração de ações públicas na pandemia

Pesquisa: Demographic science aids in understanding the spread and fatality rates of COVID-19

Autores: Imperial College CAutores: Jennifer Beam Dowd (Leverhulme Centre for Demographic Science, Nuffield College, University of Oxford, UK) e equipe de pesquisadores

A pesquisa responde a qual pergunta?

A estrutura etária da população é um atributo que pode auxiliar a tomada de decisão de gestores públicos em relação à COVID-19?

Por que isso é importante?

A velocidade com que os fatos relacionados ao novo coronavírus se disseminam é assustadora. As estatísticas sobre a COVID-19 impressionam, e os casos de morte duplicam em poucos dias em diversos países do mundo, gerando uma instabilidade nas tomadas de decisão por parte dos gestores públicos. No entanto, o maior problema se refere à diversidade das informações e à instabilidade das previsões com que cada país está se deparando. Segundo artigo publicado na Proceedings of the National Academy of Science of the United States of America, por pesquisadores da Universidade de Oxford, governos ao redor do mundo devem se mobilizar rapidamente e tomar decisões políticas difíceis para mitigar os efeitos da pandemia e os problemas associados ao novo coronavírus. A pesquisadora Jennifer Dowd e seus colaboradores comentam que a estrutura etária da população pode explicar a notável variação nas fatalidades entre os diferentes países, bem como a vulnerabilidade observada na Itália, um dos locais mais atingidos pela COVID-19. Informações dessa natureza são importantes para aprimorar modelos matemáticos e assessorar as decisões tomadas por gestores e políticos nos diversos países.

Quais foram os resultados?

Os autores mostraram que o baixo número de mortos em alguns países como Coréia do Sul e Alemanha se explica pela estrutura etária da população e pela detecção precoce da situação. No que diz respeito à disseminação do novo coronavírus, cadeias de transmissão que começam em populações mais jovens podem passar despercebidas por bastante tempo, o que pode estar associado a um certo atraso na tomada de decisões mais rígidas, como, por exemplo, o distanciamento social. Esse parece ser o caso da Inglaterra, apontado pelos pesquisadores desse estudo. Para os cientistas, uma vez estabelecida a transmissão comunitária, os países com alto contato intergeracional podem ter transmissões mais rápidas para os grupos de risco. Um resultado interessante do artigo foi a comparação entre Brasil e Nigéria. Ambos possuem tamanhos populacionais semelhantes, porém apresentam diferentes distribuições nas faixas etárias. O país sul-americano tem 2,0% de sua população acima de 80 anos, ao passo que o país africano tem apenas 0,2%. Em decorrência disso, o estudo de Oxford apontou que o Brasil poderá ter bem mais mortes (452.694) do que a Nigéria (142.056). Os autores do artigo finalizam o trabalho apontando que poucos países estão divulgando rotineiramente dados da COVID-19 com informações demográficas importantes, como idade, sexo ou comorbidades. Nesse sentido, os cientistas pedem a liberação oportuna desses dados, para permitir que pesquisadores e governos possam fazer previsões seguras e agir da forma mais sensata possível diante desse cenário alarmante.


SERVIÇOS E UTILIDADES

Atualização sobre a COVID-19 para profissionais da saúde

A Faculdade de Medicina da USP coordenou a elaboração do curso “COVID-19: Atualização e evidências para profissionais da saúde”, voltado aos profissionais e estudantes da área da saúde. São 6 módulos que abordam desde definições até gestão em saúde e educação, passando por manejo clínico, saúde mental e pesquisas, tudo com acesso gratuito. O material poderá ser reproduzido e utilizado pelos interessados.

Medidas preventivas contra o novo coronavírus

A Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde (UNA-SUS) disponibiliza, em seu portal, as principais medidas preventivas para a COVID-19. Destinada à população em geral, a página traz informações, em forma de textos, áudios e vídeos, acerca da prevenção do contágio e da contenção da proliferação do vírus, que pode causar infecção respiratória grave.

Situação da pandemia no mundo

A Organização Mundial da Saúde tem disponibilizado boletins sobre a situação da pandemia nos diversos países. Além do número de casos confirmados e de mortes no mundo e em cada continente, os informativos diários também relatam se o vírus atingiu novos territórios e quais foram os valores dos auxílios financeiros fornecidos pela entidade aos países em situação mais crítica. A curva de contágio dividida por regiões do globo é outro ponto de destaque desse serviço.


FATOS E FAKES

A ingestão de bebidas quentes pode matar o novo coronavírus?

A resposta é: não. Uma publicação que se disseminou pelo mundo dizia que médicos da linha de frente do combate à doença sugeriam a ingestão de bebidas bem quentes, como chás, água ou sopas para matar o novo coronavírus. A recomendação foi baseada na crença de que o vírus perderia sua capacidade de infecção quando exposto a 56oC ou mais por 20 a 30 minutos. Essa informação na verdade não é falsa, ela deriva da forma como os materiais médicos são esterilizados. Entretanto, é impossível elevar a temperatura corporal a esse patamar, mesmo que por poucos minutos. As pessoas que ingerem mais líquidos quentes terão apenas que ir ao banheiro com frequência, e com isso lavar mais suas mãos, o que acaba sendo benéfico. Apesar de não ter qualquer comprovação científica em relação à contenção da pandemia, tomar bebidas quentes nos dias frios pode ser uma boa opção para manter-se hidratado.


Organização

Pró-Reitoria de Pesquisa e Desenvolvimento Institucional

Comitê Científico – Contingência COVID-19

Dr. Allan Novaes, Dr. Fabio Alfieri, Dra. Maristela Martins, Dra. Gildene Lopes,
Dr. Rodrigo Follis, Dra. Lanny Soares e Dra. Naomi Vidal Ferreira

Produção

Mestrado em Promoção da Saúde

Dr. Maurício Lamano, Dra. Natália Cristina Vargas e Silva