Edição 08

Nesta Edição:

ESTUDOS E PESQUISAS

SERVIÇOS E UTILIDADES

FATOS E FAKES

  • O saboroso alho pode ser utilizado para tratar e/ou combater a COVID-19?


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ESTUDOS E PESQUISAS

A COVID-19 e seus desdobramentos na saúde mental da população brasileira

Pesquisa: Pandemic fear and COVID-19: mental health burden and strategies (DOI: 10.1590/1516-4446-2020-0008)

Autores: Felipe Ornell (Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas, Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil; Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria e Ciências do Comportamento, Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal, Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil. IBGEN Business School, Grupo Uniftec, Porto Alegre, RS, Brasil) e equipe de colaboradores

A pesquisa responde a qual pergunta?

Existe uma pandemia de medo/estresse concomitante com a pandemia de COVID-19? Como podemos avaliar esse fenômeno?

Por que isso é importante?

Embora doenças infecciosas tenham surgido várias vezes na história, nos últimos anos a globalização e o modo de vida facilitaram a disseminação de agentes patológicos, resultando em intensos problemas de saúde coletiva, dentre os quais se destaca o atual problema da COVID-19. Esse contemporâneo atributo pandêmico tem um importante impacto político, econômico e psicossocial, levando a desafios urgentes de saúde pública. Atualmente vivemos a crise do novo coronavírus, o qual tem alta transmissibilidade e tem causado uma série de desordens no âmbito social e político, sendo isso causa de medo e ansiedade em parte da população. O medo é um mecanismo de defesa que visa à adaptação dos organismos, sendo fundamental para a sobrevivência, e que envolve processos de preparação para uma resposta a possíveis eventos ameaçadores. No entanto, quando é crônico ou desproporcional, torna-se prejudicial e pode ser um componente-chave no desenvolvimento de vários transtornos psiquiátricos. Em uma pandemia, o medo aumenta os níveis de ansiedade e estresse em indivíduos saudáveis e intensifica os sintomas daqueles com transtornos psiquiátricos pré-existentes. Logo, estudar parâmetros da saúde mental associados ao medo se faz necessário, pincipalmente em um momento no qual os casos diários de pessoas infectadas não param de crescer.

Quais foram os resultados?

O artigo da equipe do Dr. Ornell, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, traz como principal resultado algumas recomendações de saúde mental durante pandemias e catástrofes em grande escala, como essa que vivemos. Dentre as principais ações sugeridas para o governo, destacam-se: i) incentivar a participação de equipes multidisciplinares de saúde mental nos níveis nacional, estadual e municipal; ii) fornecer canais oficiais de informações atualizadas para o público; iii) fornecer treinamento em gerenciamento de estresse, trauma e depressão; iv) fornecer canais de serviço alternativos (aplicativos, sites, telefone); v) padronizar medicamentos psicotrópicos e disponibilizá-los; e vi) monitorar e refutar Fake News em todas as suas instâncias. Dentre as recomendações individuais, os autores destacaram: i) cuidar de si e dos outros, mantendo contato (remoto, quando aplicável) com amigos e família, além de encontrar tempo para atividades de lazer; ii) limitar a exposição a notícias relacionadas à pandemia, uma vez que certas informações podem desencadear distúrbios de ansiedade; iii) dar atenção redobrada às suas próprias necessidades, sentimentos e pensamentos; iv) desenvolver um sentimento de pertencimento ao processo de cuidado coletivo; e v) evitar confundir a solidão do confinamento preventivo com abandono, rejeição ou desamparo. Os autores finalizam o artigo destacando que, protocolos de assistência, como aqueles usados em situações de desastre, devem cobrir assuntos relevantes para a saúde mental individual e coletiva.


Paolo Miranda

Nova droga anticoagulante (heparina) pode contribuir no combate à infecção pelo novo coronavírus

Pesquisa: Heparin inhibits cellular invasion by SARS-CoV-2: structural dependence of the interaction of the surface protein (spike) S1 receptor binding domain with heparin. (DOI: 10.1101/2020.04.28.066761.)

Autores: Courtney J. Mycroft-West (Molecular & Structural Biosciences, School of Life Sciences, Keele University, Newcastle-Under-Lyme, Staffordshire, UK) e equipe de colaboradores

A pesquisa responde a qual pergunta?

A heparina pode servir como terapia no combate à infecção pelo novo coronavírus?

Por que isso é importante?

Mais de 4 milhões de pessoas em todo o mundo testaram positivo para o novo coronavírus desde o início do surto epidêmico, na China, e esse número tem crescido rapidamente. O sistema de saúde brasileiro, como o de muitos países, parece caminhar para o colapso, caso medidas severas de restrição de contágio e transmissão não sejam eficazes, ou caso não surjam novas drogas que combatam a COVID-19. Nesse sentido, surge a necessidade de um tratamento seguro e eficaz para a doença. As mídias têm mostrado que cientistas de todo o mundo se esforçam coletivamente para encontrar uma cura, porém, pouco se tem de factível até o presente momento. A heparina, um medicamento anticoagulante bem tolerado, tem sido usada com segurança em medicamentos há mais de 80 anos e, juntamente com suas atividades anticoagulantes, a substância tem capacidade de prevenir a infecção viral, inclusive por membros do grupo taxonômico Coronaviridae. Nesse sentido, pesquisadores do Reino Unido e da Itália desenvolveram um estudo para avaliar a eficácia da heparina no combate à COVID-19.

Quais foram os resultados?

O trabalho, liderado pela pesquisadora Courtney Mycroft-West, demonstrou que uma nova droga, a heparina, pode ser a luz no fim do túnel para o surto do novo coronavírus. No artigo publicado na revista bioRxiv, os pesquisadores mediram a produção do vírus em uma condição controlada com heparina e em outra sem heparina. Na condição com heparina, os autores observaram reduções no número de unidades formadoras de placas, ou seja, o estudo sob condições controladas se mostrou eficiente no combate à COVID-19. Observou-se nesse estudo que a heparina pode se ligar ao receptor de proteína Spike (S1) do vírus e induzir a uma mudança na estrutura dessa proteína, podendo ser eficiente no combate à doença. Agora, basta esperar que estudos complementares sejam realizados para se ter mais propriedade na proposição de uma nova e esperançosa droga contra o coronavírus.


SERVIÇOS E UTILIDADES

Missão COVID

A “Missão Covid” é uma plataforma que aproxima médicos e pacientes com COVID-19. Nela é possível encontrar informações e orientações sobre a doença, bem como formas de prevenção e tratamento. Pessoas com sintomas podem agendar consulta com profissionais médicos gratuitamente, através da telemedicina. A plataforma oferece um local específico para o cadastro de médicos voluntários, que prestam esse importante serviço à população.

Videoconferência gratuita

A Cisco systems, desenvolvedora do Webex, um dos softwares de videoconferência mais utilizados no mundo, está oferecendo gratuitamente seu programa para alguns países afetados pela pandemia de COVID-19, dentre eles o Brasil. Além de não haver limite de tempo de uso, a plataforma suporta até 100 participantes por vez e permite o compartilhamento de arquivos, tela e aplicativos. O download pode ser feito por pessoas físicas ou jurídicas, diretamente no site da empresa.

Assinatura de contratos online

Em tempos de isolamento social, a assinatura de documentos torna-se um desafio. Pensando nisso, o Assine Online, plataforma de assinatura digital de documentos mantida pela empresa Soluti, está oferecendo uma versão gratuita de assinatura de documentos e contratos pelo seu website. As assinaturas pela plataforma têm validade jurídica e é possível compartilhar os documentos de forma segura e legítima.


FATOS E FAKES

O saboroso alho pode ser utilizado para tratar e/ou combater a COVID-19?

Comer muito alho cria uma proteção imunológica contra o novo coronavírus?

Muitas vezes, adotamos receitas caseiras como alternativa eficiente no combate a doenças simples, como resfriado ou crise de tosse. Esse tipo de conhecimento tem sido passado entre gerações e o uso de chás ou outros remédios caseiros são, muitas vezes, as primeiras alternativas contra o mal-estar. No entanto, algumas mensagens compartilhadas na internet têm sugerido a ingestão de alho como forma de combater e se prevenir contra a infecção causada pelo novo coronavírus. No entanto, o alho NÃO serve como terapia de combate à COVID-19. Embora este alimento seja saudável e de fato apresente princípios ativos com propriedades antivirais, a OMS confirmou que não há evidências suficientes de que a ingestão de alho vá proteger o indivíduo contra a infecção pelo vírus, caso a pessoa entre em contato com ele. Isso foi relatado no site da BBC, junto a outros mitos sobre a nossa alimentação.


Organização

Pró-Reitoria de Pesquisa e Desenvolvimento Institucional

Comitê Científico – Contingência COVID-19

Dr. Allan Novaes, Dr. Fabio Alfieri, Dra. Maristela Martins,
Dra. Gildene Lopes, Dr. Rodrigo Follis, Dra. Lanny Soares e Dra. Naomi Vidal Ferreira

Produção

Mestrado em Promoção da Saúde

Dr. Maurício Lamano,
Dra. Natália Cristina Vargas e Silva, Dra. Cristina Zukowsky-Tavares

Edição 07

Nesta Edição:

ESTUDOS E PESQUISAS

SERVIÇOS E UTILIDADES

FATOS E FAKES

  • Água fervida com alho pode ser utilizada para tratar a Covid-19?


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ESTUDOS E PESQUISAS

Relatos recentes de terapias antivirais para o novo Coronavírus

Pesquisa: SARS-CoV-2: Recent reports on antiviral therapies based on Lopinavir/Ritonavir, Darunavir/Umifenovir, Hydroxychloroquine, Remdesivir, Favipiravir and other drugs for the treatment of the new coronavirus (DOI: 10.2174/0929867327666200416131117)

Autores: Michele Costanzo (Departamento de Medicina Molecular e Biotecnologia da Universidade de Nápoles – Itália, e CEINGE Biotecnologia, Nápoles – Itália) e equipe de colaboradores

A pesquisa responde a qual pergunta?

Quais as atualizações mais recentes sobre a eficácia de drogas experimentais no tratamento da COVID-19?

Por que isso é importante?

Nas últimas semanas, publicações científicas e jornais de grande circulação têm reportado a eficácia de diferentes drogas no tratamento do novo coronavírus. Um dos tratamentos mais estudados tem sido a combinação de drogas antivirais, os chamados “coquetéis”. Entretanto, essas drogas, bem como o tipo de administração, foram originalmente desenvolvidos para o tratamento de outras doenças, causadas por agentes infecciosos diferentes. Alguns resultados são otimistas, outros não têm tido o mesmo sucesso. Assim, uma revisão das últimas pesquisas sobre essa temática poderá contribuir para se avaliar, de forma mais detalhada, as evidências disponíveis, até o momento, sobre esse tipo de tratamento.

Quais foram os resultados?

Estudos in vitro revelaram que o Remdesivir, uma substância que age sobre um amplo espectro de RNAs virais e que já foi usada no tratamento do Ebola, bem como o antimalárico e antirreumático Hidroxicloroquina, parecem ter efeito significativo no controle da infecção por SARS-CoV-2. Um estudo de caso envolvendo o Remdesivir verificou grande melhora do quadro pulmonar do paciente em apenas 24 horas, sem efeitos colaterais. Isso levou ao início de dois novos estudos clínicos envolvendo essa droga, na China, que ainda estão em andamento. O Favipiravir, outra droga utilizada com sucesso no tratamento do Ebola, tem mostrado resultados promissores contra a COVID-19. Estudos preliminares desenvolvidos por pesquisadores chineses observaram que a ação antiviral do Favipiravir foi mais potente que a do Lopinavir/Ritonavir, sem efeitos colaterais importantes. O Tocilizumabe vem sendo estudado na Itália, e há evidências de que essa droga é capaz de melhorar a resposta imune à COVID-19. O aumento do número de pacientes recuperados é um ponto importante a favor das terapias experimentais. A pneumonia causada pelo novo coronavírus pode, aparentemente, ser tratada com as drogas antivirais já existentes, sem efeitos colaterais importantes. Apesar das evidências disponíveis até o momento, a literatura ainda é escassa em estudos clínicos controlados, um tipo de estudo que é essencial para que conclusões assertivas possam ser tiradas. Ainda assim, o tratamento precoce é de suma importância para prevenir o aparecimento de sintomas mais graves da infecção por COVID-19.



Paolo Miranda

Saúde mental de profissionais da saúde envolvidos no tratamento da Covid-19

Pesquisa: Factors associated with mental health outcomes among health care workers exposed to coronavirus disease 2019 (DOI: 10.1001/jamanetworkopen.2020.3976)

Autores: Jianbo Lai (Universidade de Zhejiang – China, Hospital Renmin da Universidade de Wuhan – China, Hospital Youfu de Wuhan – China, Hospital Jingmen – China, Hospital Wuhan Wudong – China) e equipe de colaboradores

A pesquisa responde a qual pergunta?

Qual o impacto sobre a saúde mental dos profissionais da saúde que atuam na linha de frente do tratamento às pessoas infectadas pelo novo coronavírus na China?

Por que isso é importante?

Devido ao grande estresse causado pela velocidade de crescimento da pandemia da COVID-19, à carga de trabalho preocupante, à escassez de equipamentos de proteção, ao assédio da mídia, à ausência de um tratamento específico e à falta de suporte adequado, os profissionais de saúde envolvidos no diagnóstico e tratamento dos pacientes infectados apresentam risco aumentado de desenvolver sofrimento psicológico, bem como outros sintomas relacionados à saúde mental.

Quais foram os resultados?

O estudo envolveu 1257 profissionais de saúde e verificou alta prevalência de sintomas de prejuízo da saúde mental. Foi observado que 70% dos profissionais apresentavam sofrimento psicológico e mais da metade dos entrevistados apresentavam sintomas de depressão, ansiedade, insônia e angústia. A maioria dos participantes da pesquisa eram mulheres jovens (de 26 a 40 anos), e aquelas que apresentaram sintomas de maior gravidade eram enfermeiras que atuavam na linha de frente do tratamento da COVID-19, na cidade de Wuhan. As fontes de sofrimento incluíam sentimentos de vulnerabilidade; perda de controle; preocupação com a própria saúde, com a disseminação do vírus e com a saúde dos seus familiares; mudanças na carga de trabalho; e necessidade de ficar em isolamento. Esses achados reforçam a necessidade de proteger os profissionais de saúde, o que se configura como uma importante ação de saúde pública relacionada à pandemia de COVID-19. Intervenções de promoção do bem-estar psicológico devem ser implementadas, em especial entre os trabalhadores da linha de frente.


SERVIÇOS E UTILIDADES

Auxílio emergencial

O Auxílio Emergencial é um benefício destinado aos trabalhadores informais, aos microempreendedores individuais, aos profissionais autônomos e a pessoas desempregadas. O benefício, no valor de R$600, será pago durante 3 meses, para até 2 pessoas da mesma família. As pessoas cadastradas no Bolsa Família também podem atender aos requisitos para o Auxílio Emergencial, mas, durante o recebimento do Auxílio, o valor do Bolsa Família será suspenso. O pagamento, para os trabalhadores com cadastro aprovado, se dará através de depósito em conta poupança. Para se cadastrar, basta acessar o site “auxilio.caixa.gov.br” ou baixar o aplicativo “Caixa Auxílio Emergencial”.

Serviços que estão proibidos de operar durante a pandemia

Escolas e universidades de todo o Brasil seguem fechadas como estratégia de prevenção à transmissão do novo coronavírus, mas os governos de alguns estados começaram a flexibilizar as medidas restritivas no país. Em Santa Catarina, por exemplo, agências bancárias, academias, shoppings, restaurantes e serviços de autônomos e profissionais liberais já foram autorizados. O site da Agência Brasil (mantido pela EBC – Empresa Brasil de Comunicações) fornece informações atualizadas sobre a situação da pandemia, sobre o comércio e sobre serviços nos estados brasileiros.

Disque Coronavírus

A Universidade Federal de Juiz de Fora, em parceira com a prefeitura da cidade, lançou recentemente um serviço de atendimento telefônico e online para esclarecer dúvidas sobre a COVID-19. O serviço também oferece orientações sobre como proceder em caso de suspeita da doença, com encaminhamento ao profissional de saúde, conforme a necessidade, após um autodiagnóstico orientado. As orientações pelo site, ou ligações, são gratuitas e também esclarecem questões relacionadas às comorbidades, até mesmo para aqueles que não foram infectados.


FATOS E FAKES

Água fervida com alho pode ser utilizada para tratar a Covid-19?

Circula pelas redes sociais uma receita, atribuída a um médico chinês, que sugere a ingestão de 7 xícaras de água fervida com 8 dentes de alho, para supostamente prevenir e até curar a infecção pelo novo coronavírus. Seria verdade? Infelizmente, a resposta é: não; trata-se de mais uma fake news. Até o momento, não há nenhum medicamento, substância, vitamina, alimento ou vacina que possa prevenir a infecção pela COVID-19. As únicas recomendações preventivas seguem sendo: evitar contato próximo com pessoas que sofrem de infecções respiratórias, lavar as mãos com frequência, higienizar o nariz com lenços descartáveis, cobrir o nariz e a boca quando espirrar ou tossir, evitar tocar os olhos, o nariz e a boca, higienizar as mãos após tossir ou espirrar, não compartilhar objetos de uso pessoal, manter os ambientes bem ventilados, e evitar contato próximo com animais selvagens ou doentes em fazendas ou criações.


Organização

Pró-Reitoria de Pesquisa e Desenvolvimento Institucional

Comitê Científico – Contingência COVID-19

Dr. Allan Novaes, Dr. Fabio Alfieri, Dra. Maristela Martins, Dra. Gildene Lopes,
Dr. Rodrigo Follis, Dra. Lanny Soares e Dra. Naomi Vidal Ferreira

Produção

Mestrado em Promoção da Saúde

Dr. Maurício Lamano,
Dra. Natália Cristina Vargas e Silva, Dra. Cristina Zukowsky-Tavare

Edição 06

Nesta Edição:

ESTUDOS E PESQUISAS

SERVIÇOS E UTILIDADES

FATOS E FAKES

  • O álcool 70% pode causar sintomas do novo coronavírus?


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ESTUDOS E PESQUISAS

Efeitos do isolamento social na qualidade do ar

Pesquisa: Changes in air quality during the lockdown in Barcelona (Spain) one month into the SARS-CoV-2 epidemic (doi: 10.1016/j.scitotenv.2020.138540)

Autores: Aurelio Tobías (Institute of Environmental Assessment and Water Research (IDAEA), Spanish Council for Scientific Research (CSIC), Barcelona, Spain) e equipe de colaboradores

A pesquisa responde a qual pergunta?

O isolamento social decorrente da crise do novo coronavírus na Espanha promoveu alterações significativas na qualidade do ar?

Por que isso é importante?

O elevado número de casos de COVID-19 na Espanha levou as autoridades públicas a promoverem o chamado lockdown (isolamento social) nos últimos meses. Tais medidas estão fortemente associadas à diminuição da poluição atmosférica nas grandes cidades, cuja maior fonte de emissão de contaminantes aéreos é sua frota veicular. Diversos casos de morte por problemas respiratórios ou infecciosos são registrados diariamente no mundo, decorrentes da poluição do ar em centros urbanos. Além disso, a redução da poluição atmosférica beneficia pessoas que sofrem de asma, principalmente em meses com baixos índices de umidade relativa do ar. Desta forma, torna-se imprescindível conhecer os efeitos da diminuição da poluição atmosférica sobre a saúde humana, para que, no período “pós crise por COVID-19”, sejam discutidas políticas públicas ambientais que restrinjam o uso de combustíveis fósseis e as emissões desenfreadas de contaminantes aéreos.

Quais foram os resultados?

Os pesquisadores observaram que, após duas semanas de lockdown, a poluição do ar urbano diminuiu acentuadamente, com diferenças substanciais entre os poluentes. A redução mais significativa foi observada para o Dióxido de Nitrogênio (NO2), poluente principalmente relacionado às emissões veiculares. A menor redução foi observada para o Material Particulado (PM10). Por outro lado, os níveis de Ozônio Troposférico (O3) aumentaram. Também foram evidenciadas diferenças relevantes nos parâmetros meteorológicos ao longo do período de lockdown na Espanha. Os autores mencionaram que, com a continuidade do isolamento social, há uma tendência de redução da maioria dos poluentes atmosféricos. No entanto, embora os resultados elucidem uma condição do ambiente físico, o tempo de duração do estudo ainda não foi suficiente para permitir a generalização de suas conclusões. A diminuição da poluição aérea e seus possíveis benefícios à saúde pública como um todo ainda não puderam ser avaliados. Espera-se que, ao longo dos próximos meses, seja possível ter bases mais concretas para verificar os efeitos benéficos da diminuição da contaminação do ar.


Transmissão vertical da COVID-19 em gestantes

Pesquisa: Clinical characteristics and intrauterine vertical transmission potential of COVID-19 infection in nine pregnant women: a retrospective review of medical records (DOI: 10.1016/S0140-6736(20)30360-3)

Autores: Huijun Chen (Department of Gynaecology and Obstetrics, Zhongnan Hospital of Wuhan University, Wuhan, Hubei, China; Clinical Medicine Research Centre of Prenatal Diagnosis and Birth Health in Hubei Province, Wuhan, Hubei, China) e equipe de colaboradores

A pesquisa responde a qual pergunta?

Quais as características clínicas de gestantes infectadas pelo novo coronavírus? Há potencial de transmissão vertical (para o bebê) nessas mulheres?

Por que isso é importante?

Devido à velocidade dos fatos relacionados à pandemia de COVID-19, gestantes infectadas ainda não foram amplamente estudadas. Dessa forma, não se sabe se o novo coronavírus pode se disseminar pelo líquido amniótico, pelo sangue do cordão umbilical ou mesmo pelo leite materno. Frente a isso, informações sobre a contaminação vertical dos bebês por suas mães são de extrema importância, para que ações preventivas possam ser adotadas pelas gestantes.

Quais foram os resultados?

Os autores avaliaram as características clínicas de nove gestantes com diagnóstico confirmado de COVID-19. A doença foi adquirida no último trimestre da gestação e os sintomas eram similares aos observados em mulheres adultas não gestantes: febre, tosse, e, em poucos casos, dor muscular, mal-estar, dor de garganta, diarreia e falta de ar. Nenhuma das pacientes acompanhadas pelos pesquisadores desenvolveu pneumonia grave, nem  veio a óbito. Com base nos achados do estudo, não há evidências conclusivas de que a infecção por COVID-19 ao final da gestação possa causar pneumonia grave ou levar à ocorrência de efeitos adversos nos neonatos. Ainda assim, frente à incerteza quanto à transmissão da mãe para o filho durante o parto, recomendou-se que todas as gestantes do estudo realizassem parto cesáreo. Os testes no líquido amniótico e no sangue do cordão umbilical, coletados no momento do parto, apresentaram resultado negativo para COVID-19, sugerindo que não houve contaminação vertical. As amostras do leite materno das mães infectadas também não apresentaram indícios de contaminação pela COVID-19. Após o nascimento, nenhum dos nove bebês precisou de cuidados pediátricos diferenciados. Apesar dos dados encontrados pelos autores, a amostra pequena impede a generalização das conclusões, e mais estudos ainda se fazem necessários para confirmar esses dados.


SERVIÇOS E UTILIDADES

As comunidades religiosas e a COVID-19

Por conta da pandemia de COVID-19, muitas igrejas foram forçadas a se adaptar à nova realidade do distanciamento social. A Universidade do Texas (Estados Unidos) lançou recentemente um e-book sobre os cultos religiosos online. Além de registrar esse momento na história das religiões, o livro visa beneficiar as comunidades religiosas na medida em que discute os desafios práticos dos cultos mediados por tecnologia. Relatos de líderes de diversas denominações religiosas, de vários países, podem ser encontrados na obra, que pode ser baixada gratuitamente em formato pdf.

Central de conteúdo COVID-19 – Rádio UNASP

A central de jornalismo da Unasp-FM disponibilizou em seu site uma central de conteúdo sobre a COVID-19. Em meio a tantas notícias desanimadoras, um dos podcasts do dia 27 de abril traz boas notícias, de fontes confiáveis, sobre a evolução do novo coronavírus no Brasil e no mundo. A plataforma também disponibiliza, diariamente, notícias relacionadas ao auxílio financeiro emergencial oferecido pelo governo, às eleições municipais de 2020 e a muitos outros temas relacionados à pandemia.

Versão online de livros técnicos sobre ciência e tecnologia disponíveis para download

Alguns dos livros mais caros sobre ciência e tecnologia estão disponíveis para download gratuito durante esse período de quarentena. O catálogo contempla obras de diferentes temáticas. Para adquirir o seu exemplar, basta visitar o link abaixo e acessar os títulos disponíveis. Aproveite logo a oportunidade, pois essa chance pode ser por tempo limitado!


FATOS E FAKES

O álcool 70% pode causar sintomas do novo coronavírus?

Um vídeo que circula nas redes sociais diz que o uso de álcool 70% em demasia pode levar à insuficiência respiratória e até matar. Contrariando as orientações dadas pelos órgãos de saúde pública, a mensagem diz que o uso do produto, em gel ou na forma líquida, deve ser evitado, e que as pessoas devem higienizar as mãos somente com água e sabão. Essa informação é verdadeira?A resposta é: não. Trata-se de mais uma fake news. O álcool somente apresentará efeito nocivo à saúde se houver ingestão oral e excessiva. Seu uso tópico para desinfecção das mãos e de outras superfícies não tem nenhuma relação com a falência do sistema imunológico ou a insuficiência respiratória mencionadas no vídeo. O uso excessivo do álcool 70% diretamente sobre a pele pode causar, no máximo, ressecamento e rachaduras. O produto também não é poluente se usado somente para esse tipo de higienização, e não há registros de toxicidade relacionada ao uso tópico do álcool 70%.


Organização

Pró-Reitoria de Pesquisa e Desenvolvimento Institucional

Comitê Científico – Contingência COVID-19

Dr. Allan Novaes, Dr. Fabio Alfieri, Dra. Maristela Martins,
Dra. Gildene Lopes, Dr. Rodrigo Follis, Dra. Lanny Soares e Dra. Naomi Vidal Ferreira

Produção

Mestrado em Promoção da Saúde

Dr. Maurício Lamano,
Dra. Natália Cristina Vargas e Silva, Dra. Cristina Zukowsky-Tavares

Edição 05

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ESTUDOS E PESQUISAS

SERVIÇOS E UTILIDADES

FATOS E FAKES

  • A ingestão de bebidas quentes pode matar o novo coronavírus?


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ESTUDOS E PESQUISAS

Terapia a partir de plasma convalescente como método alternativo de combate ao COVID-19

PesquisPesquisa:The feasibility of convalescent plasma therapy in severe COVID-19 patients: a pilot study (DOI: 10.1101/2020.03.16.20036145)

Autores: Kai Duan (China National Biotec Group Company Limited) e equipe de pesquisadores

A pesquisa responde a qual pergunta?

A terapia a partir de plasma convalescente é eficaz no combate ao COVID-19?

Por que isso é importante?

Até meados de março, havia um total de 80.980 casos confirmados de COVID-19 na China, com mais de 3 mil mortes reportadas no país asiático. Desde o início de 2020, a doença tem se espalhado de forma assustadora por diversos países, abalando o setor econômico e assustando pessoas ao redor do mundo. Assim, o novo coronavírus tem sido uma forte ameaça à sociedade, bem como à saúde pública e à economia de diversos países. Seu tratamento ainda não é conhecido pela comunidade científica e vários métodos têm sido propostos e testados no combate à doença. Atualmente, não há agentes antivirais específicos e com eficácia comprovada contra o novo coronavírus; porém, alguns autores têm proposto a terapia com plasma convalescente, ou seja, plasma que já possui anticorpos específicos contra o vírus.  Esse tipo de terapia já foi aplicado na prevenção e tratamento de muitas doenças infecciosas durante o século passado. Nas últimas duas décadas, a terapia com plasma tem sido utilizada com relativo sucesso em diversas situações, destacando-se o tratamento do surto de H1N1 no ano de 2009.

Quais foram os resultados?

Um estudo liderado pelo Dr. Duan e seus colaboradores submeteu dez pacientes com COVID-19 à infusão de plasma convalescente de doadores recém recuperados da doença, ou seja, pacientes que testaram positivo para o novo coronavírus e produziram anticorpos como mecanismo de resposta ao patógeno. Os pacientes que receberam o plasma adquiriram, de forma manipulada, agentes de defesa do corpo humano que “neutralizam” o vírus e impedem a sua proliferação, e consequentemente a manifestação de sintomas. Como resultado disso, os pesquisadores perceberam que, após três dias da transfusão de plasma, já houve melhora substancial de alguns sintomas da COVID-19. De acordo com os cientistas, o nível de anticorpos neutralizantes aumentou rapidamente. Exames radiológicos mostraram graus variados de absorção das lesões pulmonares em sete dias, apontando para a eficácia da terapia. Porém, os autores da pesquisa destacam que ainda são necessários mais estudos para se estabelecer, de forma segura, a dose e o benefício clínico da terapia com plasma convalescente, de forma que esse tipo de tratamento possa ser reconhecido como uma medida eficaz no combate à COVID-19.


Estudos demográficos como ferramenta para a tomada de decisão e elaboração de ações públicas na pandemia

Pesquisa: Demographic science aids in understanding the spread and fatality rates of COVID-19

Autores: Imperial College CAutores: Jennifer Beam Dowd (Leverhulme Centre for Demographic Science, Nuffield College, University of Oxford, UK) e equipe de pesquisadores

A pesquisa responde a qual pergunta?

A estrutura etária da população é um atributo que pode auxiliar a tomada de decisão de gestores públicos em relação à COVID-19?

Por que isso é importante?

A velocidade com que os fatos relacionados ao novo coronavírus se disseminam é assustadora. As estatísticas sobre a COVID-19 impressionam, e os casos de morte duplicam em poucos dias em diversos países do mundo, gerando uma instabilidade nas tomadas de decisão por parte dos gestores públicos. No entanto, o maior problema se refere à diversidade das informações e à instabilidade das previsões com que cada país está se deparando. Segundo artigo publicado na Proceedings of the National Academy of Science of the United States of America, por pesquisadores da Universidade de Oxford, governos ao redor do mundo devem se mobilizar rapidamente e tomar decisões políticas difíceis para mitigar os efeitos da pandemia e os problemas associados ao novo coronavírus. A pesquisadora Jennifer Dowd e seus colaboradores comentam que a estrutura etária da população pode explicar a notável variação nas fatalidades entre os diferentes países, bem como a vulnerabilidade observada na Itália, um dos locais mais atingidos pela COVID-19. Informações dessa natureza são importantes para aprimorar modelos matemáticos e assessorar as decisões tomadas por gestores e políticos nos diversos países.

Quais foram os resultados?

Os autores mostraram que o baixo número de mortos em alguns países como Coréia do Sul e Alemanha se explica pela estrutura etária da população e pela detecção precoce da situação. No que diz respeito à disseminação do novo coronavírus, cadeias de transmissão que começam em populações mais jovens podem passar despercebidas por bastante tempo, o que pode estar associado a um certo atraso na tomada de decisões mais rígidas, como, por exemplo, o distanciamento social. Esse parece ser o caso da Inglaterra, apontado pelos pesquisadores desse estudo. Para os cientistas, uma vez estabelecida a transmissão comunitária, os países com alto contato intergeracional podem ter transmissões mais rápidas para os grupos de risco. Um resultado interessante do artigo foi a comparação entre Brasil e Nigéria. Ambos possuem tamanhos populacionais semelhantes, porém apresentam diferentes distribuições nas faixas etárias. O país sul-americano tem 2,0% de sua população acima de 80 anos, ao passo que o país africano tem apenas 0,2%. Em decorrência disso, o estudo de Oxford apontou que o Brasil poderá ter bem mais mortes (452.694) do que a Nigéria (142.056). Os autores do artigo finalizam o trabalho apontando que poucos países estão divulgando rotineiramente dados da COVID-19 com informações demográficas importantes, como idade, sexo ou comorbidades. Nesse sentido, os cientistas pedem a liberação oportuna desses dados, para permitir que pesquisadores e governos possam fazer previsões seguras e agir da forma mais sensata possível diante desse cenário alarmante.


SERVIÇOS E UTILIDADES

Atualização sobre a COVID-19 para profissionais da saúde

A Faculdade de Medicina da USP coordenou a elaboração do curso “COVID-19: Atualização e evidências para profissionais da saúde”, voltado aos profissionais e estudantes da área da saúde. São 6 módulos que abordam desde definições até gestão em saúde e educação, passando por manejo clínico, saúde mental e pesquisas, tudo com acesso gratuito. O material poderá ser reproduzido e utilizado pelos interessados.

Medidas preventivas contra o novo coronavírus

A Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde (UNA-SUS) disponibiliza, em seu portal, as principais medidas preventivas para a COVID-19. Destinada à população em geral, a página traz informações, em forma de textos, áudios e vídeos, acerca da prevenção do contágio e da contenção da proliferação do vírus, que pode causar infecção respiratória grave.

Situação da pandemia no mundo

A Organização Mundial da Saúde tem disponibilizado boletins sobre a situação da pandemia nos diversos países. Além do número de casos confirmados e de mortes no mundo e em cada continente, os informativos diários também relatam se o vírus atingiu novos territórios e quais foram os valores dos auxílios financeiros fornecidos pela entidade aos países em situação mais crítica. A curva de contágio dividida por regiões do globo é outro ponto de destaque desse serviço.


FATOS E FAKES

A ingestão de bebidas quentes pode matar o novo coronavírus?

A resposta é: não. Uma publicação que se disseminou pelo mundo dizia que médicos da linha de frente do combate à doença sugeriam a ingestão de bebidas bem quentes, como chás, água ou sopas para matar o novo coronavírus. A recomendação foi baseada na crença de que o vírus perderia sua capacidade de infecção quando exposto a 56oC ou mais por 20 a 30 minutos. Essa informação na verdade não é falsa, ela deriva da forma como os materiais médicos são esterilizados. Entretanto, é impossível elevar a temperatura corporal a esse patamar, mesmo que por poucos minutos. As pessoas que ingerem mais líquidos quentes terão apenas que ir ao banheiro com frequência, e com isso lavar mais suas mãos, o que acaba sendo benéfico. Apesar de não ter qualquer comprovação científica em relação à contenção da pandemia, tomar bebidas quentes nos dias frios pode ser uma boa opção para manter-se hidratado.


Organização

Pró-Reitoria de Pesquisa e Desenvolvimento Institucional

Comitê Científico – Contingência COVID-19

Dr. Allan Novaes, Dr. Fabio Alfieri, Dra. Maristela Martins, Dra. Gildene Lopes,
Dr. Rodrigo Follis, Dra. Lanny Soares e Dra. Naomi Vidal Ferreira

Produção

Mestrado em Promoção da Saúde

Dr. Maurício Lamano,
Dra. Natália Cristina Vargas e Silva, Dra. Cristina Zukowsky-Tavares

Edição 04

Nesta Edição:

ESTUDOS E PESQUISAS

SERVIÇOS E UTILIDADES

FATOS E FAKES


Foto: Getty images

ESTUDOS E PESQUISAS

Características da infecção por coronavírus em crianças

Pesquisa: Clinical and epidemiological features of 36 children with coronavirus disease 2019 (COVID-19) in Zhejiang, China: an observational cohort study (DOI: 10.1016/S1473-3099(20)30198-5)

Autores: Haiyan Qiu (Hospital Ningbo, Zhejiang, China), Junhua Wu (Hospital Ningbo, Zhejiang, China), Liang Hong (Hospital da Universidade Wenzhou, Zhejiang, China), Yunling Luo (Hospital da Universidade Wenzhou, Zhejiang, China), Qifa Song (Centro de Prevenção e Controle de Doenças Ningbo, Zhejiang, China), Dong Chen (Hospital Central de Wenzhou e Hospital Sixth People’s de Wenzhou, Zhejiang, China)

A pesquisa responde a qual pergunta?

Quais as características clínicas e epidemiológicas dos pacientes pediátricos com COVID-19?

Por que isso é importante?

De janeiro a março de 2020, 36 crianças foram diagnosticadas com o novo coronavírus em três hospitais de Zhejiang, China. A rota de transmissão envolveu contato com familiares ou com áreas epidêmicas. No início da epidemia, as escolas estavam fechadas, o que pode ter impedido uma maior exposição das crianças ao vírus. Ainda assim, a comunidade escolar é um local que pode contribuir para a rápida disseminação da infecção, visto que muitas crianças são infectadas, mas permanecem assintomáticas. Considerando que isso pode fazer das crianças grandes vetores da transmissão do vírus na comunidade, informações sobre as características da infecção nesse grupo etário são de suma importância para a prevenção e o tratamento da doença.

Quais foram os resultados?

Mais da metade das crianças afetadas pela COVID-19 apresentaram sintomas clínicos moderados de pneumonia. As principais razões que levaram essas crianças à admissão nos hospitais foram febre, tosse seca e pneumonia, e elas ficaram internadas, em média, por 14 dias. Apenas um terço dos pacientes pediátricos diagnosticados com o novo coronavírus estavam assintomáticos. A SARS-CoV-2 parece acometer pouco o trato respiratório superior nas crianças, ao contrário do observado em adultos e em outras infecções similares. Apesar de raramente apresentarem comorbidades (como hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e diabetes), e de a prevalência de infecção pulmonar ser baixa nesse grupo etário, a principal causa de óbito entre os menores de 5 anos foi a pneumonia. Por se tratar de um vírus altamente transmissível, deve-se observar constantemente a presença de quaisquer sintomas nas crianças. Por outro lado, devem-se manter medidas rígidas de distanciamento social e higiene, visto que boa parte das crianças não apresenta sintomas quando infectada, mas pode transmitir o vírus àqueles com quem convive.


Políticas públicas de vacinação e a ocorrência de casos de COVID-19

Pesquisa: Correlation between universal BCG vaccination policy and reduced morbidity and mortality for COVID-19: an epidemiological study (DOI: 10.1101/2020.03.24.20042937)

Autores: Aaron Miller, Mac Josh Reandelar, Kimberly Fasciglione, Violeta Roumenova, Yan Li, and Gonzalo H. Otazu (Department of Biomedical Sciences, NYIT College of Osteopathic Medicine, New York Institute of Technology, Old Westbury, New York, USA)

A pesquisa responde a qual pergunta?

As políticas de vacinação de BCG estão associadas à redução de casos de COVID-19 nos diferentes países com o surto epidêmico?

Por que isso é importante?

Diante da crise pandêmica imposta pelo novo coronavírus, torna-se necessário entender mecanismos que podem estar atrelados à maior ou menor capacidade de resistir (imunologicamente) ao vírus. Nesse sentido, foi demonstrado que várias vacinas, incluindo a vacinação Bacillus Calmette-Guérin (BCG), produzem efeitos imunológicos secundários altamente positivos nos seres humanos, levando a uma boa resposta contra outros patógenos, além do vírus específico para o qual a vacina foi produzida. Um exemplo disso foi demonstrado por meio de camundongos imunizados com BCG, pois os cientistas observaram que, com o passar do tempo, esses animais ficaram protegidos contra outros patógenos. A explicação envolve aspectos metabólicos e epigenéticos específicos, os quais promovem uma melhora significativa na imunidade antiviral. Nesta mesma linha de pesquisa, resultados positivos têm sido encontrados a partir de testes realizados com seres humanos. Um estudo na Guiné-Bissau constatou que, crianças vacinadas com a BCG, apresentaram uma redução de 50% na mortalidade geral, o que foi atribuído ao efeito da vacina na redução de infecções respiratórias.

Quais foram os resultados?

Neste estudo liderado por Aaron Miler, do departamento de ciências biomédicas do Instituto de Tecnologia de Nova Iorque, os pesquisadores demonstraram que o impacto da COVID-19 pode ser parcialmente explicado pelas diferentes políticas nacionais relativas à vacinação infantil BCG. Após avaliar as políticas de vacinação BCG em diferentes países com sérias decorrências do surto epidêmico causado pelo novo coronavírus, os cientistas relataram que a vacinação BCG oferece ampla proteção contra as infecções respiratórias. Aaron Miler e sua equipe compararam um grande número de políticas de vacinação BCG de países com a morbimortalidade do COVID-19 e descobriram que, países sem políticas universais de vacinação BCG (Itália, Holanda, EUA), foram mais severamente afetados pela COVID-19 do que países com políticas universais e antigas de BCG. Os pesquisadores ainda mostraram que os países que iniciaram tardiamente a política universal do BCG (por exemplo o Irã, em 1984) apresentaram alta mortalidade, consistente com a ideia de que a BCG protege a população idosa vacinada. Também foi observado que a vacinação com BCG reduziu o número de casos relatados de COVID-19. Assim, o estudo concluiu que a combinação de morbidade e mortalidade reduzida faz da vacinação BCG uma nova ferramenta potencial na luta contra o COVID-19.


SERVIÇOS E UTILIDADES

UNICEF na proteção de crianças e adolescentes

Embora não sejam os mais afetados diretamente pelo coronavírus, crianças e adolescentes, como em todas as emergências e crises humanitárias, são os que mais sofrem de maneira indireta. O fechamento das escolas e isolamento afetam sua saúde e educação. A fim de prevenir a falta de informação confiável, e, como consequência, a vulnerabilidade à doença bem como a seus efeitos emocionais negativos, como insegurança e medo, o UNICEF está trabalhando com especialistas em saúde global para fornecer informações precisas, confiáveis e baseadas em evidências científicas. Para tanto,  disponibiliza em seu site conteúdo acessível, crítico e criativo para orientar famílias, educadores, crianças, adolescentes e jovens, promovendo a saúde global daqueles que podem estar entre os mais afetados pela doença.

Flexibilização dos currículos escolares na quarentena

O Ministério da Educação flexibilizou os 200 dias letivos e as 800 horas anuais da Educação Básica, bem como os estágios obrigatórios do Ensino Superior (Medida Provisória 934).  A suspensão de aulas foi uma medida conjunta entre as pastas da saúde e educação. Estados e municípios disponibilizam cartilhas e orientações diversificadas para que os alunos continuem os estudos de casa, de forma engajada. Em São Paulo, para começar a receber o conteúdo de cada componente curricular, bem como o auxílio alimentação a partir do Bolsa Família, é preciso atualizar o endereço residencial do estudante no portal da secretaria de educação.

Ações da área de transporte da prefeitura de são paulo no combate ao COVID-19

O setor de mobilidade urbana também participa efetivamente das medidas de combate ao COVID-19. Desde o dia 13 de março, a SPTrans reforça as mensagens sonoras de prevenção ao novo coronavírus nos 31 terminais da cidade. A companhia de transporte anunciou recentemente que, os idosos que quiserem solicitar o Bilhete Único, poderão fazer isso de casa, enviando apenas um e-mail para [email protected]. Caso alguém tenha dúvida sobre o serviço, basta ligar para SP156. O cartão especial de estacionamento para idosos e pessoas com deficiência (DeFis), emitido pelo DSV, também pode ser obtido sem sair de casa, pelo portal 156.


FATOS E FAKES

O coronavírus pode ser transmitido por alimentos preparados por outras pessoas?

A resposta é: provavelmente. Cientistas já identificaram coronavírus em fezes de pacientes; assim, não é possível descartar a possibilidade de transmissão por manipuladores de alimentos infectados. Entretanto, para que isso corra, o alimento deverá ter sido exposto à secreção respiratória da pessoa contaminada. Os manipuladores de alimentos devem redobrar a atenção com a higienização pessoal, fazendo uso de luvas, máscaras e vestimentas adequadas. O risco de transmissão é pequeno quando se trata de alimentos submetidos a algum tratamento térmico (assados, cozidos, gralhados ou fritos), mas em relação àqueles consumidos in natura, como frutas e verduras, os cuidados com a higienização de quem os irá consumir devem ser ainda maiores. Recomenda-se lavá-los em água corrente para remover pequenas impurezas, deixar de molho em solução clorada por 15 minutos, enxaguar e somente então proceder ao consumo. As embalagens utilizadas nos serviços de delivery devem ser higienizadas (caso venham a ser reutilizadas) ou então descartadas para evitar o contágio. Sugere-se, ainda, que o alimento advindo do serviço de delivery seja transferido para outro prato antes de ser consumido, para prevenir o contato com uma embalagem possivelmente contaminada. Manter a distância segura entre o usuário do serviço e o entregador também é recomendado.


Organização

Pró-Reitoria de Pesquisa e Desenvolvimento Institucional

Comitê Científico – Contingência COVID-19

Dr. Allan Novaes, Dr. Fabio Alffieri, Dra. Maristela Martins, Dra. Gildene Lopes,
Dr. Rodrigo Follis, Dra. Lanny Soares e Dra. Naomi Vidal Ferreira

Produção

Mestrado em Promoção da Saúde

Dr. Maurício Lamano, Dra. Natália Cristina Vargas e Silva,
Dra. Cristina Zukowsky Tavares

Edição 03

Nesta Edição:

ESTUDOS E PESQUISAS

SERVIÇOS E UTILIDADES

FATOS E FAKES

  • Máscaras caseiras têm eficiência comprovada contra o novo coronavírus?


pandemia
Rio de Janeiro – Movimento intenso de passageiros na tarde de hoje (22) no Aeroporto Internacional Tom Jobim/RioGaleão, com a partida das delegações olímpica (Tomaz Silva/Agência Brasil)

ESTUDOS E PESQUISAS

Clima, tráfego aéreo e pandemia

Pesquisa: Exponential phase of covid19 expansion is not driven by climate at global scale (DOI: 10.1101/2020.04.02.20050773)

Autores: Marco Túlio Pacheco Coelho (Departamento de Ecologia, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, Goiás, Brasil) e equipe de pesquisadores

A pesquisa responde a qual pergunta?

O aumento exponencial de casos de COVID-19 é impulsionado por variáveis climáticas?

Por que isso é importante?

Diversos países do mundo vivem atualmente um estado de isolamento social, que é sucessivamente prorrogado pelas autoridades públicas, levando essas nações a se aproximarem cada vez mais de uma crise econômica sem precedentes. Nesse sentido, torna-se fundamental que se conheçam os principais fatores que promovem esse impulso no aumento de pessoas contagiadas pelo novo coronavírus nas diferentes regiões do planeta. Parte da comunidade científica chegou a suspeitar dos fatores climáticos, levantando hipóteses de que eles seriam os protagonistas do aumento exponencial de casos de COVID-19 em vários países, sugerindo, assim, que a taxa de contágio seria menor em países de clima tropical. No entanto, outra parte defendia que atributos socioeconômicos e conexões globais seriam as maiores causas do formato das curvas de aumento epidêmico. Para propor medidas eficientes e rápidas no combate ao novo coronavírus, cientistas brasileiros listaram os principais fatores associados ao aumento exponencial de casos de COVID-19 em vários países do mundo. O resultado publicado por eles contribui para a compreensão da disseminação do vírus, dando diretrizes sobre potenciais ações relacionadas aos condicionantes climáticos ou a conexões globais entre pessoas.

Quais foram os resultados?

Avaliando 44 países distribuídos em diferentes regiões do planeta, os autores deste estudo não encontraram uma evidente relação entre o aumento de casos por COVID-19 e condicionantes climáticos, levando-se em conta variações latitudinais. Ao incluírem a variável socioeconômica no modelo matemático, o pesquisador Marco Túlio Pacheco Coelho (Universidade Federal de Goiás) e seus colegas perceberam que ambas as variáveis (condicionantes climáticos e fatores socioeconômicos) explicavam apenas 19% do aumento dos casos, o que cientificamente representa uma fraca relação entre “causa e efeito”.  A principal explicação para o aumento exponencial de casos por COVID-19, em todos os países estudados, ocorreu quando os pesquisadores incluíram a variável “centralidade” dos países no modelo matemático, isto é, quando os cientistas consideraram sua relevância em termo de conexões globais de viajantes e sua malha de tráfego aéreo. Esse resultado foi particularmente importante, pois demonstrou matematicamente que, países com grandes fluxos de migrantes e conexões entre voos, são aqueles que têm as maiores taxas de crescimento no número de pessoas infectadas pelo novo coronavírus. Dessa forma, o estudo mostrou que aspectos climáticos não são os principais fatores relacionados à disseminação da COVID-19, mas sim a relevância do país em termos de centralidade e fluxo de migrantes.


Uso da melatonina contra a COVID-19

Pesquisa: COVID-19: Melatonin as a potential adjuvant treatment

Autores: Rui Zhang (Academia Chinesa de Ciências Médicas e Faculdade Peking Union, China) e equipe de pesquisadores

A pesquisa responde a qual pergunta?

A melatonina pode atenuar os sintomas da infecção por COVID-19?

Por que isso é importante?

A melatonina é um hormônio produzido naturalmente pelo corpo humano, e tem diversas propriedades relacionadas à saúde. O sucesso do seu uso já foi documentado no tratamento de distúrbios do sono, aterosclerose, doenças respiratórias e infecções virais. Pesquisas já demonstraram os efeitos positivos da melatonina no alívio do estresse respiratório agudo induzido por vírus, bactérias e radiação. Em alguns casos, a progressão grave do novo coronavírus pode resultar em falência respiratória em poucos dias. Exames microscópicos do pulmão de pacientes mortos pela COVID-19 revelaram que existe um padrão parecido com o de pacientes infectados pela SARS (epidemia que atingiu a China em 2002) e pela MERS (doença que acometeu países do Oriente Médio em 2012), infecções causadas por vírus da mesma família do atual COVID-19.

Quais foram os resultados?

Os autores analisaram os vários mecanismos pelos quais a melatonina exerce ação anti-inflamatória. Apesar da possibilidade de potencializar ações pró-inflamatórias quando administrada em doses elevadas ou em pacientes imunossuprimidos, em modelos convencionais de infecção a melatonina apresenta ação anti-inflamatória, antioxidante e imunomoduladora no organismo humano. Ainda não há relatos científicos de tratamento com melatonina em pacientes com COVID-19, mas no que diz respeito aos estudos envolvendo pacientes com outras infecções, a melatonina tem apresentado resultados promissores na atenuação da inflamação. Além disso, seu uso em curto prazo é seguro, e os relatos de efeitos adversos são escassos e de muito baixa gravidade. Ainda que evidências diretas do uso da melatonina na COVID-19 sejam incertas, seu uso experimental em modelo animal e em humanos têm revelado eficácia e segurança. Frente a isso, ela pode se configurar como possível tratamento adjuvante para os pacientes infectados pelo novo coronavírus.


SERVIÇOS E UTILIDADES

Jornalismo, fake news e desinformação

A UNESCO lançou, recentemente, um manual que pretende contribuir para o ensino, prática e pesquisa do jornalismo no atual panorama global de disseminação desenfreada de fake news, visando o compartilhamento de boas práticas nessa área. As notícias fraudulentas são consideradas formas de desinformação, mesmo quando apresentadas em formato de entretenimento (como é o caso dos memes). A desinformação é uma tentativa deliberada de confundir ou manipular as pessoas com a transmissão de informações desonestas. O papel dos jornalistas e dos meios de comunicação nesse cenário é estratégico, uma vez que informações inverídicas sobre a crise pandêmica podem gerar histeria social, xenofobia e outras implicações sociais e sanitárias graves.

Programa “o Brasil conta comigo”

Está em vigor edital do Ministério da Saúde, voltado aos estudantes concluintes dos cursos de saúde como Medicina, Enfermagem, Fisioterapia e Farmácia, para participarem de ação junto ao SUS no combate à COVID-19 por meio do programa “O Brasil conta comigo”. Os voluntários receberão bolsa no valor de um salário mínimo (R$1.045,00) por 40h semanais de trabalho, ou meio salário mínimo por 20h de trabalho. Além do auxílio financeiro, os estudantes que participarem dessa iniciativa receberão 10% a mais de pontuação ao tentarem ingresso em programas de residência do Ministério da Saúde, no prazo de dois anos.

Situação da epidemia nos estados brasileiros

O Painel Coronavírus é uma plataforma online que permite que o usuário visualize em tempo real os dados atuais da COVID-19 no Brasil, entre eles: a evolução dos casos, o número de óbitos, a concentração da doença e a previsão da situação nos próximos dias em todos os estados do país. O projeto foi criado pela Rede Covida, uma iniciativa do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) e da Universidade Federal da Bahia.


FATOS E FAKES

Máscaras caseiras têm eficiência comprovada contra o novo coronavírus?

A quantidade de informações que recebemos diariamente sobre o novo coronavírus é assustadora. Muitas matérias disseminadas em mídias sociais ou reportagens que ouvimos nos meios de comunicação provêm de fontes confiáveis e têm embasamento científico. No entanto, muitas notícias não passam de intrigas políticas ou fake news. Um exemplo de notícia polêmica trata da eficácia ou não do uso de máscaras caseiras na prevenção da disseminação do novo coronavírus. Bastante controverso, o uso deste equipamento de proteção já foi questionado e recomendado por especialistas em tão pouco tempo. No entanto, a necessidade de proteção e a falta de máscaras descartáveis no mercado têm levado gestores públicos a pedir para a população produzir suas próprias máscaras caseiras, e utilizá-las ao sair de casa. Mas em meio a tanta informação fica uma pergunta no ar: máscaras caseiras são realmente eficientes e evitam a transmissão do novo coronavírus entre as pessoas? Segundo o artigo científico de Anna Davies e colaboradores publicado na revista Disaster Medicine and Public Health Preparedness a resposta é SIM. No entanto, os autores sugerem que as máscaras caseiras sejam somente utilizadas em casos extremos, como o momento que enfrentamos atualmente. De acordo com a pesquisa, essa observação é fundamentada no fato de as máscaras caseiras terem reduzido significativamente o número de microrganismos expelidos pelos voluntários da pesquisa. Contudo, Davies e os demais autores destacaram que a eficiência dessas máscaras caseiras é três vezes menor do que a das máscaras cirúrgicas. Ainda assim, recomenda-se às pessoas que não têm acesso a máscaras cirúrgicas, principalmente pessoas contagiadas ou em grupos de risco, que produzam suas máscaras de forma caseira e as utilizem para sair de casa, contribuindo, assim, para o combate à disseminação da COVID-19.


Organização

Pró-Reitoria de Pesquisa e Desenvolvimento Institucional

Comitê Científico – Contingência COVID-19

Dr. Allan Novaes, Dr. Fabio Alffieri, Dra. Maristela Martins
Dra. Gildene Lopes, Dr. Rodrigo Follis, Dra. Lanny Soares e Dra. Naomi Vidal

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Mestrado em Promoção da Saúde

Dr. Maurício Lamano,
Dra. Natália Cristina Vargas e Silva, Dr. Thiago Gusmão Cardoso

Edição 02

Nesta Edição:

ESTUDOS E PESQUISAS

SERVIÇOS E UTILIDADES

FATOS E FAKES

  • A cloroquina possui efeito antiviral comprovado contra o novo coronavírus?


Imagem: Pixabay

ESTUDOS E PESQUISAS

Pandemia e recessão econômica

Pesquisa: Pandemics Depress the Economy, Public Health Interventions Do Not: Evidence from the 1918 Flu (SSRN, 30 de março de 2020, DOI: 10.2139/ssrn.3561560)

Autoria: Sergio Correia (Board of Governors of the Federal Reserve System), Stephan Luck (Federal Reserve Bank of New York) e Emil Verner (Massachusetts Institute of Technology)

A pesquisa responde a qual pergunta?

O que a pandemia de Gripe Espanhola em 1918 pode nos ensinar hoje sobre a relação entre medidas de intervenção de saúde pública e recessão econômica?

Por que isso é importante?

O debate tem se polarizado em torno de uma escolha entre dois caminhos: responder aos desafios de saúde pública ou garantir a sustentabilidade econômica. Há quem preveja que a segunda onda de mortes virá em decorrência de uma recessão econômica, ainda pior do que esta primeira onda que vivemos, oriunda da pandemia que atinge também o Brasil. Contudo, parece que essa questão não é tão dicotômica assim, uma vez que as pandemias têm sim o potencial de afetar a economia, mas as intervenções de saúde pública, como o isolamento social, podem até ajudar na recuperação do capital de um país. Isso é dito com base no caso da pior pandemia da história, a Gripe Espanhola de 1918, por meio do estudo de três pesquisadores, um deles do MIT e outro do Banco da Reserva Federal de Nova Iorque.

Quais foram os resultados?

Ao avaliar o efeito das medidas de saúde pública na epidemia de Gripe Espanhola nos EUA, pesquisadores descobriram que áreas mais expostas à epidemia sofriam um declínio acentuado e persistente na atividade econômica. As estimativas sugerem que aquela pandemia reduziu a produção industrial em 18%. A desaceleração econômica foi causada pelo desbalanço entre oferta e demanda de produtos e serviços. Uma série de dados epidemiológicos e econômicos do período permitiu estabelecer que as medidas de saúde pública, obviamente, diminuíram a mortalidade por Influenza (vírus causador da Gripe Espanhola) e, depois, foram analisadas pelos pesquisadores em função do tempo e da intensidade com que foram adotadas por diferentes cidades dos EUA. Os autores constataram que as cidades que interviram mais cedo e de forma mais agressiva não apresentaram pior desempenho econômico e, ao contrário, se recuperaram mais rapidamente após o término da pandemia. Os resultados mostraram que intervir 10 dias antes da chegada da pandemia em uma determinada cidade aumentava o emprego na indústria em cerca de 5% no período posterior à pandemia. Da mesma forma, implementar intervenções de saúde pública por mais de 50 dias aumentava o emprego na manufatura em 6,5% após a pandemia.


Potenciais agentes terapêuticos na COVID-19

Pesquisa: Potential therapeutic agents against COVID-19: what we know so far (Journal of the Chinese Medical Association, 29 de março de 2020, DOI: 10.1097/JCMA.0000000000000318)

Autoria: Chih-Chia Lu (Department of Pharmacy, Taipei Veterans General Hospital, Taipei, Taiwan, ROC), Mei-YuChen (Department of Pharmacy, Taipei Veterans General Hospital, Taipei, Taiwan, ROC) e Yuh-Lih Chang (Department of Pharmacy, Taipei Veterans General Hospital, Taipei, Taiwan, ROC; Faculty of Pharmacy, National Yang-Ming University, Taipei, Taiwan, ROC)

A pesquisa responde a qual pergunta?

Quais as evidências disponíveis relacionadas ao uso de agentes terapêuticos potenciais no tratamento da COVID-19?

Por que isso é importante?

O novo coronavírus (SARS-CoV-2) possui estrutura similar ao SARS-CoV-1, identificado em 2003. Considerando a situação atual de pandemia e a experiência prévia com o tratamento de um vírus similar, muitos esforços estão sendo feitos no sentido de encontrar estratégias terapêuticas eficazes, bem como uma vacina segura. Assim, revisar as evidências científicas já disponíveis sobre o tratamento desse tipo de infecção pode trazer benefícios à comunidade científica e à população.

Quais foram os resultados?

Várias drogas demonstraram alguma eficácia na COVID-19 (lopinavir, remdesivir, favipiravir, interferon, tocilizumabe e sarilumabe, por exemplo) por serem antivirais ou por reduzirem a inflamação associada à doença, mas a maioria das pesquisas consistiram em relatos de casos ou dados preliminares de estudos com amostras pequenas. Muitos estudos randomizados controlados estão sendo conduzidos no momento para confirmar tais resultados. Vale ressaltar que, ainda que os agentes estudados possam promover benefícios clínicos, todos eles possuem efeitos colaterais substanciais, e devem ser utilizados com cautela e, obviamente, sob critério médico.


SERVIÇOS E UTILIDADES

Atuação do enfermeiro na pandemia de COVID-19

Os profissionais de Enfermagem trabalham na linha de frente do tratamento dos pacientes com o novo coronavírus. São mais de 2,2 milhões em todo o Brasil, muitas vezes submetidos à rotina exaustiva e escassez de insumos. Para auxiliar os profissionais envolvidos no combate ao COVID-19, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) lançou um documento com recomendações de segurança para orientar equipes de enfermagem no acolhimento de pacientes. A cartilha foi publicada para atender também a uma demanda da própria categoria, já que, em geral, os profissionais da Enfermagem são os primeiros a entrar em contato com o risco de contaminação.

Mapa de livrarias com serviço de entrega durante a quarentena

Um dos setores mais afetados pelas medidas de isolamento social no Brasil foi o de entretenimento. Para auxiliar o mercado editorial no país e para proporcionar mais uma opção de lazer para as pessoas durante o período da quarentena, o site Livrarias Brasil – Entregas, usa o Google Mapas para localizar em todo o país as livrarias que estão oferecendo o serviço de entrega a domicílio, seja pelo seu e-commerce, e-mail ou instagram. Até o período de publicação desse boletim, havia mais de 200 livrarias cadastradas.

Rastreador de políticas públicas contra a pandemia

A Universidade de Oxford lançou uma ferramenta que rastreia e compara respostas às políticas governamentais relacionadas à crise mundial provocada pelo novo coronavírus. A meta é auxiliar pesquisadores, cidadãos e políticos a compreender como os governos têm respondido à crise e avaliar o papel do isolamento na redução da disseminação do vírus. O rastreador é gratuito e apresenta um score composto por 11 indicadores, incluindo restrição do acesso às escolas e aos locais de trabalho, controle de fronteiras, medidas fiscais, investimentos emergenciais em saúde e campanhas informativas destinadas ao público em geral.


FATOS E FAKES

A cloroquina possui efeito antiviral comprovado contra o novo coronavírus?

Com o atual conjunto de pesquisas e evidências científicas, a resposta é: possivelmente SIM. No dia 27 de março, o Ministério da Saúde lançou uma nota informativa para esclarecer a população e os profissionais de saúde a respeito do uso da cloroquina no tratamento das formas graves de infecção pelo novo coronavírus. Nas redes sociais, inúmeras fake news fizeram com que as pessoas esgotassem nas farmácias o estoque do tal medicamento, utilizado até então para tratar doenças sérias como malária, artrite reumatoide e lúpus. Estudos científicos recentes têm sugerido que a cloroquina pode inibir a replicação do vírus causador da COVID-19, e que, portanto, ela parece ter um potencial antiviral em relação ao coronavírus humano. Apesar desses dados preliminares, os efeitos adversos relacionados ao uso prolongado da cloroquina incluem retinopatia e distúrbios cardiovasculares, portanto, a automedicação com essa droga é fortemente contraindicada. Pelo fato de não existir até o momento um tratamento específico para a COVID-19, o Ministério da Saúde liberou o uso da cloroquina como terapia adjuvante no tratamento de formas graves da infecção, em pacientes hospitalizados, a critério médico. A nota ressalta, ainda, que essa medida poderá ser modificada a qualquer momento a depender das novas evidências científicas, e que os pacientes submetidos a este tratamento deverão também ser monitorados de perto em relação aos possíveis efeitos colaterais da droga.


Organização

Pró-Reitoria de Pesquisa e Desenvolvimento Institucional

Comitê Científico – Contingência COVID-19

Dr. Allan Novaes, Dr. Fabio Alffieri, Dra. Maristela Martins
Dra. Gildene Lopes, Dr. Rodrigo Follis, Dra. Lanny Soares e Dra. Naomi Vidal

Produção

Mestrado em Promoção da Saúde

Dr. Fabio Alfieri, Dr. Maurício Lamano
Dra. Natália Cristina Vargas e Silva, Dra. Cristina Zukwosky Tavares

Edição 01

Nesta Edição:

ESTUDOS E PESQUISAS

SERVIÇOS E UTILIDADES

FATOS E FAKES

  • É verdade que chineses com coronavírus estão contaminando locais públicos intencionalmente?


ESTUDOS E PESQUISAS

Efeitos de restrição à mobilidade humana no combate à COVID-19

Pesquisa: The effect of human mobility and control measures on the COVID-19 epidemic in China (Science, 25 de Março de 2020: eabb4218, DOI: 10.1126/science.abb4218)

Autor: Moritz U. G. Kraemer (Departamento de Zoologia da Universidade Oxford, Inglaterra) e colaboradores

A pesquisa responde a qual pergunta?

Qual o real impacto que as medidas de restrição à mobilidade humana na China tiveram sobre a diminuição da velocidade e alcance da transmissão do COVID-19?

Por que isso é importante?

A estratégia do isolamento social está sendo fortemente questionada por alguns líderes políticos e gestores públicos no Brasil e em outros países. Contudo, pelo que a comunidade científica tem produzido de informações e pelas diretrizes lançadas por agências internacionais de saúde e educação, somente a partir de maio os epidemiologistas terão maior precisão da curva de contágio no Brasil, dada a necessidade de esperar pelo menos 14 dias após o contato com o vírus para a manifestação dos sintomas. Após 34 dias do início do isolamento, ou seja, dois ciclos de possível contágio, será possível ver os efeitos desta medida e somente a partir daí os gestores públicos terão instrumentos mais confiáveis para tomar decisões sobre o período de isolamento. O processo de disseminação e combate à COVID-19 estão adiantadas na China em relação ao resto do mundo, logo observar modelos matemáticos sobre mobilidade humana na China podem trazer luz a possíveis cenários no território brasileiro.

Quais foram os resultados?

Ao avaliar o efeito das medidas de mobilidade e controle humano na epidemia de COVID-19, na China, Kraemer e equipe mostraram por meio de modelos matemáticos que o tempo de duplicação da epidemia na China do seu início até meados de fevereiro, variou de 4 a 7,2 dias, conforme a abrangência da área de estudo, destacando a capacidade de transmissibilidade do vírus. Após medidas drásticas de controle em todo o país a partir do cordão sanitário feito em 23 de janeiro, as taxas de crescimento de novos casos se tornaram negativas, indicando o sucesso das medidas de isolamento e mobilidade humana. De acordo com os modelos matemáticos, os autores destacam que medidas relacionadas à mobilidade humana e à promoção de testes na população foram fundamentais para as respectivas melhorias na diminuição de casos infectados, conforme mostraram as previsões numéricas. Por fim, Kraemer e seus colaboradores discutem a contribuição das pessoas “viajantes” na fase de disseminação do COVID-19. Isso é particularmente importante ao se considerar que, caso as autoridades públicas brasileiras adotem um sistema de liberação parcial da população às suas rotinas diárias, um controle mais severo de imigrantes e emigrantes deverá ser feito em aeroportos internacionais e rodoviárias de todo o país.


Impacto global da COVID-19 e estratégias de mitigação e supressão

Pesquisa: The Global Impact of COVID-19 and Strategies for Mitigation and Suppression (Relatório número 12 do Imperial College COVID-19 Response Team)

Autores: Imperial College COVID-19 Response Team

A pesquisa responde a qual pergunta?

Qual a previsão estatística de mortos por coronavírus entre a população mundial nos três principais cenários possíveis de combate à doença (abstenção de medidas, medidas de mitigação ou medidas de supressão)?

Por que isso é importante?

Os relatórios do Imperial College London ficaram famosos por terem feito o Parlamento Inglês mudar de estratégia na luta contra a pandemia e estão servindo de subsídio científico para diversos países do mundo. O estudo considera três estratégias para lidar com a transmissão de COVID-19: isenção de intervenções, estratégias de mitigação com foco em proteção a grupos de risco (como idosos) e isolamento social moderado e flexível, e estratégias de supressão, que a maioria dos países está adotando atualmente, incluindo o Brasil, e que contemplam quarentena, declaração de emergência em saúde e estado de calamidade pública, fechamento de comércio, entre outras ações. Enquanto a Holanda opta pela estratégia da imunização coletiva e os Estados Unidos já planejam flexibilizar o isolamento social, a maioria das nações do globo ainda prefere manter a rigidez da quarentena e outras medidas de supressão. Por isso, entender como modelos matemáticos projetam os dados de mortalidade nos mais diversos cenários de combate à COVID-19 é fundamental para identificar os riscos de decisões políticas que não estão alinhadas com estudos técnicos.

Quais foram os resultados?

Com a abstinência de intervenção no globo, estima-se que a COVID-19 resultaria em 7 bilhões de infectados e 40 milhões de mortes no mundo somente em 2020, cenário que não é mais factível pelas medidas adotadas pela maioria dos países. Estratégias de mitigação poderão reduzir esse número pela metade, mas ainda assim os sistemas de saúde de todas as nações estariam rapidamente sobrecarregados, com resultados agravados – e não previstos no estudo do Imperial College – nos países de baixa renda. O cenário onde a maioria dos sistemas de saúde públicos no mundo não entra em colapso e cujo menor índice de mortalidade ocorre é o de supressão, no qual o número de vidas salvas ultrapassaria os 30 milhões.


SERVIÇOS E UTILIDADES

Observatório COVID-19

O Observatório COVID-19 BR é uma plataforma on-line alimentada por um coletivo de professores, pesquisadores e alunos de universidades brasileiras que disponibiliza, em tempo real, a situação da epidemia por aqui. Os dados do Ministério da Saúde são tratados com modelos matemáticos que fazem análises dos diversos cenários possíveis para a doença. A partir disso, é possível fazer projeções sobre o aumento ou diminuição do número de casos.

Corona Cidades

O Ministério da Saúde e outras organizações lançaram uma série de protocolos e documentos de referência para apoiar as cidades no enfrentamento da pandemia. Com base nessas diretrizes, o Instituto de Estudos para Políticas da Saúde e outros parceiros estruturaram uma ferramenta que permite ao gestor público diagnosticar seu nível de preparo para a COVID-19, chamado Corona Cidades. O site fornece dados de apoio para planejamento e implementação das ações nos municípios brasileiros, ordenando e resumindo em forma de checklist o que precisa estar no radar de quem toma decisões todos os dias em tempos de crise.

Disque Fake News

Para ajudar a esclarecer a população sobre as notícias falsas a respeito do COVID-19, o Ministério da Saúde disponibilizou um número de WhatsApp para atender à população.  Trata-se de um canal que recebe apenas informações que viralizaram nas redes sociais e na mídia. Elas são recebidas e apuradas pelas áreas técnicas e respondidas oficialmente se são verdade ou mentira. O envio de mensagens é gratuito – até mesmo arquivos e imagens podem ser enviados. Confirme a veracidade das informações antes de compartilhar.

O número deste canal é o (61) 99286-4640.


FATOS E FAKES

É verdade que chineses com coronavírus estão contaminando locais públicos intencionalmente?

Nos últimos dias tem circulado nas redes sociais um vídeo em que supostamente aparecem cenas de chineses espalhando o coronavírus em locais públicos da Austrália, Itália e outros países. Entre as cenas estão: uma mulher sendo presa na Austrália após cuspir em frutas de supermercado e uma pessoa cuspindo nos botões de um elevador na Itália. Será que esses vídeos são verdadeiros? A resposta é NÃO.

Embora as imagens sejam reais, elas não estão relacionadas a casos de coronavírus e representam episódios diferentes, ocorridos em outros contextos, editados em um mesmo vídeo para serem associados à crise COVID-19. Em nenhum dos casos mencionados no vídeo existe relação comprovada de que as pessoas envolvidas estavam contaminadas – na verdade, ao menos um deles ocorreu antes do início da pandemia. Esse é mais um caso de fake news que tenta disseminar ideais xenofóbicos durante o isolamento social global. Para mais esclarecimentos sobre o real contexto e período dos eventos mostrados no vídeo, vejam matérias jornalísticas da editoria de checagem de fake news da agência de notícias AFP e do jornal New York Post:


Organização

Pró-Reitoria de Pesquisa e Desenvolvimento Institucional

Comitê Científico – Contingência COVID-19

Dr. Allan Novaes, Dr. Fabio Alfieri, Dra. Maristela Martins, Dra. Gildene Lopes
Dr. Rodrigo Follis, Dra. Lanny Soares, Dra. Naomi Vidal

Produção

Mestrado em Promoção da Saúde

Dr. Fabio Alfieri, Dra. Natália Cristina Vargas e Silva,
Dr. Maurício Lamano, Dra. Elisabete Agrela